Thursday, 17 November 2016

Beco da Bicha

Aí tens o Beco da Bicha —  inexistente, porque os casebres por trás dos quais a viela corria, foram demolidos há pouco tempo. Mas é de admirar-se o fundo cenográfico dêste Largo, ao alto com o panorama dos quintais, e em baixo com o apontamento da casita à esquina da Bicha, n.º 11, e da Regueira, n.º 27 e 29, cousa de presépio: dois andares minúsculos com as suas reixas cruzadas de madeira e êsse pormenor de um passadiço sôbre uma reentrância inocente. A nascente, por trás dos prédios, espreita ao alto a torre de S. Estevão. E as alfurjas acomodam-se na sua miséria, contentes da graça que as envolve.

Beco da Bicha; Rua da Regueira [c. 1900]
Fotógrafo não identificado, in AML

Certos pontos de Alfama parecem executados por cartões de artistas, da raça anónima de predestinados de pupila. Está por compilar um álbum de aguarelas e águafortes dêste bairro tão sugestivo. [1]

Desconhece-se a origem do topónimo deste Beco da Bicha que liga a Rua de São Miguel e a Rua da Regueira, embora com segurança se saiba que já aparecia nos registos paroquiais anteriores ao Terramoto, como «Beco da Bixa». [2]

Beco da Bicha; Rua da Regueira [post. 1933]
Estúdio Mário Novais,in Biblioteca de Arte da F.C.G..


Bibliografia
[1] (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 61, [1939])
[2] (cm-lisboa.pt/toponimia)

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