Tuesday, 26 April 2016

Arco de S. Bento

O Arco, de autor desconhecido (séc. XVIII/XIX), esteve neste local até ao final dos anos trinta do séc. XX (1938), altura em que, a remodelação do antigo Palácio das Cortes, actual Assembleia da República, implicou que as suas pedras fossem desmontadas e numeradas, tendo sido reconstruido na Praça de Espanha.

Arco de S. Bento, Rua de S. Bento [Início séc. XX]
Autor não identificado

De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo «Era aqui a horta dos frades de S. Bento, ainda do século passado [séc. XIX]. A designação de Largo de S. Bento datava do ano da inauguração do Mercado. E o Arco? Desapareceu integralmente há meia dúzia de dias, e levou sete longos meses a deitar abaixo, sendo numeradas tôdas as pedras para uma projectada edificação, meramente decorativa. Talvez venha o Arco a ser reerguido neste Largo, que será ajardinado - tal um arco romano no meio de uma praça moderna de cidade velha. 

Arco de S. Bento, Rua de S. Bento [1910]
Proclamação da República na varanda do palácio de São Bento
Joshua Benoliel, in AML
   
E o Arco, afinal, pouco tinha de pergaminhos. Fazia parte da grande obra das Águas Livres, e conduzia a água para o Chafariz da Esperança, não exercendo, contudo, mais do que uma função decorativa desde há alguns anos. De ordem dórica, harmonioso de linhas, coroado por um frontão - o Arco de S. Bento fazia parte das curiosidades magestosas de Lisboa. Voltaremos a vê-lo?»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 33)

Arco de S. Bento, Rua de S. Bento [1937]
Desmantelamento do Arco de São Bento, fachada sul
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século



2 comments:

  1. O sucesso turístico na Lisboa actual, e no resto Portugal, não deve rigorosamente nada aos "progressistas", os que enchiam e enchem a boca com a palavra "progresso". Felizmente o país não teve meios para lhes fazer as vontades quando não hoje Lisboa seria uma Bucareste de Ceaucescu sem interesse nenhum além do clima. Infelizmente hoje já têm os meios para fazer a Lisboa o que fizeram ao Algarve. Maldito design!

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