quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Rua Morais Soares

No início do século XX, quase toda esta zona no termo da cidade era, ainda, maioritariamente composta por quintas: Quinta do Papagaio, do Fole, da Ladeira, do Alperce,  dos Pacatos, do Bacalhau, da Perna de Pau, do Areeiro. da Curraleira, e as quintas da Horta da Cera  e da Brasileira, estas duas contíguas à Rua Morais Soares e que se vêem na imagem. Do lado esquerdo vê-se parte do Hospital de Arroios na antiga Estrada de Sacavém que, juntamente com a Azinhaga do Areeiro dir.), seguiam para N., na direcção do Areeiro. O local onde se vê o carro funerário está assinalado na carta topográfica com um círculo vermelho (fig. 2 ). 

Panorâmica tirada da zona da Penha de França [c. 1900]
Cortejo fúnebre na Rua Morais Soares a caminho do cemitério do Alto de São João.
José Artur Leitão Bárcia, in AML

Rodrigo de Morais Soares (1811-1881) foi bacharel em Medicina pela Universidade de Coimbra. Depois da organização do ensino é feita pelo governo liberal, foi nomeado professor e comissário de estudos em Vila Real. Em 1848 foi eleito deputado pela primeira vez, voltando às câmaras em várias legislaturas. Quando em 1852 se criou a Secretaria das Obras Públicas foi nomeado chefe da Repartição de Agricultura, e mais tarde director geral. Nestes lugares prestou relevantes serviços, principalmente com a fundação da Quinta Regional de Sintra, a que deixou a sua biblioteca, a criação do Instituto Agrícola e dos postos hípicos. Em 1858 fundou o Arquivo Rural, importantíssimo jornal de agricultura e artes e ciências correlativas. Colaborou também no Recenseamento Geral dos Gados. Escreveu muitos opúsculos notáveis sobre assuntos agrícolas, financeiros, etc. Teve o seu nome a Escola de Regentes Agrícolas de Santarém, que foi depois transformada em Escola Prática de Agricultura em 1910. Tem em Lisboa uma rua com o seu nome.
(Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses» vol. I, coordenado por Barroso da Fonte)

Fig. 2 - Fragmentos das Plantas Topográficas de Lisboa 11 K e 12 K, Levantamento da Planta de Lisboa: 1911
por Júlio António Vieira da Silva Pinto

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