Sunday, 30 December 2018

Palácio Mesquitela

Neste Largo [do Doutor António de Sousa], n.° 1 a 15, — refere Norberto de Araújo —  se ergue ainda o palácio seiscentista onde se instalou há trinta e cinco anos [1903] a Escola Comercial de Rodrigues de Sampaio  —, que foi pertença da família Sousa Macedo, e depois Costas, Condes de Mesquitela


Com fachada para a Calçada do Combro, situado entre as Travessas do Alcaide e do Judeu, n.°s 1 a 15, a propriedade, relativamente extensa, com seu pátio, cocheiras, anexos e pedaço de terreno ajardinado- era um documento expressivo dêste sítio. O portal do pátio nobre, hoje recreio da Escola, e o umbral de esquina da Travessa do Judeu, são armoriados, no brazão daqueles fidalgos, que ascendem aos Albuquerques, e foram senhores da famosa Quinta da Bacalhôa, em Azeitão.

Palácio Mesquitela [1932]
Largo Dr. António de Sousa Macedo, 1; Travessa do Alcaide, 19-19B; Rua do Sol a Santa Catarina, n.º 30A-30C; Travessa dos Judeus, n.º 2-4
Antigo Largo do Poço Novo
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Ao tipo insonso exterior dos palácios do século XVII e XVIII, é todavia elegante na sua larga ordem de janelas rasgadas na fachada. Como notas, o prolongamento do casarão, pelas travessas que o ladeiam, é ainda da configuração antiga e deslavada. [...]

Palácio Mesquitela, portal armoriado [1959]
Largo Dr. António de Sousa Macedo, 1; Travessa do Alcaide, 19-19B; 
Rua do Sol a Santa Catarina, n.º 30A-30C; Travessa dos Judeus, n.º 2-4
O brasão é partido em pala: no 1º, metade do brasão dos Sousa do Prado; no 2º, brasão dos Macedos, 
metido num gracioso ornamento e encimado por uma coroa de conde, tendo por timbre 
um braço vestido segurando uma maça cravada de pontas
Armando Serôdio, in AML

Uma das figuras mais notáveis da familia a que pertenceu o palácio foi D. António de Sousa de Macedo, escritor, jurisconsulto e diplomata, secretário de Estado de D. Afonso VI, falecido em 1 de Novembro de 1682. A sua memória foi consagrada em Agôsto de 1937 pela Câmara Municipal no dístico que se apôs ao velho Largo do Poço Novo.

Palácio Mesquitela [1959]
Largo Dr. António de Sousa Macedo, 1; Travessa do Alcaide, 19-19B; Rua do Sol a Santa Catarina, n.º 30A-30C; Travessa dos Judeus, n.º 2-4
Escola Dona Maria IArmando Serôdio, in AML

N.B. A 30 de Novembro de 1993 o Palácio é finalmente Classificado Imóvel de Interesse Público. Em 2008 é adquirido pelo grupo Paço, que recupera e converte o antigo Palácio em apartamentos de luxo, com a premissa de um profundo respeito e valorização da obra original. Da fachada principal, totalmente restaurada, restaram intactas as pilastras que a delimitam, as 16 janelas de sacada e o imponente portal, com emolduramento de cantaria encimado por um frontão triangular que detém a pedra de armas da família Sousa de Macedo.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, p. 38, 1938.

Friday, 28 December 2018

Avenida da Liberdade, esquina com a Rua Alexandre Herculano

Em 1941, a Associação Industrial Potuguesa (A.I.P.) adquiriu nova sede, desta feita na Avenida da Liberdade, num amplo palacete onde se manteve até 1958. Foi demolido em 1963/64..

Avenida da Liberdade, esquina com a Rua Alexandre Herculano [Início séc. XX]
Palacete onde esteve instalada a sede da Associação Industrial Portuguesa (A.I.P.) entre 1941-1958
Paulo Guedes, in AML

O topónimo Rua Alexandre Herculano foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa, através de Deliberação Camarária de 06/05/1882, à “perpendicular à Avenida da Liberdade, em direcção ao Largo do Rato”. Pela mesma deliberação foram atribuídas na mesma área a Rua Castilho, a Rua Barata Salgueiro, a Praça do Marquês de Pombal e a Rua Mouzinho da Silveira. 

Rua Alexandre Herculano com a Avenida da Liberdade [1961]
Palacete sede AIP
Augusto Fernandes, in AML

Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, escritor e historiador, nasceu em Lisboa a 28/3/1810 e morreu em Vale de Lobos, a 13/9/1877.
Juntamente com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do Romantismo em Portugal. Foi o renovador do estudo da História de Portugal. [cm-lisboa.pt]

Palacete sede AIP, fachada sobre a Rua Rodrigues Sampaio [1961]
Augusto Fernandes, in AML

Wednesday, 26 December 2018

Igreja de Nossa Senhora da Luz

Classificada como Monumento Nacional, foi mandada edificar em 1575 pela Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I. Projectada por Jerónimo de Ruão, com provável intervenção de seu pai, João de Ruão e de Francisco de Holanda, traduz um templo maneirista, estilo chão, com uma fachada monumental de dois pisos, que sofreu grande ruína com o terramoto de 1755. Subsistiu apenas a capela-mor, o arco do cruzeiro e parte das paredes. A actual fachada foi construída em 1870, sob projecto do arqº Valentim Correia.

Igreja de Nossa Senhora da Luz [1929]
Largo da Luz; Rua da Fonte; Travessa das Carmelitas
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século


No interior merecem destaque: a capela-mor com abóbada de berço, decorada com caixotões marmóreos ornados com motivos de quadrelas inspiradas nos modelos de Sebastiano Serlio; a sepultura simples que acolhe os restos mortais da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I; o retábulo maneirista de talha dourada com excelentes pinturas de Francisco Venegas e Diogo Teixeira; o conjunto de mármores embutidos que revestem a banqueta; pelo seu valor estético e iconográfico, os retábulos pintados sobre suporte de madeira representando a Circuncisão e a Fuga para o Egipto, e S. Bento dando a Regra aos frades de Cristo e às freiras da Encarnação; os baixos relevos renascentistas do altar-mor, representando figuras alegóricas; entre outros. 


Igreja de Nossa Senhora da Luz,  altar-mor [1954]
Largo da Luz; Rua da Fonte; Travessa das Carmelitas
Mário Novais, in Arquivo do Jornal O Século

Encontram-se ainda, no corpo sul da igreja, vestígios de uma antiga capela, construída pela população em 1463/64, nomeadamente um arco manuelino e azulejos hispano-árabes.

Igreja de Nossa Senhora da Luz [1961]
Largo da Luz; Rua da Fonte; Travessa das Carmelitas
Augusto de Jesus Fernandes, in A.M.L-

Sunday, 23 December 2018

Natal do Sinaleiro em Lisboa

O «Natal do Sinaleiro» foi uma iniciativa criada em Portugal pelo ACP antes da II Guerra Mundial. Retomada em 1949, esta acção solidária juntava populações e empresas que reconhecidas pelo papel dos polícias sinaleiros, no trânsito das cidades, lhes ofereciam os mais diversos produtos para festejarem melhor a época natalícia: garrafões de vinho, sacos de batatas, bacalhaus e, até, — como comprovam algumas fotografias da época — leitões vivos!? Tempos de Antigamente, sem dúvida.


Natal do Sinaleiro em Lisboa [1933]
Praça de D. Pedro IV (Rossio)
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Era, de profissão, polícia sinaleiro, mas não era um sinaleiro qualquer. Era o afamado «Sinaleiro Dançarino». Durante o dia, em cima de uma peanha vermelha e branca, orientava o trânsito automóvel entre o Largo das Duas Igrejas e a Praça Luís de Camões, com gestos tão elegantes como autoritários, tão delicados como firmes. De capacete alto, manguitos de cabedal até aos cotovelos, cassetete, bandoleira, cinto largo e luvas de algodão imaculadas, todos estes apetrechos tão brancos como giz resplandecendo sobre a farda azul escura, rígido como um autómato, gracioso como um bailarino, Lucas Dançarino exibia arte e poderio num ballet de admirável harmonia.
Braço direito levantado em frente, mão espalmada com rigidez; braço esquerdo esticado ao lado, com o comando alongado pelo cassetete; uma apitadela estridente. [...]

Natal do Sinaleiro em Lisboa [1934]
PRua Garrett, defronte dos armazéns do Chiado
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Um espanto de eficácia e beleza. Paravam basbaques para lhe admirarem a arte revelada pela categórica gesticulação, pelos delicados meneios, pela garbosa figura que dominava tudo e todos do alto do palanque às riscas.
A veneração era de tal ordem que, no Natal, chegava-se mesmo a ir depositar uma garrafa de aguardente galega aos pés da augusta figura do «Sinaleiro Dançarino».

Natal do Sinaleiro em Lisboa [1935]
Praça dos Restauradores esquina da Rua Jardim do Regedor
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século
 

N.B. Segundo parece a farda dos polícias sinaleiros era azul, desde 1944, data da constituição deste corpo dedicado ao trânsito; mudou de azul para cinzenta em 1958.
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Bibliografia
DINIS, Orlando, A Vida não está para Netos, pp. 111-113, 2017.

PSP.pt.

Friday, 21 December 2018

A Lapa aristocrática: palacete do Dr. Alfredo Bensaúde

Vamos buscar pelo caminho natural essa outra Lapa — a Lapa aristocrática, segundo Norberto de Araújo — pelo feitio e pelo isolamento, de tôda a outra Lisboa tumultuosa ou palradora das coisas que foram ou começam a ser. [...]
De uma parte diste sitio vadio — não se sabe por que sentença do Destino — entrou a desenhar-se num burgo abastado, senhor de si, atracção dos ingleses, do negócio, da burguesia, do dinheiro, da nobreza escorraçada do Oriente da cidade, afastada que foi, ou reduzida a uma expressão episódica, a população marítima que subia das margens do rio, pela vereda de Santos: eis a Lapa da distinção, no semblante e nos costumes, a tal ponto criadora de um tipo seu que hoje se costuma dizer de uma pessoa ou de uma família que blasona «tom». — «É muito bairo da Lapa». [...]

Palacete do Dr. Alfredo Bensaúde  [post. 1961]
Rua de São Caetano, 4; Rua do Arco do Chafariz das Terras, 1
 Mário Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..

Para norte corre ligando as Ruas Ribeiro Sanches e de Buenos Aires, a típica Rua de São Caetano, muito «Lapa», a qual, se pegassem nela e a transpusessem para outro bairro de Lisboa, continuaria a afirmar, só pela presença: «eu sou Lapa». Nela, entre outros, se encontra, no n.º 6, o palacete do Dr. Alfredo Bensaúde [o primeiro director do Instituto Superior Técnico] dos raros que não são impenetráveis, e recheados de boa arte.

N.B. O projecto d0 imóveltambém conhecido como Edifício Sandoz data de 1907 e é do risco do arqº. Ventura Terra.

Palacete do Dr. Alfredo Bensaúde  [post. 1961]
Rua do Arco do Chafariz das Terras, 1; Rua de São Caetano, 4
 Mário Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, p. 42-52, 1938.
monumentos.gov.pt

Wednesday, 19 December 2018

Terreiro do Paço: um secretário do povo

Na viragem do séc. XX, Portugal era um País esmagadormente rural. Lisboa era o maior centro urbano, com uma população circa das 350.000 pessoas, maioritariamente analfabeta — três homens em cada quatro e seis mulheres em cada sete não sabiam ler nem escrever — proveniente das zonas rurais, que procurava emprego na grande cidade, mas que aqui vivia em condições infra-humanas, em casas insalubres, sobrelotadas, que necessitavam de “apoio social".

Praça do Comércio [1931]
Legenda no arquivo: «Terreiro do Paço: um secretário do povo escrevendo uma carta a uma rendeira analfabeta»
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Sunday, 16 December 2018

Monumento a Rosa Araújo

Na esquina do quarteirão onde está. a Sociedade de Belas Artes, enfrentando as Ruas Rosa Araújo e Mousinho da Silveira, foi colocado em [25 de Outubro] de 1936 um monumento, bem modesto por tal sinal, e ridiculamente situado, a José Gregório de Rosa Araújo, o criador da Avenida da Liberdade. O busto é em bronze (Costa Mota, sobrinho); sôbre o soco, em pedestal, avulta em tamanho natural a figura de Lisboa coroada.

É tudo, Dilecto, quanto Rosa Araújo mereceu da edilidade!


Monumento a Rosa Araújo [1936]
Esquina das Ruas Rosa Araújo e Mouzinho da Silveira
Eduardo Portugal, in AML

A grande audácia da época — a abertura da Avenida da Liberdadeficou a dever-se ao génio perseverante e audaz de Rosa Araújo, o «Barão Haussmann Português», tendo a seu lado o engenheiro Miguel Pais.
Esse notável rasgo, partindo de 1879, com a demolição da Travessa do Salitre — e com ela a de um grande prédio onde estava a Fotografia Rocha, que, pelo seu elevado custo, tantos engulhos causou a Rosa Araújo — teve a sua culminância em 1882 quando aquele benemérito, enérgica e decididamente, lutando contra a opinião de grande parte da gente alfacinha — o próprio Júlio de Castilho o lamentou — resolveu mandar derrubar as grades que vedavam as entradas do Passeio Público. Foi esse acto inesquecível que permitiu ser a cidade dotada com a mais linda avenida que possuímos.
José Gregório da Rosa Araújo, filho do velho confeiteiro da Rua de S. Nicolau — o Có-có, fartamente caricaturado mas que não conseguiram ridicularizar, chegou a ocupar o alto cargo de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Herdou de seu pai a honra, o título e a fortuna e pôs esta, bastas vezes, ao serviço da causa e da filantropia, morrendo pobre. O importe das primeiras obras, no valor de 22 contos, foi adiantado do seu bolso.
A Avenida da Liberdade — a que Rosa Araújo idealizou e em cuja obra pôs toda a esperança e paixão — viu passar o cortejo fúnebre desse insigne edil, um dos maiores e mais dedicados servidores da cidade de Lisboa, falecido em 26 de Janeiro de 1893, por entre alas compactas de povo, com os candeeiros acesos e envoltos em crepes.

Colocação do Monumento a Rosa Araújo [1945]
Avenida da Liberdade
Judah Benoliel, in AML

Finalmente, em Outubro de 1945, o busto de Rosa Araújo (1840-1893) foi colocado na Avenida da Liberdade, em frente da rua com o nome do antigo presidente do Município da capital.

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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 41, 1939.
COSTA, Mário, Feiras e outros divertimentos populares de Lisboa, 1960.

Friday, 14 December 2018

Esquina das Ruas Luisa Todi e de D. Pedro V

Esta Rua de D. Pedro V — recorda-nos o olisipógrafo Norberto Araújo — designação do ano de 1885, era, antes, «dos Moinhos de Vento», o que bem dá nota da sua feição campesina e da sua situação ventosa. Já existia o Bairro Alto de S. Roque, e ainda esta estrada, sem desenho que não fôsse o de pé posto, e que não fazia parte da herdade de Santa Catarina (origem do Bairro Alto) corria entre terras de semeadura. [...]
Esta ruazinha chamada de Luiza Todi, antiga Travessa da Estrêla, nada tem que mereça a nossa atenção. Morou, e morreu aqui em 1833, a grande cantora Setubalense, em memória da qual uma vereação municipal, já neste século, após à rua o nome da artista. [...]

Esquina das Ruas Luisa Todi e de D. Pedro V [entre 1901-1908]
Machado & Souza, in AML

Já agora observa-me êsse alto prédio moderno de gaveto [ainda por erguer à data da foto] da Rua de Luíza Todi, propriedade de Manuel Madeira, começado a construir, sôbre o terreno de um velho barracão em fins de 1935.
O barracão, a que várias vezes se tentou imprimir um certo aspecto decente, passando de madeira tijolo, mas sempre acanhado e desprovido de comodidades, foi animatógrafo popular durante três ou quatro anos, e depois serralharia, armazém de sucata, havendo servido também de atelier de pintura. Era uma relíquia teimosa da artéria nova, e que custou a entregar-se ao fatal destino da demolição.

N.B. Luísa Rosa de Aguiar Todi (Setúbal/9,01,1753-1833/Lisboa) foi uma cantora lírica que neste arruamento morou e aqui morreu, na casa com o antigo nº 2.
Estreou-se no Teatro do Bairro Alto em 1767 e casou em 28 de Julho de 1769 com Francisco Todi, natural de Nápoles, violinista na orquestra do mesmo teatro. Depois de muitos aplausos pelos palcos da Europa, cega completamente em 1822 e em Junho de 1833 é acometida de um insulto apoplético, pelo que faz o seu testamento e morre a 1 de Outubro desse ano, ficando sepultada na Igreja da Encarnação.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V-VI, 1938.
cm-lisboa.pt

Wednesday, 12 December 2018

Teatro Luís de Camões (Belém Clube)

Uma notícia de um jornal referia que Joaquim Maria Nunes [comerciante do bairro da Ajuda] vai construir em Belém «um elegante teatro com lotação para 1000 pessoas», que «tomará o nome de Luís de Camões e será inaugurado no dia 10 de Junho próximo». No frontão, os bustos de Camões, Garrett e Castilho. (O Comércio do Porto n.° 277, de 27/V)
Através de outra fonte, faz-se saber que será distribuído «no Teatro, a expensas do mesmo Sr. Nunes, um bodo a 55 pobres da freguesia de Santa Maria de Belém, número de anos que viveu Luís de Camões». (DN, n.° 5129, de 17/V)

Calçada da Ajuda, 76-80 [1937]
Teatro Luís de Camões (Belém Clube) vendo-se no frontão, os bustos de Camões, Garrett e Castilho
Eduardo Portugal, in A.M.L.

Pequeno teatro de gosto neoclássico tardio, inaugurado em 10 de Junho de 1880, por ocasião do tricentenário da morte do poeta. O projecto é da autoria do arquitecto João da Cunha Açúcar. A partir de 1899 albergou histórico Belém Clube.

Calçada da Ajuda, 76-80 [1964]
Ao centro, o antigo Teatro Luís de Camões (Belém Clube)
Augusto de Jesus Fernandes, in A.M.L.

Encerrado ao público pela Inspecção Geral de Actividades Culturais por razões de segurança, em 2012 foi aberto um concurso para arquitectos com experiência de teatros, caso de Manuel Graça Dias e Egas José Vieira, autores do projecto do actual Teatro de Almada, que foram escolhidos para conceber o projecto de reabilitação. Na fachada tudo se manterá como no projecto original. Nas pesquisas foi encontrada uma foto original que deixou perceber que o edifício era de cor mais escura, um vermelho escuro tijolo.

Calçada da Ajuda, 76-80 [1964]
Teatro Luís de Camões (Belém Clube) vendo-se no frontão, os bustos de Camões, Garrett e Castilho
Augusto de Jesus Fernandes, in A.M.L.

Chama-se agora LU.CA e é um espaço pensado em exclusivo para as crianças e o público jovem. A inauguração aconteceu no dia 1 de Junho de 2017.
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Bibliografia
CABRAL, Alexandre, Notas Oitocentistas, vol. I, 1980.

Sunday, 9 December 2018

Chafariz de Belém (ou dos Golfinhos)

Ora vejamos o chafariz — recorda o ilustre Norberto de Araújo. É um exemplar interessante com seus dois planos ou peças independentes, realizando um conjunto decorativo neste Largo Frei Heitor Pinto, antigo Largo do Chafariz de Belém. No plano inferior (a Praça faz declive) assenta um tanque, em cujo espaldar se vê essa tradicional caravela, com a inscrição «Câmara Municipal de Lisboa. Ano de 1847»

Chafariz dos Belém (ou dos Golfinhos) [ 1939]
Antigo Largo do Chafariz, actual Largo dos Jerónimos; foi transferido para o Largo do Mastro c. 1947
Eduardo Portugal, in AML
Chafariz dos Belém (ou dos Golfinhos)[ 1939]
Antigo Largo do Chafariz, actual Largo dos Jerónimos; foi transferido para o Largo do Mastro c. 1947
Eduardo Portugal, in AML

No segundo plano alto eleva-se propriamente o Chafariz, com seu obelisco e uma simpática expressão arquitectónica decorativa, para o qual se aproveitaram lavores escultóricos destinados a um projectado chafariz para o Campo de Sant'Ana [que não se chegou a construir], nomeadamente quatro golfinhos, obra do escultor António Gomes. Êste Chafariz substitue o «da Bola» que estava em ruína em 1837, ao qual atrás aludi, e que havia sido construído em 1611; fôra começado a construir em 1846 e inaugurou-se em 4 de Abril de 1848, havendo a Câmara de Lisboa comprado, para abrir o Largo, umas casas que neste sítio — «Chão Salgado», mas já não proscrito — existiam de pé por essa época.

 Rua de Belém [ 1939]
À esquerda o chafariz de Belém e, mais adiante, no prédio com toldos junto ao poste de catenária, a fábrica dos  Pastéis de Belém
Eduardo Portugal, in AML
Chafariz dos Belém (ou dos Golfinhos)
Desenho de Nogueira da Silv1830-1868), gravador Coelho

Segundo Velloso de Andrade, «os quatro Golfinhos, por onde corre a agua, estavam desde ha muito guardados em um telheiro a S. Pedro d' Alcântara, e alguém presume serem os tirados do Chafariz do Rocio; mas nós estamos persuadidos, que elles eram também pessas para o Chafariz do Campo de Santa Anna; 1.*, por que não davam idéa alguma de já terem servido; — 2.º por que na Planta do dito Chafariz , [...], também ali se vêem os mesmos Golfinhos.»
Em 1851, o chafariz n.º 23, tinha 4 bicas, 1 companhia de aguadeiros, 1 capataz e cabo, e 33 aguadeiros.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, pp. 90-91, 1939.
ANDRADE, José Sérgio Velloso de, Memoria sobre chafarizes, bicas, fontes, e poços públicos de Lisboa, 1851.

Friday, 7 December 2018

Rua Antero de Quental

Nove anos após o suicídio do poeta Antero de Quental, a Câmara Municipal de Lisboa perpetuou-o na toponímia citadina, no arruamento que liga o Largo do Intendente com o Largo do Conde de Pombeiro, como Antero do Quental, designação que foi rectificada para “de Quental” em virtude de uma parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 18 de Junho de 1948.

Rua Antero de Quental [1970]
Esquina com a Avenida Almirante Reis
João Goulart, in A.M.L.

Antero Tarquíneo de Quental (1842–1891) foi uma personalidade que se notabilizou pelo seu envolvimento na agitação académica de Coimbra (de 1859 a 1864), enquanto estudante e presidente da organização secreta Sociedade do Raio; por suscitar a Questão Coimbrã em 1865; por ter formado o Cenáculo em Lisboa, em 1867, com outros como Eça de Queirós e Ramalho Ortigão; por passar a uma intervenção activa no movimento socialista após conhecer Oliveira Martins em 1869; por ter organizado as Conferências do Casino em 1871; por ter aceite a presidência da Liga Patriótica do Norte quando do Ultimato de 1890. Da sua obra, destacam-se os títulos de poesia Sonetos (1861), Odes Modernas (1865) e Raios de Extinta Luz (1892), uma obra em prosa reunida em 3 volumes publicados de 1923 a 1931 (Prosas) e nos quais se inclui o ensaio Tendências Gerais da Filosofia na Segunda Metade do Século XIX (1890). [cm-lisboa.pt]

Rua Antero de Quental [1905]
Machado & Sousa, in A.M.L.

Wednesday, 5 December 2018

Avenida Almirante Reis com a Travessa do Cidadão João Gonçalves

João Gonçalves, merceeiro de profissão, contribuiu notavelmente para a causa da educação das classes operárias, ao subsidiar generosamente várias escolas primárias da capital.
Foi um fervoroso republicano, um notável orador, e envolveu-se com afinco na organização de associações de classe. Fundou os centros eleitorais republicanos dos Anjos e de S. Jorge de Arroios. Morreu pouco antes da implantação da república.

Avenida Almirante Reis com a Travessa do Cidadão João Gonçalves [Início séc. XX]
Troço da Rua Antero de Quental compreendido entre a Rua dos Anjos e a Avenida Almirante Reis
Estabelecimento União Metalúrgica
Alberto Carlos Lima, in A.M.L.

João Gonçalves assinava todos os documentos comerciais como Cidadão João Gonçalves, daí resultando o topónimo. [cm-lisboa.pt]

Avenida Almirante Reis com a Travessa do Cidadão João Gonçalves [Início séc. XX]
Troço da Rua Antero de Quental compreendido entre a Rua dos Anjos e a Avenida Almirante Reis
Estabelecimento União Metalúrgica
Alberto Carlos Lima, in A.M.L.

Sunday, 2 December 2018

«Queres jogar ao berlinde?»


Dois pequenos amigos jogam o berlinde, junto à valeta do passeio, de uma qualquer rua da cidade:
— Pòsso jogar? — perguntou ele.
— Tens «bilas»?
— Tenho os suficientes para te «limpar»!

Creio que de todos os jogos populares o mais clássico era o «Bolindre». Era assim que nós lhe chamávamos  na minha terra e não «berlinde». Havia-os de várias qualidades: de pedra, de vidro e ainda os que têm variantes de cores interiores, o que constituía suprema ambição dos rapazes. Jogava-se, bem entendido, como era hábito e não tinha nenhuma variante. No jogo do berlinde, com três poças era cada coquinada que até fervia... Então quando se misturavam bugalhos com berlindes de vidro e de metal... era um destempero...¹

Largo de Santo Estevão [c. 1930]
Ao fundo vê-se a antiga Cadeia do Limoeiro
Ferreira da Cunha, in AML

N.B. BELINDRE, s. m. Bolinha de pedra ou vidro para jôgo de rapazes, o mesmo que BERLINDE.
ENCICL. Jôgo vulgar também conhecido por bute e que tem como finalidade fazer a própria bola percorrer duas vêzes um grupo de três pequenas covas abertas no chão a distâncias iguais e em linha recta, afastando para isso, dentro das regras do jôgo, as bolas dos adversários ou retendo-as em qualquer das covas que não seja aquela para que o contrário se dirige. O jôgo, que exige uma grande destreza e pontaria certeira na projecção da bola, oferece por vezes lances interessantes que põem à prova a habilidade dos jogadores.
No fim de cada partida o vencedor ganha a bola do contrário.²

Calçada da Tapada com a Rua José Dias Coelho [1932]*
Legenda no arquivo:« Abertura do ano lectivo. Dois alunos que faltaram às aulas para jogar o berlinde.»
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século
* o local não está identificado no arquivo

Bibliografia
¹ Nominalia: Manteigas - a festa dos NOMES: toponímia, alcunhas, falas..., 2004.
² Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. 4, p. 481, 1983.

Friday, 30 November 2018

Rua do Regueirão dos Anjos

Êste Regueirão — recorda-nos Norberto de Araújo — é anterior até à própria Rua dos Anjos. Já te disse que esta serventia foi vale natural, onde depois de correr água, nos séculos velhos, correu o trânsito.

É triste, apático – feio êste Regueirão. Uma notazita isolada de pitoresco sombrio, e por aqui se fica. Mas sigamos por ele.

 

Rua do Regueirão dos Anjos [1951 e 1949, respectivamente]
Perspectiva tomada da Av. Almirante Reis na foto da esq., e com a a avenida ao fundo na 2ª foto; a Rua do Regueirão dos Anjos tem três arcos vendo-se ao fundo na 1ª foto o arco sob a Rua Álvaro Coutinho
O Regueirão sonâmbulo prolonga-se até à transversal Rua de Francisco Foreiro. Abandonêmo-lo a si próprio.
Eduardo Portugal, in AML

Nota-me já esta particularidade: as casas, quási todas de traseiras de prédios, têm ao nível antigo da rua estabelecimentos e oficinas – muitas serralharias e depósitos – com as portas em ferro. E porquê? Porque aquando das enxurradas nas invernias fortes tudo isto se inunda; o velho leito do vale, desaguadouro forçado, faz valer os seus direitos. Do lado esquerdo podes notar êsses quintais tristes, e algumas moradias do tipo antigo suburbano do século passado [XIX].

Rua do Regueirão dos Anjos [1949]
Perspectiva tomada da Av. Almirante Reis
Nota-me já esta particularidade: as casas, quási todas de traseiras de prédios, têm ao nível antigo da rua estabelecimentos e oficinas – muitas serralharias e depósitos – com as portas em ferro. E porquê? Porque aquando das enxurradas nas invernias fortes tudo isto se inunda; o velho leito do vale, desaguadouro forçado, faz valer os seus direitos.
Eduardo Portugal, in AML

Logo a uns cem passos é o Regueirão atravessado pelo viaduto da Rua Álvaro Coutinho; poucos passos andados aí temos êsse curioso arco abatido de perspectiva singular, que faz passar o arruamento sob a Ermida do Resgate e Almas, cuja fachada está na Rua dos Anjos; um outro viaduto aparece a seguir sôbre a Rua, também moderna, de Febo Moniz.

Arco da Rua do Regueirão dos Anjos sob a Ermida da Almas [1949]
[...] poucos passos andados aí temos êsse curioso arco abatido. de perspectiva singular, que faz

passar o arruamento sob a Ermida do Resgate e Almas, cuja fachada está na Rua dos Anjos.
Fernando Martinez Pozal, in AML
Arco da Rua do Regueirão dos Anjos sob a Rua Febo Moniz [1949]
[...] um outro viaduto aparece a seguir sôbre a Rua, também moderna, de Febo Moniz.
Eduardo Portugal, in AML

Ora repara nêsse documento olisiponense encostado ao suporte poente dêste viaduto: uma obra «feita à custa do real do povo pelo Senado da Câmara em 1685» — segundo diz a lápide camarária. Era uma bica ou fonte, de pública serventia, que em 1917 foi renovada, segundo a data gravada o indica, e que o ano passado (1937) foi definitivamente entaipada, por as águas sofrerem de inquinação. A histórica bica — secou. É hoje uma breve «memória» do sítio, rico de fontes e nascentes.

Arco da Rua do Regueirão dos Anjos [1949]
Fonte e lápide camarária; escadas de acesso à Rua Febo Moniz
Ora repara nêsse documento olisiponense encostado ao suporte poente dêste viaduto: uma obra «feita à

custa do real do povo pelo Senado da Câmara em 1685» - segundo diz a lápide camarária. Era uma bica
ou fonte, de pública serventia, que em 1917 foi renovada, segundo a data gravada o indica, e que o ano
passado (1937) foi definitivamente entaipada, por as águas sofrerem de inquinação.A histórica bica - secou.
É hoje uma breve «memória» do sítio, rico de fontes e nascentes.
Fernando Martinez Pozal, in AML

O Regueirão sonâmbulo — conclui mestre Araújo —  prolonga-se até à transversal Rua de Francisco Foreiro. Abandonêmo-lo a si próprio.

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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 73-74, 1938.

Wednesday, 28 November 2018

Ermida de Nossa Senhora do Resgate das Almas e Senhor dos Perdidos

No fim da Rua dos Anjos, do lado nascente, e sobre o Regueirão, está ainda de pé, e aberta ao culto, a «Ermida de Nossa Senhora do Resgate das Almas e Senhor dos Perdidos — 1762», segundo a legenda sobre o pórtico. A data é, talvez, a da reconstrução. A Ermida é revestida de muito bons azulejos, ornada de talha dourado, de que o altar-mór é rico.



O templo actual que deve ter sucedido a outro mais antigo, é uma construção da segunda metade do século XVIII, precisamente do ano de 1762, conforme reza a inscrição insculpida no tímpano do portal de entrada. O seu exterior é pobre, seguindo um modelo comum a grande número de pequenas igrejas construídas, entre nós, depois do terramoto: empena em chaveta, portal com tímpano semicircular, rematado com o emblema da paixão, janelas iluminantes no andar superior.

Ermida de Nossa Senhora do Resgate das Almas e Senhor dos Perdidos [post. 1902]
Rua dos Anjos, 72-72-A
Fotógrafo não identificado, in AML

O interior, em contrapartida, é precioso na sua dupla decoração, à base de azulejos e talha, combinando-se os dois elementos com rara unidade de estilo. Efectivamente toda a decoração interior foi concebida em estilo rocaille uniforme, duma data próxima da da construção da igreja.

Ermida de Nossa Senhora do Resgate das Almas e Senhor dos Perdidos
 Capela-mor

A capela-mor, apresenta retábulo guarnecido por baldaquino e vazado por camarim albergando trono, diante do qual se destaca o grupo escultórico da «Mater Dolorosa». Ladeando o vão central do retábulo, enquadradas por molduras em talha rocaille, observam-se 2 composições pictóricas figurando «Nossa Senhora da Piedade», do lado do Evangelho, e uma «Crucificação com São João Evangelista», lado da Epístola. Sobre a porta de acesso à sacristia, do lado do Evangelho existe uma imagem de «Nossa Senhora da Conceição», em madeira estofada, datável da 1ª metade do século XVII.

Ermida de Nossa Senhora do Resgate das Almas e Senhor dos Perdidos [1901]
Rua dos Anjos, 72-72-A
Por esta altura ainda não tinha sido completada a ligação com a Rua Álvaro Coutinho, facto que só veio a ocorrer por volta de 1911 após demolição daquele último prédio do lado nascente; observa-se, igualmente, pela ausência de catenárias [vd. 1ª foto], que ainda não tinha ocorrido a electrificação da linha dos carros «americanos»
Fotógrafo não identificado, in AML






























Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 76, 1938.
Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa, Vol. 5, Parte 2, Junta Distrital de Lisboa, 1962.

Sunday, 25 November 2018

Largo do Rato: antes e após as demolições na década de 1930

Rato foi e Rato é —  diz Norberto de Araújo; só os dísticos municipais e os letreiros dos eléctricos dizem Praça do Brasil, titulo pomposo com o qual a República portuguesa nascente em 1910 quis consagrar a República irmã mais velha de Além Atlântico.[...]


De um padroeiro [Luís Gomes de Sá e Meneses], do Convento das freiras da Santíssima Trindade [Convento das Trinas] se trespassou para a casa religiosa e para o sítio do seu eirado o nome de «Rato», que era um cognome, quási apelido pessoal.

Largo do Rato, do nascente para o poente [1929]
 Antiga Praça do Brasil, antes Largo do Rato, antes Rua do Rato, antes Rua Direita do Rato
Ao fundo, a Rua do Sol ao Rato e o antigo Teatro Joaquim de Almeida (1925-1930); em último plano fundo, à direita, vislumbra-se o telhado do Convento das Trinas
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século
 Largo do Rato, do poente para o nascente [1929]
 Antiga Praça do Brasil, antes Largo do Rato, antes Rua do Rato, antes Rua Direita do Rato
Esquina com a Rua de S. Bento; ao fundo, a Rua do Salitre e, à esq., por detrás doa edifícios marcados para  demolição, vê-se o o Palácio do Marquês da Praia e Monforte o(actual sede do P.S.)
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Já antes do Terramoto o Largo do Rato crescia em póvoa, em tumulto de tendas ao ar livre, e algum casario; (...) Depois do cataclismo, o sítio converteu-se em acampamento de foragidos, de tal modo que, em 1759, se determinou dar ao eirado ou largo a forma urbanística que perdurou até 1937; abriram-se depois, em rectificação de caminhos entre quintas, a Rua da Fábrica da Louça [Calçada Bento da Rocha Cabral], a Praça das Amoreiras, e a Rua de S. Filipe Nery, esta mais tardia.

Largo do Rato [1937]
Antiga Praça do Brasil, antes Largo do Rato, antes Rua do Rato, antes Rua Direita do Rato
Do lado esq., o Palácio do Marquês da Praia e Monforte
Eduardo Portugal, in AML
Largo do Rato [1937]
Antiga Praça do Brasil, antes Largo do Rato, antes Rua do Rato, antes Rua Direita do Rato
Do lado dir., o Palácio do Marquês da Praia e Monforte e o
Convento das Trinas
 Eduardo Portugal , in AML

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto deo, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 11-12, 19339.
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