sábado, 14 de maio de 2016

Largo do Chafariz de Dentro

O olisipógrafo Norberto de Araújo refere-se a este local como «o mais pitoresco apontamento de Lisboa em dez léguas da grande póvoa. Tudo quanto é generoso de expressão popular assentou aqui arraial. Alfama tem o seu Rossio — S. Miguel; a sua Sé — Santo Estêvão; o seu Terreiro do Paço — o Largo do Chafariz de Dentro [1]

Largo do Chafariz de Dentro [Início séc. XX]
José Artur Leitão Bárcia, in AML
 
Largo do Chafariz de Dentro [Início séc. XX]
Paulo Guedes, in AML
 
O mesmo autor considera ainda este Largo de Alfamana confluência entre a Ruas do Terreiro do Trigo, do Jardim do Tabaco, dos Remédios e de São Pedro — , como «o Rossio de tôda a Alfama, e melhor diria o seu Terreiro do Paço pois muitos séculos não há que o mar aqui chegava.».

Largo do Chafariz de Dentro [1961]
Armando Serôdio, in AML

O Chafariz de Dentro, que não teve sempre esta disposição, (...) existia já no século XIV, com fartas águas que brotam do seu manancial vetusto, e foi objecto de arranjos em 1494. A sua principal reforma parece ser aquela a que se refere a inscrição em mármore rosa, colocada na frontaria e que reza na letra e ortografia da época: «Êste Chafariz mandou a Câmara desta Cidade reformar no ano de 1622, sendo presidente dela João Furtado de Mendonça do Conselho de Sua Magestada, e mais abaixo: «O qual se reformou com o dinheiro do real d'agua».»

Chafariz de Dentro [1929]
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Acrescenta Norberto Araújo que este «Chafariz chamou-se primitivamente «dos Cavalos» por motivo de as águas abundantes jorrarem da bôca de cavalos de bronze que adornavam a frontaria; êsses bronzes tê-los-iam levado os castelhanos, como recordação, quando levantaram o cêrco a Lisboa (3 de Setembro de 1384), isto na interpretação dos dizeres de Fernão Lopes, o que não se concilia com a descrição que do chafariz faz Damião de de Góis (meados do século XVI), e na qual dá os cavalos existentes ainda. Há destas freqüentes disparidades nos nossos livros velho[s].» [2]

Chafariz de Dentro [c. 1950]
Fotógrafo não identificado, in AML

É provavelmente o chafariz mais antigo de Lisboa, também designado por Chafariz n.º 19. As águas deste chafariz abasteciam o Chafariz da Praia e os seus sobejos iam para um tanque de lavadeiras no Cais da Linguêta. No século XIX, tinha quatro bicas, quatro Companhias de Aguadeiros, quatro capatazes, cento e trinta e dois aguadeiros e um ligeiro. (ANDRADE, 1851)

[1](ARAÚJO, Norberto de, «Legendas de Lisboa», p. 194)
[2](ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, pp. 66-67)

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