terça-feira, 24 de novembro de 2015

Monumento a Eça de Queiroz

A obra escultórica em lioz (original), foi executada por Teixeira Lopes e inaugurada em 1903, no Largo Barão de Quintela. O original, alvo de constantes actos de vandalismo - os dedos da mulher eram repetidamente mutilados -, encontra-se desde 2001 no Museu da Cidade, ao Campo Grande, data em que, por iniciativa camarária, foi inaugurada a réplica no referido Largo. Escondida entre a Rua do Alecrim e a Rua das Flores, resguarda-se, no jardim, da tragédia que um dia o escritor contou, num convite à pausa a quem por ali passa.

Monumento a Eça de Queiroz, Largo do Barão de Quintela [c. 1903]
Chaves Cruz, in AML

Este monumento, evocativo da figura de Eça de Queirós (1845-1900), um dos maiores expoentes literários do séc. XIX, representa o escritor levemente curvado sobre a figura admirável da Verdade. No tosco sopé da estátua encontra-se inscrita a famosa frase de «A Relíquia» [1887]: «Sobre a nudez forte da Verdade o manto diáphano da phantasia».
A figura alegórica da «Verdade», repleta de «simplicidade e simbolismo», é aqui representada pela «figura peregrina de braços abertos, tronco nu, cabeça patrícia - o corpo rijo e branco de uma mulher do povo que serviu de modêlo - transpira uma humanidade voluptuosa, tal a da «Verdade», quando se entrega.» (ARAÚJO, 1939)

Monumento a Eça de Queiroz, Largo do Barão de Quintela [1931]
Observem-se a figura da mulher com os dedos mutilados 
e a ausência da inscrição na base.da estátua.
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do jornal O Seculo

É, também, em diálogo que estas figuras se relacionam escultoricamente, ambas sedutoras e seduzidas. Nelas, observa-se o seu total abandono, da Verdade ao seu Autor e este, claramente a ela subjugado, naquilo que foi todo um exercício de escrita. Sobre o manto da fantasia descaem todos os olhos, incluindo os dele que sobre ela, «Verdade», se detêm até aos dias de hoje.

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