quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Beco e Pátio das Canas

Esta Adiça vale um poema popular. Deixemos, por momentos, seguir a Adiça — que morre nas portas do Sol, ao alto — e enfiemos pela Galé. Em frente está o Pátio das Canas, no alto do bêco dêste distico. 

O Pátio das Canas é de um bairrismo puro, mais que modesto, e que bem se marca, garridamaente, quando das festas do Santo António e do S. João. Agora, ao sol e aos gatos, parece adormecido: também o pitoresco tem as suas horas de acalmia.

Beco e Pátio das Canas [c. 1900]
Perspectiva tirada da Rua da Adiça
Machado & Souza, in AML

Queres ver uma curiosidade? Nota nêste Pátio, na fachada do prédio, à esquerda, cujo ingresso é pela calçada de S. João da Praça — a Adiça, como venho dizendo — as janelas do segundo andar: são quinhentistas, ainda com seus desenhos simples, de aresta quebrada, cujo espírito transcende da materialidade inocente de lavores.
Não notes que eu chame tua atenção para elas: é que em tôda a Lisboa, de Algés ao Poço do Bispo, contam-se pelos dedos os elementos arquitectónicos dêste jeito e idade.

Beco e Pátio das Canas [c. 1900]
José Artur Bárcia, in AML

 
Bibliografia
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 51)

Sem comentários:

Enviar um comentário

Web Analytics