Thursday, 31 March 2016

Avenida da Liberdade, 165-171, Stand automóvel «R.E.O.»

«R.E.O.» são as iniciais de Ransom E. Olds — também associado à fundação da Oldsmobile — fundador da RED MOTOR CAR Co. LTD., em Agosto de 1904. Em Portugal a marca era representada pela firma «Contreras & Garrido, Lda., na Avenida da Liberdade, 165-171, alojada no piso térreo deste prédio de rendimento (163-173) de finais do século XIX, – exemplar característico do ecletismo de fim de século.

Avenida da Liberdade, 165-171 [1929]
Stand de automóveis R.E.O.; à direita, o Palácio do Barão de Samora Correia, futura localização do cinema São Jorge.

Fotógrafo não identificado, in arquivo do jornal O Século

Wednesday, 30 March 2016

Avenida António Augusto de Aguiar

«Vamos, Dilecto, dar volta pelo lado exterior nascente do Parque, subindo o primeiro lanço de Fontes Pereira de Melo, e tomando logo por António Augusto de Aguiar, Avenidas delineadas em 1899, que com lentidão se foram edificando por dez anos adeante.»
(
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 51)

Avenida António Augusto de Aguiar [c. 191]
Cruzamento junto do actual C. C. El Corte Inglés, em direcção à Av. Fontes Pereira de Melo (ao fundo) : à esquerda a Rua Augusto dos Santos que leva ao sítio de S. Sebastião da Pedreira e a Travessa de S.Sebastião da Pedreira; à direita a futura Rua Eng. Canto Resende e acesso ao Parque da Liberdade, hoje Parque Eduardo VII
Joshua Benoliel, in AML

António Augusto de Aguiar (1838-1887) professor, investigador e político português. Formado em Ciências Naturais e Química pela Escola Politécnica, em 1860, passou a leccionar, um ano depois, nessa mesma escola, a disciplina de Química Mineral. Foi reitor em 1871.
Iniciou a sua actividade política em 1875. Foi eleito deputado em 1879... e par do reino em 1884. Fez parte do ministério presidido por Fontes, onde se dedicou especialmente ao ensino industrial. Foi ainda presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa, vogal do Conselho Superior das Alfândegas e grão-mestre da Maçonaria Portuguesa. (cm-lisboa.pt)

Avenida António Augusto de Aguiar  [c. 1960]
Antiga Rua António Augusto de Aguiar, até 1902
Artur Pastor, in AML

Tuesday, 29 March 2016

Palácio dos Côrte Reais, ao Corpo Santo

   «Falemos do Corpo Santo».   
   De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo  «A origem deste nome está no culto de São Teimo, ou seja de S. Pedro Gonçalves Telmo, padroeiro dos pescadores, ao qual os devotos chamavam «Corpo Santo»; (...). O nome de Corpo Santo passou ao sítio, ao Arco, ao Largo, e ao Convento dos dominicanos. Mas chegamos ao Corpo Santo, Largo cuja situação não é precisamente, quer em área quer em orientação, a que foi antes de 1755; a Igreja era mais avançada do que hoje é, e o Convento, desaparecido, situava-se pelo lado sul, ocupando uma boa parte do largo.

A Ribeira das Naus e o antigo Paço da Ribeira (torreão de autoria de Filipe Terzi, por ordem de D. Filipe II)
Ao fundo, o Palácio dos Côrte Reais, ao Corpo Santo
A view of the palace of the King of Portugal at Lisbone, Paris chez Maillet [ca. 1750]. gravura água-forte aguarelad
   
   Aqui, na esquina da Rua do Arsenal, onde assenta ainda o casarão fabril abandonado, vasio e silencioso, depois que o Arsenal se foi para o Alfeite, existiu desde 1585, com seus quatro imponentes torreões o celebrado Palácio dos Côrte Reais, melhor diremos de Cristóvão de Moura, Marquês de Castelo Rodrigo, e que desapareceu pelo Terramoto.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, pp. 34-35)

Palácio dos Côrte Reais
«A residência do Marquês de Castel Rodrigo situada à beira-mar, é das mais magníficas, e possui quatro corpos, com belas Torres com galerias onde se pode passear & que se voltam para o Mar.»(Monconys, 1628)

Edificado em 1585 por Cristóvão Moura Corte-Real, Marquês de Castelo Rodrigo e partidário da Dinastia Filipina, situava-se na margem do rio Tejo junto ao Largo do Corpo Santo e comunicava com o Paço da Ribeira através de um passadiço. Após a Restauração da Independência em 1640, foi confiscado pela Coroa e tornou-se residência do Infante D. Pedro, futuro rei D. Pedro II, e também das rainhas consortes D. Francisca Isabel de Saboia e de D. Sofia de Neubourg.
Mais tarde, D. Pedro II passou o palácio para a Casa do Infantado, pertencente ao seu segundo filho. Um incêndio destruiu o edifício em Julho de 1751, e o pouco que dela restava terá desaparecido com o terramoto de 1755.

Fragmento da Planta de Lisboa
O traçado e dizeres a preto correspondem à actualidade
O traçado e dizeres a vermelho correspondem à Lisboa anterior ao Terramoto de 1755
O traçado e a azul corresponde ao Palácio dos Côrte Reais

Monday, 28 March 2016

Avenida 24 de Julho, trapeiros

Na viragem do séc. XX, Portugal era um país esmagadoramente rural. Lisboa era o maior centro urbano, com uma população circa das 350.000 pessoas, maioritariamente analfabeta — três homens em cada quatro e seis mulheres em cada sete não sabiam ler nem escrever — proveniente das zonas rurais, que procurava emprego na grande cidade, mas que aqui vivia em condições infra-humanas, em casas insalubres, sobrelotadas, que necessitavam de «apoio social» para nela poderem sobreviver. Assim, no universo das sobras e produtos rejeitados, era comum observar pessoas, vulgo trapeiros, a vasculhar no lixo (como se pode verificar nesta foto captada pelo repórter fotográfico Joshua Benoliel), na procura por toda a espécie de produtos: papel, trapos, metais, etc..

Avenida 24 de Julho, trapeiros [ant 1908]
Ao fundo, o jardim do Largo de Santos
Joshua Benoliel, in AML

Obs:. por incrível que pareça esta fotografia tem a legenda «Trabalhos agrícolas» no arquivo municipal de Lisboa. É confrangedor ver um acervo desta importância ser tão maltratado.

Sunday, 27 March 2016

Igreja do Santíssimo Sacramento

A Igreja do Sacramento fica próxima do centro do Chiado, na calçada com o seu nome. A paróquia do Santíssimo Sacramento foi fundada em 1584, para combater a heresia protestante que negava a real presença de Cristo na Eucaristia. A igreja inicial foi construída, entre 1671 e 1685, no terreno fronteiro ao Palácio do Conde de Valadares, que o ofereceu para esse efeito. Este Palácio ainda hoje existe em frente à igreja e abriga agora o restaurante Sacramento no Chiado. 

Igreja do Santíssimo Sacramento [ant.1930]
Calçada do Sacramento; movimento de fiéis durante a Semana Santa

Joshua Benoliel, in AML

O terramoto de 1755 derrubou as torres sineiras e o tecto desta igreja e provocou um incêndio que fez grandes estragos. A reconstrução iniciou-se em 1772, com projecto do arquitecto Remígio Francisco de Abreu. É uma igreja barroca, a única de Lisboa com fachada voltada a Oriente, com uma só nave, repleta de mármores e com oito altares laterais. (ecclesia.pt)

Igreja do Santíssimo Sacramento [1953]
Calçada do Sacramento

 Armando Serôdio, in AML

Saturday, 26 March 2016

Semana Santa, Rua Garrett

« (...) Luísa atravessou para os Mártires, erguendo um pouco o vestido por causa de uns restos de lama. Parou à porta da igreja, e sorrindo:
- Vou aqui fazer uma devoçãozinha. Não o quero fazer esperar. Adeus, Conselheiro, apareça. - fechou a sombrinha, estendeu-lhe a mão.(...)»
(Eça de Queirós, O Primo Basílio, 1878)

Rua Garrett [192-]
Antiga Rua do Chiado
Joshua Benoliel, in AML

A primitiva Ermida dos Mártires fundada, em memória dos «Mártires» que morreram na batalha pela conquista de Lisboa em 1147, no local onde mais tarde se ergueu o Convento de S. Francisco (antigo Monte Fragoso), foi objecto de sucessivas campanhas de obras até ter sido destruída pelo terramoto.
A actual igreja, construída na Rua Garrett, a partir de 1768, por Reinaldo Manuel dos Santos, é uma obra de arquitectura barroca e neoclássica, classificada como Imóvel de Interesse Público. A fachada principal apresenta um corpo central, destacado em relação aos laterais, dividido em 2 corpos separados por cornija saliente, rematados por frontão triangular com óculo iluminante, e torre sineira na parte posterior do edifício. No interior do templo destacam-se o programa ornamental de Inácio de Oliveira Bernardes e a pintura de tecto de Pedro Alexandrino de Carvalho, baseados na noção de «obra total barroca».

Largo do Chiado [c. 1920]
Joshua Benoliel, in AML

Semana Santa, a Semana Maior, Largo do Chiado

A Semana Santa é para os cristãos a Semana maior. E diz-se assim não porque seja cronologicamente maior do que as outras, como se tivesse mais dias, mas porque nela os cristãos celebram com intensidade o mistério mais profundo e mais importante a partir do qual toda a realidade adquire sentido. Mais ainda: cada dia da Semana Santa, e muito especialmente o tríduo pascal, tem uma tal densidade que concentra em si todo o sentido da história.
A tradição de visitar sete igrejas na Quinta-feira Santa é uma prática antiga originada provavelmente em Roma. Em diversos países da América Latina, a visita às sete igrejas geralmente ocorre à noite.

Largo do Chiado [1907]
Em segundo plano a Casa  Vista Alegre
Joshua Benoliel, in AML

« (...) Sem repousar, correndo pelas ruas, esbaforido, eu ia à missa das sete a Santana, e à missa das nove da Igreja de São José, e à missa do meio-dia na ermida da Oliveirinha. Descansava um instante a uma esquina, de ripanço debaixo do braço, chupando à pressa o cigarro; depois voava ao Santíssimo exposto na paroquial de Santa Engrácia, à devoção do terço no convento de Santa Joana, à bênção do Sacramento na capela de Nossa Senhora, às Picoas, à novena das Chagas de Cristo, na sua igreja, com música. Tomava então a tipóia do Pingalho, e ainda visitava, ao acaso, de fugida, os Mártires e São Domingos, a igreja do convento do Desagravo e a Igreja da Visitação das Salésias, a capela de Monserrate, às Amoreiras e a Glória ao Cardal da Graça, as Flamengas e as Albertas, a Pena, o Rato, a Sé!»
(Eça de Queirós, A Relíquia, 1887)

Largo do Chiado esquina com a Rua Nova da Trindade [1907]
Em segundo plano a Joalharia Leitão & Irmão, inaugurada em 1877
Joshua Benoliel, in AML

«O Largo das Duas Igrejas, designação municipal desaparecida em 1925, mas que o povo ainda mantém pela força do realismo – a presença dos templos –, foi o lugar da Porta (ou Portas) de Santa Catarina, construída na cerca de D. Fernando, entre 1373 e 1375, cuja demolição estava resolvida em 1702, e se realizava ainda em 1705, prolongando-se a 1707. Trezentos e trinta anos de existência justificam a teimosia do dístico que por aqui correu.»
(ARAÚJO, Norberto de. Peregrinações em Lisboa», vol. V, p. 12)

Largo do Chiado esquina com a Rua Nova da Trindade [1907]
Em segundo plano a Joalharia Leitão & Irmão, inaugurada em 1877
Joshua Benoliel, in AML
 

Friday, 25 March 2016

Semana Santa, Largo do Chiado

Noutros tempos. pela Páscoa, na altura da Semana Santa, era tradição o luto carregado, as pessoas vestiam-se de escuro e com discrição.

Largo do Chiado [1907]
Joshua Benoliel, in AML

«(...) Corrigi então a minha devoção e tornei-a perfeita. Pensando que o bacalhau das sextas-feiras não fosse uma suficiente mortificação, nesses dias, diante da Titi, bebia asceticamente um copo de água e trincava uma côdea de pão.
«(...) na rua feita de sol, pelas sedas das senhoras que subiam para a missa do Loreto, espartilhadas e graves.]
(Eça de Queirós, A Relíquia, 1887)

Largo do Chiado [1907]
Igreja da Encarnaçã
Joshua Benoliel, in AML

«O Largo das Duas Igrejas, designação municipal desaparecida em 1925, mas que o povo ainda mantém pela força do realismo — a presença dos templos — , foi o lugar da Porta (ou Portas) de Santa Catarina, construída na cerca de D. Fernando, entre 1373 e 1375, cuja demolição estava resolvida em 1702, e se realizava ainda em 1705, prolongando-se a 1707. Trezentos e trinta anos de existência justificam a teimosia do dístico que por aqui correu.»
(Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa», vol. V, p. 12)


Semana Santa, Largo do Chiado, Ilustração Portuguesa, 8 de Abril de 1907

Thursday, 24 March 2016

Rua de Santo António à Estrela

De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo a Rua de Santo António, à Estrêla é de relativa antigüidade, acrescentando que: « É anterior ao Terramoto, e deve ter o seu comêço no final do século XVII, em germe de póvoa rústica, embora só no meado do século XVIII entrasse a desenvolver-se; como iremos observando, edificações ingénuas de há quási dois séculos de seu tipo, pintalgam ainda a artéria de um certo pitoresco. Do lado sul prolonga-se até uma extensão de cento e cinqüenta metros o muro da antiga cêrca do Convento de D. Maria I (hoje pavilhão do Hospital Militar); do lado direito abrem-se a Travessa e a Rua do Jardim, cujos nomes derivam do Passeio da Estrêla. Nesta área havia muitas casas foreiras à Irmandade de Santo Onofre - não sei de que igreja - e datadas do princípio do século passado: 1802, como esta Rua do Jardim, 1804 e 1805 como algumas mais adiante.» (...) [1]

Rua de Santo António à Estrela [1939]
Antiga de Santo António da Praça do Convento do Coração de Jesus

Eduardo Portugal, in AML

Este santo popular lisboeta cuja data de nascimento constitui o feriado municipal tem em sua homenagem 18 artérias na cidade, a saber: Travessa de Santo António a Belém, Rua de Santo António a Belém, Beco de Santo António (Stª Mª dos Olivais), Rua de Santo António da Sé (Madalena...), Largo de Santo António da Sé (Sé), Travessa de Santo António da Sé (Sé), Rua de Santo António da Glória (S. José), Alameda da Quinta de Santo António (Lumiar), Calçada de Santo António (Coração de Jesus e S. José), Travessa de Santo António (Ameixoeira), Travessa de Santo António à Graça (Graça), Rua do Vale de Santo António (S.Vicente de Fora, Stª Engrácia e Graça), Rua do Milagre de Santo António (Santiago), Travessa de Santo António a Santos (Prazeres), Rua de Santo António dos Capuchos (S. José e Pena), Travessa de Santo António à Junqueira (Santa Mª de Belém), Rua de Santo António à Estrela (Lapa) e Alameda de Santo António dos Capuchos (S. José e Pena).

Rua de Santo António à Estrela com a Rua Domingos Sequeira [1939]
Antiga de Santo António da Praça do Convento do Coração de Jesus

Eduardo Portugal, in AML

[1](ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 60-61)

Wednesday, 23 March 2016

Rua dos Anjos, antiga estrada de Santa Bárbara

De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo «Todos os prédios do Largo de Santa Bárbara, do lado nascente, e cujas traseiras caem sobre o Regueirão, assim como os da Rua dos Anjos, são muito anteriores à urbanização moderna, e datam em grande parte de reedificações logo a seguir ao Terramoto. 

Rua dos Anjos [1954]
Antiga Rua Direita dos Anjos

Fernando Martinez Pozal, in AML

Alguns têm na fachada as típicas caravelas lisboetas, que falam como uma data, outros notam-se ainda sobrepostos ao nível actual da rua, mais alto cêrca de noventa centímetros do que era em 1840. Há mesmo um dêles, n.º 62 do Largo [de Santa Bárbara], datado de 1747.»
(Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 77)

Rua dos Anjos [1954]
Antiga Rua Direita dos Anjos

Fernando Martinez Pozal, in AML

O olisipógrafo Luís Pastor de Macedo, na sua obra Lisboa de Lés-a-lés, descreve do seguinte modo o remoto historial deste topónimo: 
« Nome por que actualmente é conhecida parte da antiga estrada de Santa Bárbara. Em 1712 Carvalho da Costa designa-a por rua acima da Igreja até o lugar de Arroios, incluindo também nesta designação a actual rua de Arroios. Passando depois a ser denominada rua Direita dos Anjos, fixou-se a sua extensão por edital do governador civil de 1 de Setembro de 1859, a qual ficou compreendida entre os largos do Intendente e de Santa Bárbara.  (...).»

Caravela foreira, Largo de Sta. Bárbara [c. 1949]
Eduardo Portugal, in AML

Tuesday, 22 March 2016

Panorâmica sobre o Vale de Alcântara no sítio de Campolide, vendo-se a Quinta da Mineira

Junto aos arcos do Aqueduto das Águas Livres, no Alto da Serafina, vê-se a Quinta da Mineira, cujo edifício principal e a própria quinta foram, em 1893, por disposição testamentária dos proprietários, Emília Adelaide D' Espie Miranda e João José Miranda, destinados a asilo de pessoas idosas, tendo sido inaugurado em 1900. Esta imagem é anterior à criação do Parque Florestal de Monsanto - 1938 - e à construção do Bairro Social do Alto da Serafina - 1933-38, pelo arquitecto Paulo Montez.

Panorâmica sobre o Vale de Alcântara no sítio de Campolide, vendo-se a Quinta da Mineira [c. 1930]
Paulo Guedes, in AML

Monday, 21 March 2016

Avenida da Liberdade

Em 1879 José Gregório de Rosa Araújo (1840-1893), presidente da Câmara Municipal de Lisboa, apresenta a proposta, que se irá concretizar, de uma «Grande Avenida Passeio Publico ao Rocio» com 1.276 m de comprimento, 89,5m de largura e terminando numa «... praça circular de 200 m de diâmetro d'onde irradiam quatro ruas de 30m - uma em direcção ao Rato, outra ao local do novo edifício da Penitenciária e Entre-Muros, outra para Santa Marta e finalmente outra para os sítios do Campo Grande e Benfica».

Avenida da Liberdade [c. 1900]
Lavadeira saloia; ao fundo à esq. já na Rotunda vê-se o mirante octogonal da Quinta da Torrinha; o terceiro edifício — com torre ameada — é o Palacete Conceição e Silva
Augusto Bobone, in AML

Avenida da Liberdade [c. 1900]
Lavadeira saloia; ao fundo à esq. já na Rotunda vê-se o mirante octogonal da Quinta da Torrinha; o terceiro edifício — com torre ameada — é o Palacete Conceição e Silva
Fotografia colorida anónima sobre original de Augusto Bobone

Sunday, 20 March 2016

Estação de caminhos de ferro de Algés

O caminho de ferro entre Cais do Sodré e Cascais foi inaugurado em 21 de Maio de 1892.
Algés e Cruz Quebrada tinham estações próprias, enquanto no Dafundo foi construído um apeadeiro em 1898, próximo do Aquário Vasco da Gama (que estava prestes a ser inaugurado).
A primitiva estação de Algés situava-se mesmo defronte do «Chalet Miramar» (Parque Anjos) de Polycarpo Pecquet Ferreira dos Anjos, no Largo da Estação, estando contígua à praia. A companhia concessionária deste ramal de caminho de ferro, divulgou pela primeira vez, em Agosto de 1891, no seu órgão de informação próprio (Gazeta dos Caminhos de Ferro), a venda de maços de bilhetes por zonas e com preços reduzidos, válidos para ida e volta, com a condição de serem utilizados na primeira viagem matutina a partir de cada um dos extremos da via férrea. Em 1894 a Companhia de Caminhos de Ferro deu um novo impulso à captação de passageiros com destino a Algés, com a criação de bilhetes de banhos de mar para grupos de cinco ou mais passageiros, ainda a preços mais reduzidos.

Estação de caminhos de ferro de Algés [19--]
Antes da electrificação da linha
Chaves Cruz, in AML

Avenida da República, 27-33

Após a proclamação da República (1910) a Câmara Municipal de Lisboa alterou a toponímia, substituindo os nomes das figuras públicas comprometidas com a monarquia e os topónimos de cariz religioso por outros evocativos dos ideais republicanos e esta Avenida da República é disso um exemplo claro, substituindo o topónimo do criador das Avenidas Novas em 1904 (Avenida Ressano Garcia) pela própria República.

Avenida da República, 27-33 [post. 1906]
Quarteirão entre as as avenidas Miguel Bombarda e Visconde Valmor
Paulo Guedes, in AML

Repare-se nas magnificas mísulas que suportam as varandas da moradia ao centro. Curioso o facto da existência da farmácia — à data pharmacia — cem anos decorridos, no mesmo nº 27. O edifício — de que vê parte à esquerda — no nº 25, conhecido por «República 25» datado de 1906, foi totalmente renovado em 2011, à excepção da sua fachada que se mantém a mesma. Os outros foram demolidos.

Saturday, 19 March 2016

Banhos de São Paulo

«Emergem estas preciosas águas minerais a alguns metros da margem do Tejo no recinto do Arsenal de Marinha que lhes dá o nome. A fonte é perene e abundantíssima, e as águas, captadas por uma bomba, são conduzidas ao Estabelecimento de , e ai ministradas (…)» 
(LOURENÇO, Agostinho Vicente, Algumas informações sobre as aguas sulfureas salinas do Arsenal da Marinha, Lisboa, 1889)

«Água administrada sob forma de banhos de imersão, carbogasosos, duches simples, escocês, de Vichy e subaquático; irrigações nasais, inalações e pulverizações; irrigações vaginais; massagem médica ou geral e subaquática.» (Anuário, 1963) 

Banhos de São Paulo [1951]
Travessa do Carvalho
Eduardo Portugal, in AML

Mandado construir pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a partir de 1850, sob projecto de Pézerat,o edifício dos Banhos de S. Paulo tinha por objectivo aproveitar uma nascente de águas medicinais que havia sido descoberta junto à ala Poente da Praça do Comércio. O edifício desenvolvia-se em três pisos abertos para um espaço central, iluminado por uma clarabóia. No interior dispunha de 59 tinas e possuía os equipamentos mais modernos para a época,sendo considerado um dos melhores da Europa. Este balneário serviu a população lisboeta até 1975, data em que foi encerrado ao público, em virtude dos índices de poluição da fonte abastecedora. Após várias vicissitudes, este edifício, classificado como Imóvel de Interesse Público, foi cedido, em 1990, pela Câmara Municipal de Lisboa à Ordem dos Arquitectos, que aí instalou a sua sede,após as necessárias obras de adaptação, segundo projecto dos arqs. Graça Dias e Egas Vieira.

Friday, 18 March 2016

Rua de Xabregas, Convento de S. Francisco de Xabregas

Quanto à origem deste topónimo existem duas versões: a popular e a erudita, às quais acresce uma curiosa e remota tradição popular: a procissão dos coentros. Nos inícios do século XX, Alberto Pimentel, no seu livro A Extremadura Portugueza, a respeito desta zona da cidade, escrevia:

   « Uma antiga tradição diz, quanto á etymologia de Xabregas, que em tempos muito anteriores a Affonso III havia n'este sitio um lavadouro publico, onde eram frequen-tes as rixas entre o mulherio. Á falta de policia, umas lavadeiras procuravam acommodar as outras, gritando-lhes leixa bregas (deixa brigas), d'onde viria, ou não viria talvez, o nome ao lavadouro e depois á povoação: Enxobregas ou simplesmente Xabregas.
   E já que estamos em maré de tradições remotas, contarei outra.
   Ás hortas de Xabregas vinha outr'ora uma original procissão, que no retorno a Lisboa volvia mais original ainda.
   Era a procissão dos coentros.
   Os pescadores de Alfama e todos os outros pescadores e embarcadiços da cidade costumavam, na véspera do dia de S. Pedro Gonçalves, trazer o andor d'este seu milagroso patrono até Xabregas, em cujos campos passavam o dia folgando devotamente.
   Todos os marítimos vestiam para esse effeito as suas melhores roupas e garridamente se ataviavam de louçanias.
   Mas para voltar á cidade colhiam em Xabregas quantos coentros verdes encontravam, e com elles enramavam a cabeça, a si mesmos e ao santo, e assim engrinaldados reconduziam o andor florido até repôl o no templo.
   No século XVI o arcebispo D. Fernando de Menezes prohibiu a procissão dos coentros por lhe parecer excessivamente gentílica; mas fez-se um milagre, ou o povo julgou que se fizera, e o prelado teve que levantar a prohibição. »
( PiIMENTEL, Alberto, A Extremadura Portugueza, vol. II, p. 210, 1908)

« Quanto a Xabregas, a fantasia popular inventou-lhe uma origem em leixa bregas (deixa brigas), expressão que seria frequentemente usada num lavadouro público, existente no lugar, quando entre as mulheres surgiam brigas... Também aqui, ainda a toponímia histórica não deu uma explicação segura. Nos documentos medievais, aparecem variadas formas: Exevregas, Exabregas, Eyxebregas, Enxobregas. Como Xabregas fica junto ao Tejo, há quem relacione o nome com xavega (do ár. xabaka), rede de arrasto. Mas tendo em conta os diversos vestígios romanos encontrados na zona (marco miliário, lápide, sarcófago) pode supôr-se a existência de uma povoação chamada Axabrica
(CONSIGLIERI, Carlos, RIBEIRO, Filomena, VARGAS, José Manuel, ABEL, Marília, Pelas Freguesias de Lisboa, Lisboa Oriental) 

Rua de Xabregas [1933]
Rua de Xabregas (antiga Rua Direita de Xabregas), Convento de S. Francisco de Xabregas
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

O Convento de S. Francisco de Xabregas fundado em 1456, sobre as ruínas do antigo Paço de Xabregas, sob a invocação de Sta. Maria de Jesus, o qual foi entregue aos frades franciscanos, pelo que ficou mais conhecido por Convento de S. Francisco de Xabregas. Muito danificado pelo terramoto de 1755, foi demolido e totalmente reconstruído, ainda, na 2ª metade do séc. XVIII. A actual igreja, pombalina, apresenta planta oitavada, torre sineira recuada e fachada principal integralmente revestida de cantaria, delimitada lateralmente por pilastras lisas e rematada no topo por frontão com a pedra de armas de D. José. As dependências conventuais desenvolvem-se para ambos os lados da fachada da igreja. 
Na sequência da extinção das ordens religiosas a igreja foi profanada e saqueada, assim como o resto do edifício, perdendo-se o seu valioso recheio. Desde essa data a zona conventual conheceu sucessivas ocupações, nomeadamente serviu como quartel do exército, fábrica de tecidos, armazém de tabacos, foi transformada em unidade industrial, até que acolheu o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), desde 1988, enquanto que na antiga igreja barroca se instalou o Teatro Ibérico, desde 1980.

Rua de Xabregas [1926]
Rua de Xabregas (antiga Rua Direita de Xabregas), Convento de S. Francisco de Xabregas
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Thursday, 17 March 2016

Avenida Álvares Cabral, 67-67D

Casa e Atelier da Família Cristino da Silva


Com projecto do arq-º  Cristino da Silva foi mandada construir por Maria Frimeta Cristino da Silva. Pela primeira vez, em 1944, o mesmo imóvel recebe em simultâneo os Prémios Valmor e Municipal de Arquitectura. Esta distinção teve por base um critério meramente "fachadista", que à data ainda se sobrepunha a todos os outros, tal como se pode verificar na Acta de Atribuição do Prémio Valmor de 29-12-1945:  "Feito um minucioso exame às fachadas correspondentes aos prédios (...), resolveu o Júri, por unanimidade, atribuir o Prémio Valmor à fachada do prédio situado na Av. Álvares Cabral, nº 67 a 67-D.". Esta casa e atelier da família Cristino da Silva caracteriza-se por uma volumetria densa e pesada, para além de uma simplicidade decorativa. Mantém ainda hoje a sua função original. (cm-lisboa.pt)

Avenida Álvares Cabral, 67-67D [c. 1952]
Casa e Atelier da Família Cristino da Silva, Prémio Valmor de 1944
 Gustavo de Matos Sequeira, in AML

Avenida Álvares Cabral, 67-67D [1959]
Casa e Atelier da Família Cristino da Silva, Prémio Valmor de 1944
Armando Maia Serôdio, in AML

Wednesday, 16 March 2016

O Arco do Bandeira e «a Tendinha»

   «Ora da razão do «Arco (do) Bandeira» eu te direi num passo mais adeante. Foi esta curiosa Rua, cujo nome oficial é o de Rua dos Sapateiros, destinada a instalações de lojas daquêle ofício e comércio, o que hoje apenas se marca nos lanços transversais de Santa Justa. Não foi pelos sapateiros que se celebrizou, mas pelos seus cafés, dois dos quais notáveis no século passado: o Marrare das Sete Portas e o Montanha.(...)

Arco do Bandeira e «a Tendinha» [1944]
Praça D. Pedro I; a localização de «a Tendinha» está assinalada na ombreira da porta estreita
por uma pintura da Lisboa antiga, na qual vemos o empregado a dar de beber a um cavaleiro
Armando Serôdio, in AML
  
 Este botequim — último botequim do Rossio — «a Tendinha», data de 1840. Representa nesta Praça de D. Pedro que, se moderniza nas lojas dos grandes prédios todos os meses, uma tradição da boémia antiga, do tempo das tipóias e do regresso das corridas do Campo de Sant'Ana. Foi neste botequim que Malhoa descobriu o Amâncio fadista, ladrilheiro de ofício, o modelo do seu célebre quadro «O Fado».


Arco do Bandeira [196-]
Rua dos Sapateiros (antiga do Arco do Bandeira)
Artur Pastor, in AML

Falei-te atrás, incidentalmente do Arco do Bandeira. O prédio, com seu arco e janelão, foi construído no final do século XVIII, quando a Praça pombalina ganhava tessitura de edificação urbana, por um capitalista Pires Bandeira, que julgou prudente — ou a Câmara lho mpos (não sei) regular a fachada central do seu prédio pela da Inquisição.» [ou Palácio dos Estaus, local onde hoje se ergue o Teatro D. Maria] [1]

Arco do Bandeira [194-]
Rua dos Sapateiros (antiga do Arco do Bandeira)
Eduardo Portugal, in AML

[1](ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, pp. 54-75)

Tuesday, 15 March 2016

Miradouro da Senhora do Monte

O olisipógrafo Norberto Araújo caracteriza da seguinte forma este belo e contemplativo miradouro da cidade de Lisboa situado no alto do Monte de S. Gens:
«Ora aqui temos, Dilecto, outro miradouro da Cidade. Goza êste panorama surpreendente que abrange a parte baixa da Cidade, os seus píncaros, com o Castelo à nossa ilharga, tão perto que apetece estender-lhe a mão, e que se alarga a norte e a nascente para os bairros novos até ao sopé da Penha, à Estefânia, à Rotunda. 

Miradouro da Senhora do Monte, as suas árvores seculares e um invulgar candeeiro [1946] 
Rua da Senhora do Monte
Fotógrafo não identificado, in AML

Deves ter notado que cada miradouro de Lisboa tem a sua perspectiva especial, o seu anfiteatro diferenciado ao sopé rumoroso e confuso. Êste do Monte, com a Ermida ao lado, é dos mais deleitosos de Lisboa.»
(ARAÚJO, Norberto de Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 37)

Miradouro da Senhora do Monte, as suas árvores seculares [19--] 
Rua da Senhora do Monte
José Artur Bárcia, in AML

Este balcão privilegiado sobre a cidade, oferece uma ampla e rica panorâmica de Lisboa: o Castelo de São Jorge, o Rio Tejo, a Baixa, a Colina de São Roque com as ruínas do Convento Carmo, as zonas antigas e intimistas da Colina do Castelo e da Mouraria, a Lisboa das avenidas largas e dos edifícios de construção mais recente para Norte, os principais jardins, entre outras vistas. O espaço do miradouro é pontuado por exemplares como o cipreste, a oliveira e o pinheiro-manso, que proporcionam belas sombras.

 Panorâmica tirada do miradouro da Senhora do Monte para a Costa do Castelo  [194-]
Rua da Senhora do Monte
Ao centro, as traseiras do Teatro Taborda e a antiga Cerca do Coleginho; Igreja de Santa Cruz do Castelo
 Kurt Pinto , in AML

Monday, 14 March 2016

Café Monte Carlo

Um texto do crítico de cinema Eurico de Barros, citado por Margarida Acciaiuoli, descreve a vida no Monte Carlo, nascido em 1955
«O Monte Carlo, onde agora é a Zara, no lado direito da Av. Fontes Pereira de Melo, de quem começa a descer do Saldanha para o Marquês, era a catedral dos cafés de Lisboa, frequentado por tudo o que era «gente»: escritores e jornalistas, actores e cantores, gente do regime e da oposição, excêntricos e malucos, trabalhadores e calaceiros, don juans e maricagem, solitários e tribos em peso, e os clientes anónimos, quotidianos, sem história.

Café Monte Carlo [1977] 
Avenida Fontes Pereira de Melo
Vasques, in AML

À entrada, à direita, - depois de passar pelo porteiro fardado - era a fornecidíssima tabacaria; do lado esquerdo, havia o balcão dos bolos, da pastelaria e da bica em pé, e logo a seguir o restaurante com as grades, que foi o primeiro em Lisboa a servir comida indiana. Atracção principal: o Bife à Monte Carlo, vinham pessoas de fora para o comer - prato, molho, fatia grossa de pão de forma tostada, o bife com um ovo estrelado a cavalo e uma fatia de fiambre.
Ao fundo, a grande sala do bilhar, xadrez, damas e cavalos, e o barbeiro, onde, aos domingos, se juntavam grupos para ouvir os relatos de futebol.» (Eurico de Barros, in DN)

Sunday, 13 March 2016

Igreja de Nossa Senhora da Encarnação

Igreja paroquial inaugurada em 1708, foi totalmente destruída pelo Terramoto de 1755. Reedificada pelo arq.º Manuel Caetano de Sousa ainda no século XVIII, as obras prolongaram-se até 1873. Na fachada tardo-barroca, seis pilastras coríntias acentuam a verticalidade do imóvel, compartimentando o corpo central. O portal, com colunas coríntias, engloba um baixo-relevo que terá pertencido à igreja primitiva. Sobre as portas laterais, dois nichos abrigam pequenas estátuas seiscentistas.

Igreja de Nossa Senhora da Encarnação [1930]
Largo do Chiado; Rua do Alecrim

Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

 O conjunto é coroado por um frontão triangular, já de meados do século XIX. Interiormente apresenta nave única, sem transepto, com capela-mor profunda e abóbadas de canhão. Quatro capelas pouco profundas ladeiam a nave. Este imóvel integra a «Lisboa Pombalina», classificada como Conjunto de Interesse Público.

A Igreja da Encarnação situada no Largo do Chiado no séc. XIX
Desenho da autoria de João Ribeiro Cristino da Silva, 1858-1948, gravador Oliveira

Saturday, 12 March 2016

Rua Áurea, 277 a 281

Lojas de Antanho


O topónimo Rua Áurea foi atribuído através do Decreto de 05-11-1760. Sobre esta rua ficou decidido: «Nela se acomodarão os Ourives do Ouro, alojando-se nas acomodações que dele sobejaram os Relojeiros e Volanteiros». E é assim que a rua passa a ser identificada pelo vulgo como Rua do Ouro.
De salientar a existência anterior de uma Rua Nova dos Ourives, ou Rua dos Ourives do Ouro, ou ainda Rua da Ourivesaria do Ouro, topónimo da 2ª metade do séc. XVI, de traçado algo diferente, provavelmente situada na área hoje localizada entre as Ruas de São Nicolau e de São Julião.

Rua Áurea, 277 a 281 [190-] 
Camisaria e Gravataria Paris-Londres, de Gonçalves Pereira. Casa Iniguez (Chocolataria), Perfumaria Rosa D'Ouro
Fotógrafo não identificado, in AML

Instituto Agrícola e Chafariz da Cruz do Taboado

No antigo Largo da Cruz do Tabuado, hoje Praça José Fontana, confluem a Rua Gomes Freire (antiga Estrada da Cruz do Taboado/Carreira dos Cavallos), a Rua Engenheiro Vieira da Silva (antiga Estrada das Picoas), a Rua da Escola de Medicina Veterinária (antiga Tv. do Abarracamento da Cruz do Taboado), a Rua Tomás Ribeiro (antiga Tv. do Sacramento), e a Avenida Duque de Loulé (antiga Rua do Chafariz do Andaluz). Por ali existia também o já desaparecido «Chafariz da Cruz do Taboado» encostado ao troço da Galeria de Santana do Aqueduto das Aguas Livres. [v. Carta topográfica nº 12]

Instituto Agrícola, depois Escola de Medicina Veterinária [c. 1900]
Fotógrafo não identificado, in AML

Foi pois, aqui, neste lugar da Cruz do Taboado - chãos da Real Quinta da Bemposta - no palácio fundado pela rainha D. Catarina, viúva de Carlos II de Inglaterra e filha de el-rei D. João IV. que o Instituto Agrícola e Escola Regional de Lisboa foi inaugurado em 1852, no reinado de D. Maria II, durante a Regeneração, dirigido por Fontes Pereira de Melo. No ano de 1864 verificou-se a junção do Instituto Agrícola de Lisboa com a Escola de Veterinária Militar (ao Salitre), que fora fundada pelo Governo do Rei D. Miguel em 1830, criando-se, deste modo, o Instituto Geral de Agricultura e Veterinária. Em Dezembro de 1910 o Instituto foi extinto, criando-se a Escola de Medicina Veterinária, que, em 1919, passou a designar-se Escola Superior de Medicina Veterinária. [1]
Em 2011 iniciou-se a demolição do edifício, dando lugar à nova sede da Polícia Judiciária.

Instituto Agrícola e o Chafariz da Cruz do Taboado [séc. XIX]
Colecção do Conde de Arnoso (recorte de fotografia estereoscópica), in AML

Em baixo, Carta topográfica nº 12 referente à travessa do Abarracamento da Cruz do Taboado, aqueduto das Águas Livres, casa da Guarda, chafariz, largo do Chafariz do Andaluz, largo da Cruz do Tabuado, Chafariz da Cruz do Taboado, rua da Cruz do Taboado, Instituto Agrícola, estrada das Picoas, quartel da Guarda Municipal, travessa do Sacramento, rua de São Sebastião da Pedreira e tanque.

Instituto Agrícola e Chafariz da Cruz do Taboado
 Levantamento topográfico de Lisboa sob a orientação de Filipe Folque, 1857
in AML

[1] Arquivo Pitoresco, vol V, p.49

Friday, 11 March 2016

Rua do Arco da Graça, Hospital de São José

«Frei Agostinho de Santa Maria informa-nos: «No mesmo bayrro da Mouraria, mas para a parte do Occidente, em hua porta que fica mais assima do Jogo da Péla, caminho pelo Rocio de Sam Domingos para o Collegio da Companhia de Jesus, se vê collocada hua Imagem de nossa Senhora com o título da Graça, a qual se colocou sobre a mesma porta em dez de Janeiro do anno de 1657». (...)
(MACEDO, Luís Pastor de, Lisboa de Lés-a-Lés, Vol. I)

Rua do Arco da Graça,  pórtico sul [c. 1900]
Fotógrafo não identificado, in AML

Hospital Geral. Antigo Convento e Colégio jesuíta de Sto. Antão-o-Novo, classificado como Imóvel de Interesse Público, construído a partir de 1579 sob o risco de Baltazar Álvares. A Igreja foi edificada entre 1613-1653, segundo projecto de um discípulo de Terzi, à qual foi acrescentada, em 1696, a sacristia barroca, projectada por João Antunes. 

Rua do Arco da Graça,  pórtico sul [1966] 
Ao fundo, o portal da entrada do Hospital de São José
Armando Serôdio, in AML

A partir de 1770 instalou-se, no extinto convento/colégio, o Hospital de S. José, em substituição do Hospital Real de Todos-os-Santos, arruinado pelo terramoto. Sobreviveu a primitiva sacristia, hoje capela do hospital e classificada como Monumento Nacional, sendo de destacar o pórtico sul, encimado pelo brazão de D. José, que dá acesso a um pátio com estátuas dos Apóstolos pertencentes à igreja do extinto convento e os azulejos da escadaria do hospital.

Rua do Arco da Graça,  pórtico sul [1953] 
Fernando Martinez Pozal, in AML

Thursday, 10 March 2016

Rua do Chão da Feira e Porta de São Jorge

A Rua do Chão da Feira, que se situa em frente à porta principal do Castelo de São Jorge[1], foi anteriormente designada apenas como Chão da Feira. Cristóvão Rodrigues de Oliveira regista-a no seu Sumário de Lisboa em 1551, incluindo-a na antiga freguesia de São Bartolomeu.

Rua do Chão da Feira [c. 1900]
Muralha do Castelo antes das obras de restauro (1938-40)
Ao fundo, a Porta de São Jorge, entrada para o Castelo de São Jorge

Fotógrafo não identificado, in AML

O ilustre olisipógrafo Norberto de Araújo refere que «Chão da Feira ainda se chama ao local pela fôrça de realismo toponímico: no tempo de D. Afonso II, entre 1212 e 1223, aqui se realizava uma feira semanal, avó da «Feira da Ladra», que do Rocio, da Alegria, de Campo de Santana, foi parar ao Campo de Santa Clara, onde perdura às terças-feiras e sábados. O dia tradicional desta Feira da Ladra era, porém, a terça-feira.

Rua do Chão da Feira [c. 1900]
Muralha do Castelo antes das obras de restauro (1938-40)
Ao fundo a entrada para o Pátio de D. Fradique

Fotógrafo não identificado, in AML

Aí temos a porta do Castelo que, sendo chamada «da Alcáçova» até o tempo de Mestre de Aviz, 1385, recebeu depois, também, o nome de S. Jorge. Esta actual, escancarada, esburacada, já quási uma «ruína nova», é de 1846, tempo de D. Maria II, como podes ler na inscrição sôbre a fachada exterior. Antes dêsse ano, o vão de ingresso teve portões com seus postigos.» 
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, p. 17-20)

Rua do Chão da Feira [c. 1900]
 Porta de São Jorge, entrada para o Castelo de São Jorge
José Artur Bárcia, in AML

O arco da Porta de São Jorge, é semelhante a um arco de triunfo, com arco pleno em fiadas adornada com mármore, sobre o fecho do qual se pode ler «4-4º-1846 — D. Maria II», sendo rematada com pedra de armas reais. Lateralmente, em letras de bronze, uma dedicatória ao Duque da Terceira, Ministro da Guerra. Esta porta dá acesso à Esplanada.

[1] Fotos posteriores às obras de restauro do Castelo de S. Jorge (1938-40) podem ser vistas aqui)
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