quinta-feira, 2 de março de 2017

Igreja de S. Cristóvão

Estamos deante de S. Cristóvão, no Largo pequeno que tem a Sul, defronte do templo as Escadinhas que levam à Rua da Madalena. Encosta-te à cortina: observa-me essas minúsculas casitas, do principio do século passado, acumuladas, em capricho de intersecção, graciosas na suas escadas exteriores, e melancólicas no seu ar de condenadas perante um urbanismo racional. 

Não reparaste que apenas pelo enunciado-S. Cristóvão tem uma ressonância bairrista? Ora vejamos o templo, que do seu comêço esteve isolado, e só mais tarde foi rodeado de casas e, por conseqüência, de betesgas,naquele amontoado indisciplinado que caracterizava os focos de população crescente nos séculos da primeira dinastia.

 

Igreja de São Cristóvão, fachhada principal [c. 1900]
Largo de São Cristóvão
Machado & Souza, in AML

A igreja primitiva remonta talvez a finais do século XII, denominada então Igreja de Santa Maria de Alcamim. Há notícia que durante o reinado de D. Manuel I a igreja sofreu um incêndio que a deixou totalmente destruída. Em 1610 é restaurada e em 1671-72 dá-se a conclusão das obras. No século XVIII, resistiu globalmente ao Terramoto de 1755, mantendo-se a fachada maneirista da igreja característica do século XVII. 

Igreja de São Cristóvão, fachada lateral [c. 1900]
Calçada Marquês Tancos
Machado & Souza, in AML
 
O tecto da nave tem pintura ornamental exuberante, apresentando 15 quadrelas desenvolvendo-se em torno do painel central, composto por figuração de anjos ao redor de uma custódia barroca. Possui 44 telas de Bento Coelho da Silveira, de finais do século XVII. Sabe-se que «contam a história de S. Cristóvão, falam de S. Francisco, de Santo António, dos jesuítas S. Francisco Xavier e Santo Inácio de Loyola, falam sobre o Céu», mas estão quase ilegíveis, aliás, tudo está em risco devido à infiltração de água pelo telhado.

Igreja de São Cristóvão, traseiras [c. 1900]
Rua da Achada
Machado & Souza, in AML


Bibliografia
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, p. 52)
(cm-lisboa.pt)

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