Sunday, 21 February 2016

Rua do Salvador

Esta rua, muito concorrida e de grande importância há quatro séculos, ligava as portas do Castelo de São Jorge à «Baixa». A circulação de bens e pessoas na cidade foram-se agravando com o tempo, originando acidentes diversos (sendo os atropelamentos os mais graves) e motivando frequentes discussões entre os condutores de coches e liteiras, sobretudo nas artérias mais concorridas e (ou) mais difíceis.

Rua do Salvador [Início séc. XX]
José Artur Leitão Bárcia, in AML

Com o intuito de resolver ou, no mínimo, minorar alguns desses problemas, a Coroa e o Senado criaram regras de trânsito e afixaram sinais ou placas de sinalização nas ruas mais problemáticas da época, subsistindo uma dessas placas num edifício da Rua do Salvador (Alfama). Datada de 1686, regulava a prioridade de passagem dos veículos, estipulando o seguinte: «Sua Magestade ordena que os coches, seges e liteiras que vierem da portaria do Salvador recuem para a mesma parte». Ou seja, quem viesse de cima perdia a prioridade em relação a quem subisse.


A meio da pequena subida há um edifício fora do alinhamento dos restantes que causa um estrangulamento da via. No tempo de D. Pedro II este estreitamento era causa de muitas discórdias entre quem subia ou descia a rua. Se dois se encontrassem a meio, nenhum queria ceder a passagem, uma vez que era tarefa difícil fazer recuar os animais. Consta que chegou mesmo a haver lutas e duelos, com feridos e mortos.


Rua do Salvador [c. 1900]
A primeira regra e sinalização de trânsito de Lisboa, na Rua do Salvador, 26

(o sinal é perceptível entre as duas portas à direita)
Fotógrafo não identificado, in AML

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