segunda-feira, 28 de março de 2016

Avenida 24 de Julho, trapeiros

Na viragem do séc. XX, Portugal era um país esmagadoramente rural. Lisboa era o maior centro urbano, com uma população circa das 350.000 pessoas, maioritariamente analfabeta — três homens em cada quatro e seis mulheres em cada sete não sabiam ler nem escrever — proveniente das zonas rurais, que procurava emprego na grande cidade, mas que aqui vivia em condições infra-humanas, em casas insalubres, sobrelotadas, que necessitavam de «apoio social» para nela poderem sobreviver. Assim, no universo das sobras e produtos rejeitados, era comum observar pessoas, vulgo trapeiros, a vasculhar no lixo (como se pode verificar nesta foto captada pelo repórter fotográfico Joshua Benoliel), na procura por toda a espécie de produtos: papel, trapos, metais, etc..

Avenida 24 de Julho, trapeiros [ant 1908]
Ao fundo, o jardim do Largo de Santos
Joshua Benoliel, in AML

Obs:. por incrível que pareça esta fotografia tem a legenda «Trabalhos agrícolas» no arquivo municipal de Lisboa. É confrangedor ver um acervo desta importância ser tão maltratado.

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