sexta-feira, 14 de julho de 2017

Casa e Palacete Lambertini

Michel’Angelo Lambertini (1862-1920), foi uma personagem fundamental da cultura portuguesa de finais do século XIX, princípios do século XX. No domínio da música foi executante, maestro, compositor e musicólogo além de editor e comerciante. Foi também o responsável pela reunião de uma parte considerável do actual acervo do Museu da Música.


A Casa Lambertini & Cª, com a licença nº 454 registada e paga para o ano inteiro inteiro em 12 Janeiro de 1861, localizava-se na Rua Oriental do Passeio, 2, e apresentava armazém de pianos e instrumentos. No ano seguinte à morte de Luís Joaquim Lambertini, em 1865, os filhos renomeiam a designação comercial da casa passando a chamar-se Lambertini Filhos & Cª, no Largo do Passeio Público, 8– 2. A morada sofrerá pequenas alterações de número de polícia, não deixando, no entanto, de se fixar sempre na zona do Passeio Público, mais tarde Praça dos Restauradores e Avenida da Liberdade.
O nome perdurou por toda a segunda metade do séc. XIX, tendo dobrado a centúria. No limiar do séc. XX a casa estava já nas mãos de um neto do bolonhês, Michel’Angelo Lambertini, na Praça dos Restauradores, 43–49, declarando uma renda anual de 400$000 réis, sintomática da prosperidade económica da casa e da sua implantação no mercado.

Praça dos Restauradores, 43–49 [ant. 1900]
Antiga Rua Oriental do Passeio Público
O terceiro toldo, à direita, é da «Casa Lambertini»
Fotógrafo não identificado, in AML

O projecto de criação de um Museu Nacional da Música remonta a 1911, por iniciativa do próprio Michel’Angelo Lambertini, mas viria a falhar, contudo, com a morte do musicólogo, sendo retomado anos mais tarde pelo Conservatório Nacional na sequência da aquisição pelo estado do acervo.

Anúncio da Casa Lambertini em 1896
Branco e Negro: semanario illustrado

O Palacete Lambertini, sito na Avenida da Liberdade, 166, mandado construir por iniciativa de Michel’Angelo Lambertini, foi projectado, em 1901, pelo arq. Nicola Bigaglia. Este edifício recebeu, ex-aequo com outro imóvel, uma Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1904, facto que não agradou de todo ao seu proprietário, uma vez que o prémio principal não havia sido atribuído nesse mesmo ano, em virtude do júri ter considerado que "(...) nenhum dos prédios concluídos em Lisboa (...) [durante o ano em questão, reunia] o conjunto de condições artísticas essenciais para ser classificado em mérito absoluto (...)". Apesar das reclamações e apelos de Lambertini junto da Câmara, a decisão manteve-se. Posteriormente foi objecto de duas alterações importantes, a 1ª , em 1927, com projecto do arq. Carlos Ramos e a 2ª, a partir de 1939, obra do arq. Raúl Tojal (foi alteado de um piso).
Incluído na zona da Avenida da Liberdade que se encontra Em Vias de Classificação, este imóvel traduz uma arquitectura eclética e assenta numa lógica renascentista veneziana, próxima do estilo lombardesco, evidenciando como elemento excepcional a integração no alçado principal de composições de mosaicos, inspirados nos da Igreja de São Marcos de Veneza.

Vista sobre a Avenida da Liberdade [ant. 1939]
Palacete Lambertini (assinalado a vermelho;, Monumento aos Mortos da Grande Guerra (1931)
Judah Benoliel, in AML

Bibliografia
(Cadernos do Arquivo Municipal, Nº4, 2000)
(FERREIRA, Fátima C. G., Guia Urbanístico e Arquitectónico de Lisboa, p. 287, 1987)

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