Tuesday, 24 January 2017

Igreja de N. S. de Fátima

Quando foi construída, a Igreja de N. S. de Fátima suscitou «bastante polémica», levando à intervenção do então cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Gonçalves Cerejeira (1888-1977), em defesa dos arquitectos, dirigidos por Porfírio Pardal Monteiro, e dos artistas, entre os quais Almada Negreiros.


A Igreja de Nossa Senhora de Fátima, do orago de Nossa Senhora do Rosário, começou a ser construída em 1934 em terrenos adquiridos a particulares, principalmente à família Canas, pela «Sociedade Progresso de Portugal» depois da transacção pela qual o Banco de Portugal adquiriu em Junho de 1933 à arquiconfraria de S. Julião o edifício desta igreja, para ampliação das suas instalações, sendo então aquela Sociedade encarregada de erigir um novo templo, que perdeu o tradicional e tão justificado orago de S. Julião.

Igreja de N. S. de Fátima [c. 1938]
Prémio Valmor de 1938
Avenida Marquês de Tomar com a Avenida de Berna
Uma alta tôrre, lateral, faz como que sentinela à fábrica religiosa, no jeito arquitectónico de certas construções alemãs (ARAÚJOO, 1939)
Fotógrafo desconhecido, in Arquivo Municipal Lisboa

Primeiro templo católico construído em Lisboa após a proclamação da República. Inaugurada em 1938, com projecto do arq. Porfírio Pardal Monteiro, foi-lhe atribuído o Prémio Valmor desse ano. Classificada como Imóvel de Interesse Público, traduz uma linguagem claramente moderna, e é composta por ampla nave central e duas colaterais, abside envolvida por vitrais, pequeno nartex de entrada, baptistério em corpo exterior junto à entrada e capela mortuária. Conta com peças de grandes artistas plásticos da época, destacando-se os vitrais e mosaicos atribuídos a Almada Negreiros, as esculturas de Francisco Franco Leopoldo de Almeida, as pinturas de Lino António, entre outras. 

Igreja de N. S. de Fátima [c. 1938]
Prémio Valmor de 1938
Avenida Marquês de Tomar e à dir. a Avenida de Berna 
No cunhal poente da fachada destaca-se, ao alto, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, 
quási em agulha, liierática, obra de estatuária mística de António Costa. (ARAÚJOO, 1939)
Garcia Nunes, in Arquivo Municipal Lisboa

O baptistério é uma pequena jóia —  relembra-nos  o olisipógrafo Norberto de Araújo:
À nossa direita, prolongando-se, no exterior, fora do alinhamento regular do edifício, está o baptistério, magnífica sala, revestida de mosaicos de tipo romano de piscina (Almada Negreiros), mas impregnados de espírito religioso; o tecto solucionou-se em rotunda, e o ambiente adoça-se com vitrais verde-violeta (Almada Negreiros). A pia baptismal, ao centro, é encimada por uma estátua de S. João Baptista (Leopoldo de Almeida). Anota essa porta, boa obra de Serralharia de arte (Júlio Ferry).

Igreja de N. S. de Fátima, [1956]
Baptistério
Estúdio Mário Novais, in Arquivo Municipal Lisboa

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, 1939
idem, Inventário de Lisboa: Monumentos históricos, 1950

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