Saturday, 23 April 2016

A revolução de Sidónio Pais

A revolução de Sidónio Pais começa em 5 de Dezembro de 1917 quando as suas tropas acampam na Rotunda (hoje Pç. Marquês de Pombal) para derrubar o governo de Afonso Costa.
No período em que a participação de Portugal na I Guerra Mundial marcava a conjuntura política, económica e social do país, Sidónio Pais lidera a revolta militar triunfante, que se saldará na constituição de uma Junta Militar (a que preside), na dissolução do Parlamento, no derrube do governo de Afonso Costa e na destituição do Presidente da República Bernardino Machado. 
Faz a primeira proclamação ao País onde se propõe a criação de uma República Nova e suspende a Constituição de 1911, é eleito por sufrágio directo para a Presidência da República e cria um Senado profissional. O regime presidencialista de Sidónio Pais (1872—1918) não sobreviveria à sua morte.

Trincheiras na Rotunda [actual Praça Marquês de Pombal] construídas aquando da Revolução de Sidónio Pais a 5 de Dezembro de 1917
Parque Eduardo VII, antigo Vale do Pereiro, vendo-se ao fundo, a Cadeia Penitenciária de Lisboa na Rua Marquês de Fronteira
Anselmo Franco, in AML

Apesar de uma intensa actividade legislativa, a República Nova não possui um programa definido para contrapor ao regime anterior, nem quadros à altura para desempenhar a tarefa da governação. Num ano de ditadura dão-se três remodelações ministeriais, o que agrava a instabilidade governamental e introduz um princípio de caos na administração pública. A primeira, em Março de 1918, na sequência da demissão dos ministros unionistas, dá lugar ao segundo governo sidonista. A segunda, em Maio, empossa o terceiro governo de Sidónio. A terceira, em Outubro, dá posse ao quarto e último governo sidonista.

General Barnardiston, chefe da missão militar inglesa e sua esposa, percorrendo o acampamento revolucionário acompanhados por Sidónio Pais a 5 de Dezembro de 1917
Parque Eduardo VII, antigo Vale do Pereiro, vendo-se ao fundo, a Cadeia Penitenciária de Lisboa na Rua Marquês de Fronteira; Palácio Mendonça
Joshua Benoliel, in AML

Durante o ano em que permaneceu no poder Sidónio Pais altera a Lei de Separação entre as Igrejas e o Estado, numa tentativa de apaziguamento das relações com a Igreja (23 de Fevereiro de 1918), estabelece o sufrágio universal (11 de Março de 1918) e consegue reatamento das relações com a Santa Sé, através do envio do Monsenhor Aloísio Mazella que assume as funções de Encarregado de Negócios da Santa Sé em Lisboa (25 de Julho de 1918).

Durante o ano em que permaneceu no poder Sidónio Pais altera a Lei de Separação entre as Igrejas e o Estado, numa tentativa de apaziguamento das relações com a Igreja (23 de Fevereiro de 1918), estabelece o sufrágio universal (11 de Março de 1918) e consegue reatamento das relações com a Santa Sé, através do envio do Monsenhor Aloísio Mazella que assume as funções de Encarregado de Negócios da Santa Sé em Lisboa (25 de Julho de 1918)
Revolução de Sidónio Pais
«Inumeras granadas se crusaram por cima da casaria tremula da cidade, entre o acampamento revolucionarios em Campolide comandados pelo major sr. Sidonio Paes [...] caindo algumas granadas no trajeto, destruindo, matando e fazendo estremecer toda a população;[...] 
in Ilustração Portuguesa, 17 Dez. 1917
 
Anselmo Franco, in AML

No dia 5 de Dezembro de 1918, durante as comemorações do golpe perpetrado por si, em 1917, Sidónio sofre o primeiro atentado mas sai ileso.
Poucos dias depois, a 14 de Dezembro de 1918, um novo atentado seria fatal. Sidónio deslocara-se à Estação do Rossio para apanhar o comboio para o Porto. É então que José Júlio da Costa, ex-sargento do exército, dispara contra o Presidente. Acaba por falecer na Sala do Banco do Hospital de S. José, em Lisboa.
O seu funeral realiza-se no dia 21 de Dezembro de 1918, no meio de enormes manifestações de pesar. O seu corpo veio a ser posteriormente a ser trasladado para o Panteão Nacional.

Revolução de Sidónio Pais, in Ilustração Portuguesa, 17 Dez. 1917
(clicar para ampliar)

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