Thursday, 23 February 2017

Praça do Município, antiga Praça do Pelourinho Velho

Antes do terramoto de 1755 havia em Lisboa a Praça do Pelourinho Velho e a Praça do Pelourinho Novo, nas quais se fizeram execuções de diferentes penas corporais. Ambas ficavam distantes da actual, que na ocasião daquele cataclismo era o Largo da Patriarcal, e anteriormente se chamava Pátio do Relógio, dos paços da Ribeira.


O Pelourinho, do qual advém o nome do Largo, data do último quartel do séc. XVIII, e de acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo « O Largo do Pelourinho (Pelourinho dito «o Velho» já antes do Terramoto) era uma pequena praça que na Lisboa da intrincada Baixa dos séculos anteriores ao sismo grande assentava no chão onde se ergueu o quarteirão sul extremo da actual Rua do Comércio, entre as Ruas dos Fanqueiros e Madalena de hoje; em 1392 aparece já uma referencia documental ao Pelourinho, cujo Largo, perto do qual ficava uma Casa do Senado da Câmara, porque se ergueu outro no Terreiro do Paço, transferido também depois para a Ribeira Velha. (...)

Praça do Município [1858]
Vista do antigo Largo do Pelourinho e do Arsenal da Marinha
Amédée de Lemaire-Ternante, in CPF

«Pelourinho» era um símbolo da autonomia municipal; onde ele estava —  estava o Senado ou suas casas. Tinha uma significação de justiça aplicada nas execuções, mas só queremos vê-lo apenas na sua representação de autoridade municipalista e não na sua expressão fatídica.

Praça do Município [ant. 1900]
Vista do antigo Largo do Pelourinho e dos Paços do Concelho, a Casa da Câmara
Fotógrafo não identificado, in AML


Este Pelourinho que vês — considerado monumento nacional — não sei (e creio que ninguém sabe) quem o fêz; (...) é belo, inteiriço, com as suas três hastes de fuste torcicolado, a sua esfera armilar dourada. e a sua simplicidade natural. Os distintivos de cadafalso que teve foram-lhe retirados em tempo de D. Maria II [1819-1853]
e acertadamente.
A Porta actual do Arsenal abriu-se onde assentava a «Porta da Oura» ou «do Ouro» da muralha fernandina, porta demolida em 1753; (...) O Arsenal, cujo edifício subsiste, começou a construir-se em 1759, pelo risco de Eugénio dos Santos Carvalho, ocupando o espaço da Casa da Ópera e da Ribeira das Naus.»

Praça do Município [1968]
Vista do antigo Largo do Pelourinho
Armando Maia Serôdio, in AML

Bibliografia
(MESQUITA, Alfredo, Lisboa: Perspectivas & Realidades, p. 573, 1903)
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, pp. 12-34)

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