quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Poço do Borratém

O Poço do Borratém, que deu o nome ao largo onde está situado, era conhecido no tempo antigo, e teve até grande nomeada, confirmada por Curvo de Semedo na sua obra Polyanthea Medicinal.
Diz este autorizado autor das excelências comprovadas desta água em curar «achaques do fígado, impigens, bostelas e outros males cutâneos». Segundo as suas declarações, «Pedro Castilho, juiz do Terreiro,  Álvares Rocha, inquisidor, e a rainha D. Luísa de Gusmão, esposa de D. João IV, dela fizeram uso com satisfatório êxito em quenturas do fígado, costras e outras misérias ».

Poço do Borratém [194-]
António Castelo Branco, in AML

«Em Lisboa Ocidental, chegado às Casas do couto dos Marquezes de Cascaes, está o grande poço do Borratem, muy abundante de agoa, de que bebe a mayor parte da sua vizinhança; a qual he comuummente reputada por boa para os que padecem achaques de calor, assim bebendoa, como tomando banhos nela, do que fez algumas observações o doutor João Curvo Semedo.»
(in Aquilegio medicinal, p. 2651726)


Poço do Borratém, transformado em chafariz [ant. 1927]
Chafariz do Poço antes da última remodelação. Vê-se a bomba manual, entretanto desaparecida

José Artur Leitão Bárcia, in AML

Por volta de 1927, novas obras transformam o poço num chafariz - depósito  com três torneiras, enchido pela pressão da água, correndo o excesso a nível do chão para três bacias (estrutura que se conserva).
                                        «Muita água há no Borratém
                                         E no poço do tinhoso
»
                                       (Gil Vicente, «Pranto de Maria Parda»)
Poço do Borratém [1927] 
O chafariz do Poço do Borratém ao ser reaberto ao público, depois das importantes modificações que sofreu
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal 'O Século'

 
Em 1986 inicia-se a recuperação do espaço sobre orientação da arqueóloga Ana Rolo. Em 1996 o edifício é transformado no Hotel Lisboa–Tejo, que conserva anexo à recepção, o velho Poço do Borratém.

Poço do Borratém [1951]
Eduardo Portugal, in AML

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