domingo, 21 de maio de 2017

Chafariz(es) do Campo Grande

Ora agora se abre o Campo Grande — desde 1937 denominado Campo 28 de Maio [até 1948]. Era por ai fora o famoso Campo ou Campos de Alvalade, cuja história remonta ao século XIII.

Foi o Campo de Alvalade, pelo decorrer dos séculos, sitio escolhido para edificação de solares nobres arrabaldinos, e algumas vezes destinado a concentração de exércitos; os têrços que D. Sebastião arrastou a Alcácer Quibir por aqui se exercitaram. (...) A plantação do Parque. do Campo Grande deve-se a D. Rodrigo de Sousa Coutinho, Ministro de D. Maria I. (Araújo, 1939)

 

Campo Grande, lado oriental [c. 1941]
Ao centro, o Chafariz do Campo Grande
Eduardo Portugal, in Arquivo Municipal Lisboa

primeiro chafariz [vd. 2ª imagem] que existiu no Campo Grande terá sido construído entre 1813-1816. Sérgio Veloso de Andrade, em «Memória sobre chafarizes, bicas, fontes, e poços públicos de Lisboa, Belém, e muitos logares do termo» refere um chafariz no Campo Grande que, segundo afirma, pertencia ao sistema inaugurado em 1816, do qual também fazia parte o Chafariz das Mouras, na Alameda das Linhas de Torres, provavelmente da autoria do arquitecto José Therésio Michelotti
Conforme descreve, a água que abastecia os dois provinha do “Sítio das Mouras e escasseava frequentemente, obrigando a obras adicionais para procura de novos mananciais. Veloso de Andrade não dá contudo indicações suficientes para uma localização mais precisa do chafariz do Campo Grande. Contudo, conjugando esta descrição com o referido projecto, é possível supor que aí estará indicado o que viria a ser o primeiro chafariz que existiu no Campo Grande e a linha do respectivo canal de abastecimento. Luis Gonzaga Pereira (1796-1868) inclui, na colecção de desenhos de chafarizes de Lisboa que efectua entre 1820 e 1840, um com a legenda “Nº 28. Chafaris do Campo Grande”. Logicamente, este será o chafariz a que se refere Veloso de Andrade, até porque consta no desenho uma lápide no seu espaldar onde está inscrito “REAL OBRA DE AGOA LIVRE ANNO D 1816”, o que concorda com o que Veloso de Andrade afirma acerca do seu ano de inauguração. Este autor também representa, no cimo deste chafariz, a estátua de uma figura humana masculina de barba, empunhando um tridente, com uma coroa na cabeça e um panejamento envolvendo parte do corpo.
Nas notas que acrescentou no final da sua obra em Dezembro de 1851, Veloso de Andrade refere que este chafariz estava em vias de ser demolido, para ser substituído por um novo, alimentado por outra água, proveniente da mesma nascente do Chafariz de Entrecampos, cuja inauguração foi nesse mesmo ano. Este autor afirma também que “O Neptuno, que se achava no sobredito Chafariz, (e já tinha servido no antigo Chafariz do Rocio) foi d'ali deslocado, para hir servir de remate no Chafariz d'Alcantara”(Andrade, 1851).

Nº 28.Chafariz do Campo Grande [1821]
Demolido em 1851

Desenho aguarelado, Luiz Gonzaga Pereira

Demolido o primeiro, será o segundo chafariz, que ao sobreviver até à década de 1940, ainda foi a tempo de ser fotografado, nas suas duas frentes, por Eduardo Portugal. Tendo por base a planta de Silva Pinto de 1907, (e o Google Street View) é possível localizar o chafariz defronte do actual impasse entre os nºs 286-B e 292 (actual Rua José Santa Camarão).

Chafariz do Campo Grande, frente Este [séc. XIX]
Fotógrafo não identificado, in Arquivo Municipal Lisboa
Chafariz do Campo Grande, frente Oeste [c. 1941]
A casa de pasto (no nº. 272), atrás à direita, ainda lá está, ajudando à localização exacta do antigo chafariz

Eduardo Portugal, in Arquivo Municipal Lisboa

Bibliografia
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 65)
(rossio.estudos de lisboa n.º 02, CML, 2013)
(monumentos.pt)

1 comentário:

  1. Ora aqui está um chafariz que não consta na lista das (seiscentas e tal) fontes publicadas pelo FOTOCICLISTA.

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