domingo, 8 de maio de 2016

Observatório Astronómico da Escola Politécnica de Lisboa

O Observatório Astronómico da Escola Politécnica de Lisboa foi fundado em 1875 e é o único observatório oitocentista de ensino existente em Portugal.
Apesar de, no decreto fundador da Escola (1837), estar prevista a construção de um observatório astronómico, as aulas práticas de astronomia decorreram, até meados da década de 70 do século XIX, no Real Observatório da Marinha, instituição que funcionou, durante um período, no complexo dos edifícios da Escola Politécnica.

Observatório Astronómico da Escola Politécnica, Universidade de Lisboa. Jardim Botânico [190-]
Rua da Escola Politécnica

Paulo Guedes, in AML
 
Em 1887, o Observatório Astronómico começou a evidenciar claros sinais de degradação na sequência da construção do túnel do Rossio. Reconstruido em 1898 de acordo com o plano dos arquitectos Victor Gomes da Encarnação e José Cecílio da Costa, o Observatório divide-se em três espaços: o edifício central com as suas três cúpulas, a Sala do Círculo Meridiano (ou Sala da Meridiana) e a sala de aulas; um edifício de três pisos, onde se encontravam salas de aulas, gabinetes de professores e a biblioteca do Observatório; e um terceiro edifício que ficou conhecido por barraca e que era utilizado, sobretudo, para calibrar instrumentos.
O Observatório Astronómico manteve um estatuto autónomo, sendo um dos estabelecimentos da Escola Politécnica e, depois da Faculdade de Ciências, até à década de 30 do século XX, quando foi associado ao Departamento de Matemática da Universidade de Lisboa. Utilizado no ensino até cerca de 2002 (as cúpulas), o Observatório Astronómico encontra-se sob a tutela dos Museus da Universidade de Lisboa e aguarda a execução de um projecto de recuperação e restauro, que o interprete e devolva à fruição do público. (museus.ulisboa.pt)

Balão de sinais horários do Observatório Astronómico da Escola Politécnica
 
No final do século XIX, funcionou durante algum tempo no Observatório da Escola Politécnica o serviço da hora oficial, com um canhão a disparar à uma da tarde. Mas a acuidade do sistema era pouca e os lisboetas não se fiavam lá muito nele. «Os que ainda se lembram deste sinal horário, sabem que ele enchia toda a cidade e fazia estar alerta os cidadãos que se jactavam da chamada ‘pontualidade inglesa’. Servia de fulcro às mais alegres anedotas correntes de boca em boca e preenchia os serões familiares, dando os mais divertidos temas aos folhetinistas jocosos da época», refere Mário Costa nas suas «Duas Curiosidades...». O canhão e a meridiana passariam depois para o Jardim de São Pedro de Alcântara, onde ficaram ainda algum tempo, sendo depois retirados.

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