Wednesday, 30 September 2015

Convento das Inglesinhas

«Aquele Pinto Machado, que tinha o seu palácio na Rua do Machadinho — diminutivo que nasceu do apelido do fidalgo — , foi quem fez rasgar, depois de 1758, uma serventia já desenhada desde 1680 — Caminho Novo — na quinta de D. Francisco Xavier Pedro de Sousa, por alcunha o Quelhas, quinta na qual o fidalgo tinha sua casa, que bem pode ter sido aquela onde assentou o palácio dos Pinto Machados. [...] Depois do terramoto é que começou a chamar-se-lhe Rua do Quelhas, o tal D. Francisco de Sousa que por aqui fôra grande senhor. Por essa época começou o verdadeiro povoamento lento e seguro deste sítio, a justificar a urbanização do começo do século passado.»  
(in Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, Vol. VII)

Rua do Quelhas [c. 1909]
Paulo Guedes, in AML

O edifício do Colégio do Quelhas, 6A, era vulgarmente chamado Convento das Inglesinhas, por ter sido convento das Agostinhas de Santa Brígida (Irlandesas). Ficara desabitado desde 1834, ano em que as monjas o abandonaram, já que, embora súbditas de Inglaterra, temiam qualquer violência, em virtude do Decreto que extinguia em Portugal as Ordens Religiosas. [...] Em 1864 o Convento é adquirido pelos Jesuítas que aí mantém o Colégio de Jesus até à instauração da República e fizeram várias ampliações, nomeadamente o acréscimo de um piso em toda a ala Nordeste, o alargamento da capela com uma ala exterior a Noroeste, sobre o actual jardim, e o acrescento no mesmo sentido do corpo destacado do refeitório.

Rua do Quelhas [c. 1900]
Fotógrafo não identificado in AML

Com a chegada da República, o convento serviu para instalar o Museu da Revolução Republicana e posteriormente o Instituto Superior de Comércio, e depois o ISCEF, actualmente Instituto Superior de Economia e Gestão. As obras de restauro foram financiadas através do Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) e de receitas próprias, custando no total cerca de oito milhões de euros.
O convento é hoje propriedade do ISEG, sendo o edifício mais antigo do complexo arquitectónico do instituto, com direito a referência em várias publicações nacionais e internacionais.

Rua do Quelhas [1910]
Instauração da República
António Novais, in AML

Tuesday, 29 September 2015

Largo do Conde Barão

«Eis-nos no Largo do Conde Barão. Êste dístico provém do Conde-Barão de Alvito cujo Palácio aqui existiu — e existe ainda, transformado —, no prédio, esquina da Rua dos Mastros, e que se prolonga para o nascente [...]»
(in Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, p. 80)

Na primeira imagem, os famosos carros «Americanos» imortalizados por Eça de Queiroz em «Os Maias». Percorrendo a cidade, do Intendente ao Conde-Barão, de lotação limitada e puxados a dois ou quatro muares, ofereciam já o conforto dos rails, ou calhas, a mesma via transmitida, por herança, aos actuais «eléctricos».
À esquerda, o palácio que foi dos Almada-Carvalhais — Provedores da Casa da Índia — mandado construir no século XVI (cerca de 1545), por Rui Fernandes de Almada, banqueiro e feitor da Flandres. À data desta imagem, o solar já era propriedade da Companhia Nacional Editora, Limitada, «honra da indústria gráfica portuguesa», datada do ano de 1884.

Largo do Conde Barão [séc. XIX]
Lá bem no alto, o miradouro de Sta. Catarina
Fotógrafo não identificado, in AML

O Palácio (do Conde-Barão de) Alvito [vd. 2ª foto] é um edifício palaciano, de arquitectura chã, construído em finais do século XVI e transformado em 1606, sofrendo alguns restauros nos séculos XVIII, XIX e 1ª metade do século XX. Foi residência dos Barões de Alvito (mais tarde Condes-Barões), que o abandonaram logo a seguir ao terramoto de 1755, passando o edifício por diversas mãos. Contudo, a memória da família ali se perpetuou, dando o nome ao largo que posteriormente se formou frente ao palácio. [...]

Largo do Conde Barão [1909]
Palácio (do Conde-Barão de) Alvito; carro da empresa Salazar
Joshua Benoliel, in AML

Monday, 28 September 2015

Colégio Académico e «Patisserie Versailles»

Edifício projectado pelo arq.º Álvaro Machado, em 1904. Em 1905 era propriedade de Madame Anne Roussel que aqui fundou um colégio  —  Colégio Anne Roussel —  «destinado a ser um estabelecimento de educação de crianças do sexo feminino».  Entre 1920 e 1932, funcionaram no edifício o Colégio Inglês e a Escola Minerva [vd. 1ª foto]. Desde 1932 está aqui instalado o Colégio Académico.

Avenida da República, 13
Escola Minerva
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Numa linguagem neo-românica um pouco tosca, caracteriza-se, também, por um certo ecletismo. Edifício de gaveto de planta irregular, desenvolvendo-se em 3 pisos, cujo corpo que torneja, apresenta planta de quarto de círculo, 2 pisos e cércea inferior relativamente aos corpos adjacentes, onde se encontra incrustado. A sua fachada caracteriza-se por uma dinâmica de janelas, com predomínio do arco pleno e da verga curva, do recurso repetido a janelas polilobadas com bandas lombardas e a janelas de frestas. Destaca-se, ainda, o desenho  das  fachadas, eficazmente realçado através de faixas em azulejo, autoria do pintor José António Jorge  Pinto, cuja  sofisticação,  simbologia  e  complexidade  de  padrões  são  deveras notáveis.

Avenida da República, 13 e 15-A [1968]
Armando Serôdio, in AML

A «Patisserie Versailles» ocupou a loja do edifício projectado em 1919 pelo arqº Manuel Norte Júnior. Fundada em 1922 por Salvador Antunes, um português com formação em pastelaria francesa e apaixonado pela art nouveau, tem o nome do famoso palácio francês e o seu interior parece mesmo uma sala saída deste.
Enormes espelhos nas paredes e tectos trabalhados nos quais pendem lustres, detalhes art nouveau fazem parte da decoração que criam um ambiente de um verdadeiro clássico café europeu, onde servem a pastelaria mais variada de Lisboa. O nome de «Patisserie Versailles» manteve-se até 1926, ano em que foram proibidas designações comerciais em línguas estrangeiras.

Avenida da República, 13 e 15-A [1968]
Armando Serôdio, in AML

Chafariz da Boa Hora

Os frades agostinhos do Convento da Boa Hora recebiam por ordem régia duas penas de água das minas da Sacota e da Torre do Relógio em terrenos das Quintas Reais. Em 28 de Maio de 1834 foram extintas as ordens religiosas masculinas e a Junta da Paróquia da Ajuda tentou aproveitar essa água para a construção de uma fonte pública, solicitando em petição tal benesse à rainha D. Maria II.

Rua Nova do Calhariz (Ajuda)  [séc. XIX/XX]
Fotógrafo não identificado, in AML

Obteve autorização régia, mas enfrentou-se o problema de o convento ter sido repartido entre o regimento de Infantaria n.º 17 e o arrendatário António Mota, que tinha em sua posse parte da antiga cerca, tendo por contrato cedido as águas às lavadeiras. O chafariz acabou por ser construído, sendo inaugurado no dia de aniversário da rainha, em 4 de Abril de 1838. Contudo, o regimento de Infantaria abusava no consumo na altura das secas, ficando o chafariz sem água. Para obviar esta situação o arquitecto régio Possidónio da Silva propôs em 1850, que o dito regimento nas épocas de seca, permitisse ao público usar a antiga bica conventual.

Rua Nova do Calhariz (Ajuda)  [1966]
Augusto de Jesus Fernandes, in AML

Sunday, 27 September 2015

O Último chalet da Avenida Fontes Pereira de Melo

O Caso do Chalet Misterioso


Esta fotografia atribuída ao fotógrafo Paulo Guedes (1886-1947), está titulada pelo AML como «Moradia», não referindo o local e, estabelecendo como data, uma qualquer década de «19--». O processo que levou à identificação do local deste estranho e misterioso chalet, tem algo de novela policial. Tudo por causa daquele prédio que ali se vê atrás. Havia qualquer coisa de familiar na traça daquele antigo edifício. Uns meses depois, procurando imagens para publicar aqui no tasco, eis senão quando, ao rever umas fotos da Praça do Saldanha, deparo nada mais nada menos que com o «prédio do anjo»: Eureka! Fez-se luz!
Aquela sensação "familiar" tinha a ver com o "anjo". Depois desta epifania o resto foi fácil. Bastou pesquisar no arquivo pela planta topográfica da zona do Saldanha, et voilá!. Ali se vê o contorno inconfundível do «Chalet Misterioso» e, logo ao lado, o "prédio do anjo", na esquina da Av. Fontes com a antiga estrada das Picoas (hoje Rua Engº Vieira da Silva). Já quanto à data da foto, a coisa já fia mais fino; a única pista que temos é-nos dada pelo sinal de "Paragem", plantado no candeeiro da esquina. O eléctrico já por ali passava desde 1902, era a carreira 2 (que na altura não tinha número), entre os Restauradores e o Lumiar (Estrada da Torre). Assim sendo, já é possível atribuir a localização exacta e, uma data aproximada, à fotografia d'«O Caso do Chalet Misterioso».

Avenida Fontes Pereira de Melo esquina com a Rua Engº Vieira da Silva [c. 1909]
 Casa Manuel José Ferreira Alegria,  projecto do construtor civil Hermenegildo Augusto de Faria Blanc
Paulo Guedes, in AML

Capela de N. Senhora do Monte Carmo no Palácio Faial

O muro, que ampara jardins, e o Palácio Faial que a êle se segue, são da Casa Palmela, cuja Duquesa é também Marquesa do Faial.
Estes terrenos todos para a nossa direita (nascente) até à Rua das Amoreiras pertenciam no século XVII à Quinta do Pé de Mu, confrontando com a cêrca das freiras do Rato, quinta depois chamada do Fetal ou Feital. (...) Em 23 de Junho de 1890 adquiriu-os o Duque de Palmela, e datam dessa época, tal qual os vemos agora, o Palácio Faial e anexos.

Capela de N. Senhora do Monte Carmo no Palácio Faial [1958]
Rua do Sol ao Rato
Armando Serôdio, in AML

A Capela de N. Senhora do Monte Carmo, que aí vemos, foi edificada pela Duquesa de Palmela, D. Maria Luíza, em 1905, aproveitando algumas imagens e materiais sacros da capela do mesmo orago do palacete da Rua Formosa (desde 1892 propriedade de «O Século»), do Visconde da Lançada (Pina e Brederode, Duque de Palmela por seu casamento). Esta Ermida ostenta belos azulejos, que toda a resvestem em altos silhares de três metros de altura, dando quadros bíblicos de bom desenho cerâmico do final de setecentos. No altar-mór está a Imagem de N. Senhora do Carmo; (...) É êste um pequeno templo, bem diferenciado, no semblante, das velhas ermidinhas pobres ou palacianas de Lisboa.

Capela de N. Senhora do Monte Carmo no Palácio Faial [1958]
Rua do Sol ao Rato
Armando Serôdio, in AML

No prédio que se segue à Capela, e também da mesma propriedade, habitou, e morreu a 18 de Junho de 1875, o Poeta António Feliciano de Castilho, 1.º Visconde de Castilho, pai do insigne escritor e investigador da «Lisboa Antiga». Aí tens uma lápide que atesta o facto. Falta dizer-te, Dilecto, que em Março deste ano de 1939 a Câmara Municipal adquiriu por 1.450 contos grande parte dos terrenos rústicos e urbanos desta Casa, a norte e por trás do Palácio (33.600 metros quadrados).»
(Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 68)

Capela de N. Senhora do Monte Carmo no Palácio Faial [1916]
Rua do Sol ao Rato
 Holstein Beck, in AML

Saturday, 26 September 2015

Largo Júlio de Castilho

O topónimo Largo Júlio de Castilho foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa através de Edital de 02/03/1925 e após Deliberação Camarária de 20/02/1925 ao Largo da Duquesa.

Júlio de Castilho, 2.º visconde de Castilho, erudito escritor e historiador, percursor dos estudos olisiponenses, nasceu 30 de Abril de 1840 e morreu a 8 de Fevereiro de 1919, na sua casa do Lumiar. Fidalgo da Casa Real por sucessão a seus maiores, habilitado com o curso superior de Letras; sócio correspondente da Academia das Ciências, por diploma de 21 de Março de 1872; sócio efectivo da Associação dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses; correspondente do Instituto de Coimbra, do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco; do Instituto Vasco da Gama de Nova Goa; da Associação Literária Internacional de Paris; e honorário do Grémio Literário Faialense e do Grémio Literário Artista da Horta; governador civil do distrito da Horta; primeiro-oficial da Biblioteca Nacional de Lisboa, poeta e escritor.
Fizeram história os seus volumes sobre a cidade de Lisboa: «Lisboa antiga». [cm-lisboa.pt]

Largo Júlio de Castilho [Antigo Largo da Duquesa] [c. 1940]
Ao centro, o Chafariz do Boneco, ou Fonte de São João Baptista. Ao fundo, a casa onde morreu Júlio de Castilho, ostentando uma lápide em memória do mestre olisipógrafo
Eduardo Portugal, in AML

Eis o que disse Norberto de Araújo sobre Júlio Castilho aquando da inauguração do busto do distinto olisipógrafo que se encontra no Miradouro de Santa Luzia: «Estamos diante do busto do Mestre infatigável e iluminado da «Lisboa Antiga» e de «A Ribeira de Lisboa», generoso percursor dos estudos olisiponenses. Ninguém como ele, soube carrear materiais, acumular subsídios, desbravar caminho, inspirar a paixão por Lisboa.»

Largo Júlio de Castilho [Antigo Largo da Duquesa] [c. 1940]
Casa onde morreu Júlio de Castilho

Eduardo Portugal, in AML

Viaduto Duarte Pacheco

O Viaduto Duarte Pacheco é o maior e mais importante viaduto de Lisboa. É parte integrante de uma das principais vias de acesso à cidade ligando-a ao Parque de Monsanto onde a auto-estrada Lisboa-Cascais começa. Projectado por João Alberto Barbosa Carmona e inaugurado a 28 de Maio de 1944, o Viaduto Duarte Pacheco é feito de betão armado, mede 505 mt. de extensão, incluindo muros de avenida, e tem 24 metros de largura. O seu custo ascendeu a 85.000 Euros e nele trabalharam cerca de 4.000 operários.

Fotografia aérea sobre Campolide, Viaduto Duarte Pacheco
 e Avenida de Ceuta [c. 1950]
Fotógrafo não identificado, in AML


Viaduto Duarte Pacheco e Auto-estrada Lisboa-Cascais [c. 1942]
Fotógrafo não identificado

Duarte José Pacheco (Loulé,19,04,1899 - 16,11,1943/Setúbal), licenciou-se em engenharia Electrónica, no IST, com 19 valores e este jovem professor do Instituto Superior Técnico desde 1922 - e seu director a partir de 1924- foi eleito presidente da Câmara de Lisboa com apenas 29 anos, em 1928, ano em que também entrou pela primeira vez no Governo, com a pasta da Instrução Pública.

Viaduto Duarte Pacheco e Auto-estrada Lisboa-Cascais [c. 1951]
António Passaporte, in AML

Quatro anos mais tarde, em Julho de 1932, foi nomeado ministro das Obras Públicas e Comunicações, pasta que tutelou até à sua trágica morte num desastre de viação.
Considerado um visionário, desejava fazer de Lisboa a capital do Império, sonho que veio a concretizar com a Exposição do Mundo Português, em 1940, símbolo emblemático do apogeu do Estado Novo e dos seus valores. Foi responsável por obras tão importantes como a Estrada Marginal Lisboa-Cascais, as Avenidas Novas, o Parque de Monsanto e o Estádio Nacional.

Avenida de Ceuta sobre o Viaduto Duarte Pacheco [c. 1952]
Fotógrafo não identificado, in AML

Friday, 25 September 2015

Teatro Apolo ou do «Príncipe Real»

«Na esquina da Rua Fernandes da Fonseca e Rua Nova da Palma assenta o Teatro Apolo, até 1910 chamado do Príncipe Real (D. Carlos), e que foi ali erguido em 1864 [1865] por Francisco Ruas, no local onde existiu o salão Wauxhall. Pelo velho «Príncipe Real», dos dramalhões, teatro definido, passaram grandes figuras da cena portuguesa, entre elas, mais permanentemente, Ernesto Vale. e Adelina Abranches.

Rua da Palma, Rua Fernandes da Fonseca [1956]
Em primeiro plano, um trecho da Rua da Palma com o Teatro Apolo (à esquerda)
Eduardo Portugal, in AML


Rua da Palma, Rua Fernandes da Fonseca [séc. XIX]
Fotógrafo não identificado

O edifício teve há poucos anos o dístico fatal «Para demolição»; parece, porém, que a condenação está suspensa. Tem um tecto de boa pintura de José Maria Pereira.»
(in Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa [1938], vol. III, p. 72)

Rua da Palma, Rua Fernandes da Fonseca [1956]
Teatro Apolo, interior, boca de cena

Armando Serôdio, in AML

Rua da Palma, Rua Fernandes da Fonseca [1956]
Teatro Apolo, tecto, obra de de José Maria Pereira

Armando Serôdio, in AML

«Dois Pobres E Uma Porta», em 3 actos e, «Muito Padece Quem Ama» são as comédias apresentadas na inauguração.Em 1906, Palmira Torres é a actriz principal da peça «A Severa», de Júlio Dantas. «Agulha em Palheiro», primeira revista original após a instauração da República, é aqui representada logo em 1911.

Rua da Palma [c. 1910]
Teatro Apolo, bilheteiras

Joshua Benoliel, in AML

Rua da Palma [c. 1910]
Teatro Apolo, bilheteiras

Joshua Benoliel, in AML

«De Bota Abaixo», viria a ser a última revista estreada no Teatro Apolo, antes de este vir a ser demolido. O título era, aliás, um trocadilho com esse facto anunciado pela Câmara Municipal de Lisboa, então presidida por Salvação Barreto, como parte da reforma daquela zona da cidade. Um ano depois, em 1957, não obstante os inúmeros sucessos - e já rodeado pelos escombros dos prédios da Mouraria arrasados em redor - caiu o pano sobre o Apolo.

Rua da Palma, Rua Fernandes da Fonseca [1956]
Defronte ao
Teatro Apolo (onde se vê o parque de automóveis) existiu a Igreja do Socorro, demolida em 1949
Armando Serôdio, in AML

Thursday, 24 September 2015

Leitaria Polytécnica

Antes «Rua Direita da Fábrica das Sedas até ao Palácio dos Soares (depois Imprensa Nacional), daí para diante até à actual Praça do Rio de Janeiro era Rua do Colégio dos Nobres, designação que sucedeu à de Rua Direita da Cotovia. Em Setembro de 1859 passou toda a artéria a ser Rua da Escola Politécnica».
(Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 19)

Rua da Escola Politécnica, 263-265, junto ao Largo do Rato [c. 1910]
Leitaria Polytécnica, Leite e Manteigas
Joshua Benoliel, in AML

Wednesday, 23 September 2015

Monumento a Eduardo Coelho

O monumento — obra do arquitecto Álvaro Machado e do escultor Costa Mota (tio) — foi custeado por subscrição pública promovida pelo Diário de Notícias, jornal fundado em 1863 por Eduardo Coelho sito na Rua dos Calafates.

Monumento a Eduardo Coelho [post. 1904]
Jardim Miradouro de São Pedro de Alcântara (Alameda Eduardo Coelho)
Chaves Cruz, in AML

Para além do busto que celebra a memória do jornalista Eduardo Coelho, é composto por um pedestal, em frente do qual surge uma base com um garoto a apregoar jornais, o popular «ardina» — que parece ter movimento — surgindo, sobre este, o busto do homenageado. O busto e a estátua são de bronze, e o restante monumento em pedra. Foi inaugurado a 29 de Dezembro de 1904. Ao fundo, na 1ª foto, vê-se o quiosque do Jardim de S. Pedro de Alcântara, cuja história e pode ser lida aqui.

Monumento a Eduardo Coelho [post. 1904]
Jardim Miradouro de São Pedro de Alcântara (Alameda Eduardo Coelho)
Chaves Cruz, in AML

O Sítio dos Quatro Caminhos

«O Sítio dos Quatro Caminhos existe hoje apenas na tradição oral; em 1889 a serventia chamou-se cumulativamente «Rua dos Quatro Caminhos e dos Sapadores».  Ainda não há meio século esta Cruz dos Quatro Caminhos era o eixo natural de quatro áreas do oriente da Cidade, uma apenas urbanizada em forma: a da Graça.
Por aqui se descia ao Caminho de Ferro e ao Vale de Santo António, sitios na vertente de muitas quintas desaparecidas; por aqui, a poente, se passava, via Caminho do Forno do Tijolo (a Charca), para os lados dos Anjos, Sant'Ana, Intendente, e Baixa; por aqui se fazia o trajecto, pela Estrada antiga-hoje Rua-que percorremos, até à Penha de França, descendo-se ao Poço dos Mouros.
 Em boa verdade, era uma extrema simpática da Cidade, com suas casas pequenas do século passado [séc. XIX], ou, as mais recuadas, do fim do século do Terramoto.
 
Quatro Caminhos, Rua dos Sapadores [1969]
Artur Inácio Bastos, in AML

De acordo com Norberto Araújo, o topónimo deriva de um quartel lá existente:
«Na primeira metade do século do Terramoto já aqui havia um aquartelamento, embora de reduzida superfície: era o Regimento da Segunda Armada, aos Quatro Caminhos, e, em boa verdade, não consegui saber a que correspondia aquela designação do regimento. No século passado, e durante longos anos, esteve aqui o Regimento de Engenharia, fazendo-se por várias vezes obras e ampliações, sempre restritas. Em 1911, pela reorganização do Exército, subdividiu-se a arma de engenharia, ficando neste quartel Sapadores Mineiros. Fizeram-se então novas ampliações, e ergueu-se êste edíficio que vês, corpo central de comando, recuado um pouco de frente, para alargamento da nova Rua de Sapadores (1912-1913). Em 1927, após a revolução de 7 de Fevereiro, os Sapadores saíram e entraram os Telegrafistas.

Quatro Caminhos [1953]
Rua da Graça, à esq. Rua Angelina Vidal, à dir. a Rua dos Sapadores
Eduardo Portugal, in AML

Hoje tudo isto tem um aspecto alegre e já digno de um bairro de Lisboa. Anota essas casas baixinhas, do lado direito, êsse pedaço de habitações pobres contínuas sôbre uma cortina à entrada da Rua Angelina Vidal (antigo Caminho do  Forno do Tijolo), êsse outro grupo de casebres junto do muro do Quartel, à nossa esquerda: são o último sinal dos Quatro Caminhos setecentista. Estão por meses; podes talvez saüdá-los pela última vez.»
(in Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, pp. 25-26, [1938])

Quatro Caminhos [1953]
Rua Penha de França, entrada da Rua direita da Graça e Rua Sapadores
Eduardo Portugal, in AML

Tuesday, 22 September 2015

O último chalet da Avenida Cinco de Outubro

Em 1908, o jornal «O Século» e a sua revista «Ilustração Portuguesa» — uma das publicações de maior tiragem da época — , além de outros brindes anuais distribuídos por meio de concurso, oferecia aos seus leitores a possibilidade de ganharem um magnífico chalet na Avenida António Maria de Avelar (hoje Av. Cinco de Outubro) construído com todas as condições do conforto «moderno».

Avenida Cinco de Outubro [1937]
[gaveto com a Avenida Elias Garcia]
Eduardo Portugal, in AML

A vasta equipa de detectives de «Lisboa de Antigamente» pôs-se em campo e foi investigar, conseguindo descobrir no arquivo fotografias que, embora não identificadas como sendo deste chalet, mostram a fase de construção do mesmo, assim como, a evolução da envolvente e do edificado ao longo dos anos nesta avenida.

Avenida Cinco de Outubro [1908]
[gaveto com a Avenida Elias Garcia]
Joshua Benoliel, in AML

Avenida Cinco de Outubro [1908]
[gaveto com a Avenida Elias Garcia]
Joshua Benoliel, in AML

Só não conseguimos identificar o nome do felizardo que alcançou tão fabuloso prémio. Lembramos que esta zona de Lisboa, muito afastada do centro da capital, era à época constituída maioritariamente por algumas fábricas (tijolo, panificação, etc.), casas rústicas. hortas e terras de semeadura, como aliás pode ser comprovado por fotografias de igual período e já aqui publicadas.

Avenida Cinco de Outubro [post. 1909]
[gaveto com a Avenida Elias Garcia]
Paulo Guedes, in AML

Monday, 21 September 2015

Campo de futebol das Salésias

Em 28 de Fevereiro de 1904, um grupo de 24 ex-alunos da Real Casa Pia de Lisboa, de onde se destacava a figura de Cosme Damião, cria, nas traseiras da Farmácia Franco, na zona de Belém, o Sport Lisboa com uma única secção, a de futebol. Nessa reunião histórica, ficaria definido que o recém-criado clube jogaria de vermelho e branco e que teria no emblema uma águia e o moto «E Pluribus Unum».

O primeiro campo de jogos foi na Quinta da Feiteira, mas os tempos eram difíceis. Devido a problemas financeiros, vários jogadores da primeira equipa abandonam o Benfica para o mais abastado Sporting, o que deu início a uma rivalidade que perdura até os dias de hoje e contribuiu para que em 1908, se desse a fusão do Sport Lisboa com o Grupo Sport Benfica, clube que tinha como prática o ciclismo, levando à origem do actual emblema (com a introdução da roda de bicicleta) e ao nome definitivo: Sport Lisboa e Benfica.

Terras do Desembargador, junto ao Convento das Freiras Salésias, em Belém [entre 1906 e 1907]
Jogo de futebol entre o Sport Lisboa (mais tarde SLB) e o CIF (Clube Internacional de Futebol)
Fotógrafo não identificado, in AML

As falhadas tentativas de reorganização do Club Lisbonense e do Grupo Estrela abriram caminho ao aparecimento no dia 8 de Dezembro de 1902 do Club Internacional de Foot-Ball, que foi o prolongamento natural do Grupo dos Pinto Basto e do Foot-Ball Club Swits.

O inicio da prática de futebol em Portugal está indelevelmente ligado ao CIF. As primeiras bolas de futebol trazidas para Portugal, os primeiros “grupos” (equipas) de praticantes, as primeiras regras oficiais do desporto, as primeiras ligas e associações de clubes resultaram de intervenção directa do CIF ou de membros fundadores e directores do Clube.

Loja de utilidades domésticas José D'Oliveira & Barros

O topónimo devia ser mais conhecido como sítio de São Domingos já que nas plantas feitas após a remodelação paroquial de 1770, é referida uma «rua de trás de S. Domingos» na freguesia de Stª Justa e Rufina.

Largo de S. Domingos [Início séc. XX]
Venda ambulante de bolos
Alberto Carlos Lima, in AML

Sunday, 20 September 2015

Teatro do Ginásio

Ocupando os terrenos do antigo Palácio Geraldes, o Teatro do Ginásio abre portas em 1846, com o drama Paquita de Veneza ou Fabricantes de Moeda Falsa, onde estreia o actor Taborda e, a farsa A Herdeira.
Embora um espaço exíguo e incómodo é, através do seu reportório, essencialmente cómico, um dos espaços teatrais mais frequentados. Ao seu êxito não são indiferentes os monarcas que, após as remodelações de 1852,  aí adquirem um camarote.

Rua Nova da Trindade, Rua da Misericórdia [ant. 1921]
Teatro do Ginásio [Gymnasio Lisbonense]
Fotógrafo não identificado, in AML

Em 1921 um incêndio devora completamente o edifício. A sua reconstrução é entregue ao arquitecto João Antunes. No entanto, o Ginásio reabrirá como cinema.
Nos anos 80, o seu interior é desmantelado, mantendo-se, contudo, a fachada, que virá a albergar um centro comercial.
Durante as obras encontra-se um torreão da muralha fernandina, desde então exposto ao público. A fachada é imóvel de interesse público, desde 1983.

Rua Nova da Trindade, Rua da Misericórdia [1944]
Teatro do Ginásio [Gymnasio Lisbonense]
Eduardo Portugal, in AML

Igreja de Santos-o-Velho

Sobre os vestígios de um presumível templo tardo-romano do século IV, dedicado aos santos mártires Veríssimo, Máxima e Júlia — crianças martirizadas pelos Romanos, no ano 307, em Olisipo, fugidas de Roma para propagar a fé cristã e cujas ossadas Dom Afonso Henriques procurou debalde — acabando por erigir uma Igreja no local em 1147. Mas são as intervenções de 1696 pelo arq. João Antunes — torres sineiras, frontespício e púlpito — e as obras de restauro em 1861 e 1876 que lhe conferiram o perfil que hoje conhecemos. Trata-se de uma igreja cuja fachada principal, de um só corpo, ladeada por duas torres sineiras e rematada por frontão triangular vazado por janela iluminante, surge rasgada, a eixo, por um portal de arco abatido fechado por grade de ferro, de acesso à galilé, encimado por um relevo dos santos mártires, orago da igreja, e por um janelão emoldurado a cantaria lavrada e coroado de ática. Na galilé, para além da porta principal, temos o acesso à Capela dos Santos Mártires, onde se crê estar a sepultura dos mesmos.

Igreja de Santos-o-Velho [1949]
Rua de Santos-o-Velho, 13-15, Calçada Ribeiro Santos
Estúdio Mário Novais, in AML














 
O interior da igreja, coberto por falsa abóboda de berço em madeira pintada e dourada, apresenta nave única aberta a 6 capelas laterais (3 de cada lado), à Capela de Nª Senhora da Conceição do lado direito do arco triunfal e à Capela do Santíssimo Sacramento. Na capela-mor profunda, evidencia-se a pedra de armas dos marqueses de Abrantes, os quais cederam o terreno para a construção da capela-mor, ficando com acesso às tribunas laterais da mesma através do seu palácio contíguo ao templo. Por sua vez, no altar-mor observa-se sobre o trono as imagens dos três padroeiros da igreja.

Igreja de Santos-o-Velho [séc. XIX]
Entrada do Aterro da Bôa Vista, actual Avenida 24 de Julho
Gravura em madeira por Pedroso, desenho de Barbosa Lima, in AML

Saturday, 19 September 2015

Lisboetas passeando na Avenida da Liberdade

«Só a lisboeta é que põe o seu barquinho a nado a noite, ainda que o ceu esteja carregado, ainda que a chuva ameace, só ella é que atravessa pulando as lamas do Chiado, colhendo as velas ao vestido, e segurando a sombrinha com a firmesa de um marinheiro experimentado que fosse ao leme. Não teme a noite, porque as noites só são temerosas na provincia, o, treva e confusão.

Avenida da Liberdade [1912]
Joshua Benoliel, in AML

Vae, n'um pulo, comprar bolos para o chá, escolher um vestido ao Grandella, vae a pé para o theatro, porque não é bastante rica para ir de trem, vae à modista fazer um recommendação. vae a uma livraria comprar uma grammatica para o filho e, atravessando as ruas, pulando sobre a lama, o seu ar de honestidade defende-a, não a deixa confundir com as mulheres que vão habitualmente para as cadeiras do Colyseu e para os gabinetes dos restaurants.
A chuva ás vezes resolve-se a cair, a varrer as ruas, e a esburacal-as tambem. A lisboeta some-se, voou para casa nas azas dos seus pesinhos ligeiros. Mas a cidade não fica solitaria, morta, ouve-se de vez em quando o rodar de um trem, um pregão que passa,  de um cavallo, o assobio de um namorado.»
(in Vida De Lisboa, Por Alberto Pimentel, 1900, p. 47)

Avenida da Liberdade [1912]
Joshua Benoliel, in AML

Retiro do Manuel dos Passarinhos

"Há em Lisboa um pequeno número de restaurantes ou casas de pasto [em] que, sobre uma loja com feitio de taberna decente, se ergue uma sobreloja com uma feição pesada e caseira de restaurante de vila sem comboios. Nessas sobrelojas, salvo ao domingo pouco frequentadas, é frequente encontrarem-se tipos curiosos, caras sem interesse, uma série de apartes na vida."
(in Livro do Desassossego, Bernardo Soares)
Calçada do Poço dos Mouros, Retiro do Manuel dos Passarinhos [ c. 1910]
 [Inicia-se na Travessa do Calado / Rua da Penha de França e termina na rua Morais Soares]
Joshua Benoliel, in AML


Até ao início do século XX, esta era uma zona de hortas, quintas, retiros e, também, um dos caminhos para o cemitério do Alto de São João. Por aqui existiu o «Retiro Manuel dos Passarinhos» cuja frase publicitária ficou célebre: «Não se esqueçam na volta». Não se pretendia, pois, interromper a devoção religiosa de acompanhamento dos entes queridos, mas depois desta havia necessidade de alimentar o corpo e, porque não, com «Bons vinhos e petiscos», mesmo ali ao virar da esquina, literalmente.
[TAVARES DIAS, Marina, Lisboa Desaparecida)

Friday, 18 September 2015

Chiado

E porquê «Chiado»?  — Questiona o olisipógrafo Norberto de Araújo.
Querem uns que a designação proviesse do poeta António Ribeiro, o «Chiado», que por aqui vadiaria, e outros opinam que, na inversa, foi o fazedor de autos que tomou o nome da Rua. A ser assim, como adveio ao troço fundo desta serventia o dístico oral de Chiado, visto que não foi o poetastro quem lha deu? 

Rua Garrett, antiga do Chiado [entre 1886 e 1889]
Fotógrafo não identificado, in AML

Matos Sequeira, seguindo Alberto Pimentel, lembra que, aí por 1560, aqui defronte da porta dos actuais Armazéns do Chiado, deante da esquina da Rua do Carmo de hoje, existia uma adega ou estalagem de um Gaspar Dias, por alcunha «O Chiado». Pouco mais de vinte anos depois o sítio era nomeado com aquele ressonante sinal oral, devido ao taverneiro quinhentista. E, a ser assim, o frade dos autos nada tem como o nome do sítio: Chiado não seria alcunha de António Ribeiro, mas apelido, pois o frade era alentejano, e no Alentejo havia muitos Chiados, em nome de família. [...] só em em 1856 tudo isto passou a ser Rua do Chiado  — ou Chiado  — , para em 1880 o nome cair oficialmente e passar então a ser, como hoje, Rua Garrett.  

Rua Garrett, antiga do Chiado [1897]
M. Goulart, New Bedford, Col. do autor

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, pp. 91-92, 1939.

Rua Saraiva de Carvalho, 131-137

«Jurisconsulto 1839-1882»

Augusto Saraiva de Carvalho (1839-1882), advogado e político. Em 1864 funda o «Clube dos Lunáticos», com Latino Coelho, António Oliveira Marreca, Gilberto Rola e José de Elias Garcia, grupo que se reunia no Pátio Salema em Lisboa embrionário do Partido Reformista e impulsionador do movimento que ficou conhecido como «Janeirinha».
Ramalho Ortigão chamava-lhe "pimpolho ilustre e rebento florescente" da «Janeirinha». Ministro da justiça do governo de António José de Ávila, desde 29 de Outubro de 1870 a 30 de Janeiro de 1871. Ministro das obras públicas, comércio e indústria do governo de Braamcamp (de 1 de Junho de 1879 a 25 de Março de 1881).

Rua Saraiva de Carvalho, 131-137 [1913]
Campo d'Ourique, sucursal do jornal «O Seculo» no estabelecimento de José Dias Ferreira
Joshua Benoliel, in AML

Thursday, 17 September 2015

Garagem Auto-Palace

Construída para a Sociedade Portuguesa de Automóveis, segundo projecto de Vieillard & Touzet, datado de 1906, trata-se de um edifício de planta quadrada, desenvolvido em dois pisos encimados por frontão curvo ladeado por duas pilastras. Classificado como Imóvel de Interesse Público, traduz uma arquitectura civil de equipamento ecléctica e dos raros exemplares da arquitectura do ferro em Lisboa, observando-se a permanência dos esquemas arquitectónicos oitocentistas com recurso a uma gramática decorativa de cariz neoclássico, visível na entrada tripartida, a par de uma linguagem Arte Nova patente na utilização do ferro associado ao vidro, no grafismo ondulante da palavra Auto-Palace do frontão, assim como nos vitrais do 2º piso, datados de 1907 e assinados por C. Martins, que têm como temática principal o automóvel, enquadrado por uma malha fina e sinuosa de motivos florais.
Foi considerado uma das 100 Obras de Engenharia mais relevantes do século passado. [in cm-lisboa.pt]

Rua Alexandre Herculano,  Garagem Auto-Palace [1912]
Joshua Benoliel, in AML

Obs.: Transporte colectivo em experiência. À data da fotografia o edifício é ocupado pela "Portuguese Motor & Machinery Company, Ltd"- Sucessores; no local actualmente ocupado pela entrada do Mercado do Rato, havia então a carpintaria Mechanica Portugueza; o veículo a sair do salão, faz uma demonstração, como se infere da placa existente na sua dianteira.

Rua Alexandre Herculano,  Garagem Auto-Palace [1908]
Joshua Benoliel, in AML

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