Um texto do crítico de cinema Eurico de Barros, citado por Margarida Acciaiuoli, descreve a vida no Monte Carlo, nascido em 1955:
«O Monte Carlo, onde agora é a Zara, no lado direito da Av. Fontes Pereira de Melo,
de quem começa a descer do Saldanha para o Marquês, era a catedral dos
cafés de Lisboa, frequentado por tudo o que era «gente»: escritores e
jornalistas, actores e cantores, gente do regime e da oposição,
excêntricos e malucos, trabalhadores e calaceiros, don juans e maricagem, solitários e tribos em peso, e os clientes anónimos, quotidianos, sem história.
![]() |
Café Monte Carlo [1977]
Avenida Fontes Pereira de Melo Vasques, in AML |
À entrada, à direita, - depois de passar pelo porteiro fardado - era a fornecidíssima tabacaria; do lado esquerdo, havia o balcão dos bolos, da pastelaria e da bica em pé, e logo a seguir o restaurante com as grades, que foi o primeiro em Lisboa a servir comida indiana. Atracção principal: o Bife à Monte Carlo, vinham pessoas de fora para o comer - prato, molho, fatia grossa de pão de forma tostada, o bife com um ovo estrelado a cavalo e uma fatia de fiambre.
Ao fundo, a grande sala do bilhar, xadrez, damas e cavalos, e o barbeiro, onde, aos domingos, se juntavam grupos para ouvir os relatos de futebol.» (Eurico de Barros, in DN)


Faz parte do meu imaginário em Lisboa na década de 60. Religiosamente, à noite, por ali estava...
ReplyDeleteE vão dois...
DeleteFrequentei o Monte Carlo
ReplyDeleteBelos tempos! Ainda lá jantei! Algumas vezes!
ReplyDelete