quarta-feira, 8 de março de 2017

Profissões de antanho: o azeiteiro

Aazêêite dôôôce! Óh-pritróliine!

Azêite dôôc´i bom vináágre!


Grande parte dos produtos de consumo normal continuavam nas mãos dos vendedores ambulantes que os iam apregoando pelas ruas ou ofereciam-nos de porta em porta. Constituíam os vendilhões, com os seus trajes próprios, os seus pregões, e até a variedade dos seus produtos, uma das notas mais castiças e mais vivas do folclore lisboeta. Eram numerosos, cruzando as ruas em todas as direcções, parando nas praças, de giga à cabeça ou trazendo um burro pela arreata, sucedendo-se uns aos outros durante o dia, em cumprimento dos horários mais favoráveis à venda dos produtos de cada um, ou reaparecendo com as estações do ano.

Mouraria [Início séc. XX]
Vendedor ambulante de azeite
Fotógrafo não identificado, in AML

Rua da Imprensa Nacional [entre 1903-1908]
(Antiga Travessa do Pombal; ao fundo o Instituto Politécnico)
Vendedor ambulante de azeite

Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House

Obs: o local não se encontra identificado pelo fotógrafo

O Azeiteiro que também vendia vinagre e petroline, com o fato cheio de manchas de óleo, transportava as grandes almotolias de folha, às duas e três, suspensas dos braços, e outras às costas. Se tinha carroça, podia trazer um maior número de unidades. Era um tipo geralmente pacato, sério no seu negócio que reclamava com um pregão banal:
Aazêêite dôôôce! Óh-pritróliine!
Azêite dôôc´i bom vináágre!

Rua da Prata com a Rua de Santa Justa [entre 1903-1908] 
Vendedor ambulante de azeite
Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House

Obs: o local não se encontra identificado pelo fotógrafo

Campo de Santa Clara [Início séc. XX]
Vendedor ambulante de azeite na Feira da Ladra
Fotógrafo não identificado, in AML

Bibliografia
(O povo de Lisboa: tipos, ambiente, modos de vida, mercados e feiras, divertimentos, CML, 1978)

Sem comentários:

Enviar um comentário

Web Analytics