Friday, 16 March 2018

Liceu Camões ou «Lyceu de Camões»

Notável para a sua época de construção, e ainda hoje [em 1938] estabelecimento publico de primeira ordem, é êste outro edifício escolar, do Liceu Camões. Foi inaugurado em 1909, e pertence ao grupo destas edificações liceais que se deveram ao ilustre estadista João Franco. Possue condições pedagógicas modernas, grandes salas, aulas arejadas, galerias e corredores largos, pátios de recreio, e um admirável ginásio.¹


O Liceu Nacional de Lisboa, actual Escola Secundária de Camões, foi o segundo liceu de Lisboa, criado em 1902 por Carta de Lei, de 24 de Maio.
Inicialmente a funcionar no Palácio da Regaleira, no Largo de São Domingos, partilhava as suas instalações, no rés-do-chão, com uma leitaria e uma loja de mobílias. Dois anos mais tarde com a divisão de Lisboa em três zonas escolares, o Liceu Camões, ou «Lyceu de Camões» adopta a designação de Liceu Central e passa a ser o principal da zona onde fica situado — primeira zona.

Liceu Camões [1914]
Soberano senhor da Praça José Fontana
Fotógrafo não identificado, in AML

Em 1907, o Governo autoriza a aquisição de terreno, construção de um edifício e compra de mobiliário. O local escolhido, Largo do Matadouro Municipal [actual Praça José Fontana] foi alvo de fortes críticas por ser considerado ermo, de difícil acesso e distante para os alunos.
Projectado em 1907 pelo arquitecto Miguel Ventura Terra e edificado entre 1908 e 1909, foi o dos segundo liceu moderno da capital. A sua construção resulta de uma política de fomento do ensino superior, da qual fez parte a conclusão do Liceu Passos Manuel e o projecto do Liceu Pedro Nunes, também do risco de Ventura Terra. O edifício foi objecto de intervenções de ampliação e renovação em 1927, 1931, 1933, 1934, 1935 e 1940.

Liceu Camões [1928]
Praça José Fontana
O corpo central possui, no piso térreo, três arcos de volta perfeita dando um deles acesso ao interior. Em 1972 foi inaugurado à entrada do liceu, por ocasião do IV Centenário da Publicação de "Os Lusíadas", o busto de Camões, encomendado ao escultor Fernando Fernandes, para homenagear o grande poeta português
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século
Liceu Camões [1933]
Praça José Fontana
Os alunos do liceu Camões à saída daquele edifício, no dia de abertura de aulas
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Na sua construção recorreu-se aos novos materiais da época: ferro e tijolo. Neste novo edifício já havia uma cantina, papelaria, livraria e estava englobado um conjunto de infra-estruturas associadas à prática do exercício físico dos quais se destacam os espaços para ginástica e banhos. Os espaços destinados ao convívio, às disciplinas científicas e ao exercício físico eram uma novidade nas construções escolares da época.
No início de 1908 — Janeiro — iniciam-se as obras que surpreendentemente terminam vinte e um meses depois.
Em 1909, a 16 de Outubro, inaugura-se o novo Liceu que entretanto, em 9 de Setembro de 1908 muda oficialmente a sua designação para Lyceu de Camões.²

Liceu Camões [1928]Praça José Fontana
Nas enjuntas observarn-se medalhões cerâmicos em relevo com elementos vegetalistas. Antecedem a cornija painéis de cerâmica com motivos zoomórficos e vegetalistas
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

N.B. Pelo Liceu Camões passaram grandes vultos da História e da Cultura do nosso país, quer como alunos quer como professores: Mário de Sá-Carneiro, Vergílio Ferreira, Aquilino Ribeiro entre outros.
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Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 58, 1938.
² Almeida e Duarte Belo – Portugal Património: Lisboa, Vol. VII, 2007.

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