Sunday, 24 December 2017

Palácio Iglésias

O prédio da outra esquina, no Largo [da Academia Nacional de Belas Artes], é dos herdeiros de Iglésias Viana, construção sólida e burguesa do século passado [séc XIX]. 

Foi aqui o lugar (já o disse) da Igreja dos Mártires, fundada por D. Afonso Henriques, doada aos ingleses cruzados, em padroado do Bispo D. Gilberto; reedificada em 1602 e 1629, desapareceu totalnente com o Terramoto.  

Era então a velha Igreja dos Mártires, mais do que S. Vicente, e tanto como a Sê, uma relíquia de Lisboa afonsina.¹


Traduzindo um exemplar de arquitectura residencial neoclássica, foi edificado, a partir de 1859, segundo o risco do arq.º  Giuseppe Cinatti, em propriedade da família Iglésias. Foi objecto de projecto de ampliação em 1862, quando ainda estava em construção. Em 1971 foi vendido ao Estado, que aí instalou o Ministério da Economia, após obras de readaptação funcional. 

Palácio Iglésias [c. 1900]
Largo da Academia Nacional de Belas Artes, 1-3; Rua Vitor Córdon, 2-6A
Alexandre Cunha, in Arquivo Municipal Lisboa

Palacete urbano de planta irregular composta por L e corpo rectangular desenvolvido, anexado em parte da fachada posterior, que acompanha o forte declive do terreno. Apresenta fachadas com número de andares diferenciado, rebocadas e pintadas, com embasamento, remates, pilastras, frisos e balaustrada em cantaria. A fachada principal e fachada esquerda são voltadas à rua, enquanto que a fachada posterior abre-se para pátio rodeado por muro, onde originalmente existia um jardim de recreio. Caracteriza-se por um tratamento simétrico das fachadas, com grande contenção decorativa, limitando-se ao tratamento dos portais, à utilização de balaustrada sobre cornija e à marcação do piso nobre. Merecem destaque: o tratamento do portal principal, emoldurado por pilastras simples de capitel saliente, sobre as quais arranca arco pleno, com pedra de fecho marcada, rematado por cornija recta sobrelevada, o qual surge ladeado por duas janelas de peitoril de verga recta, rematadas por duas tabelas com grinaldas e botões.; e o rasgamento de vãos a ritmo regular, com molduras rectas de cantaria, onde dominam as janelas de peitoril, exceptuando no piso nobre, caracterizado pela abertura de janelas de sacada, rematadas por cornija ligeiramente sobrelevada e guarda em ferro forjado. Este palacete traduz uma solução arquitectónica de compromisso entre o peso da tradição construtiva nacional e a formação mais actualizada, segundo parâmetros europeus, do arquitecto em questão.²

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, p. 22-23, 1939.
² cm-lisboa.pt

1 comment:

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