sábado, 25 de julho de 2015

Praça Duque da Terceira, o Relógio de Sol e o Hotel Central

Foi no famoso Hotel Central (encerrado em 1919), o melhor hotel de Lisboa desse tempo, onde se hospedavam reis, presidentes e figuras ilustres, como Júlio Verne (que lá jantou duas vezes), que Carlos da Maia viu pela primeira vez Maria Eduarda:

        «Entravam então no peristilo do Hotel Central — e nesse momento um coupé da Companhia, chegando a largo trote do lado da Rua do Arsenal, veio estacar à porta.[...] Craft e Carlos afastaram-se, ela passou, com um passo soberano de deusa, maravilhosamente bem feita, deixando atrás de si como uma claridade, um reflexo de cabelos de oiro, e um aroma no ar.» 
(in Eça de Queiroz, Os Maias 1888)


Praça Duque da Terceira, 1858
Praça Duque da Terceira, o Relógio de Sol e o Hotel Central
Amédée de Lemaire-Ternante, in C.P.F

De acordo com olisipógrafo Noberrto de Araújo, a configuração desta praça dos «Remolares», era muito diferente da actual: «Há sessenta anos [c. 1880] o mar chegava sensivelmente aonde corre a linha do eléctrico» [...]
«Ao centro desta Praça onde se ergueu o monumento ao Duque da Terceira, existiu até 1874 (não sei desde quando) um relógio de sol que assentava sôbre um pedestal acima de uma escadaria circular. A «Merediana dos Remolares» ou «do Cais do Sodré», que muita chalaça mereceu aos alfacinhas, era, afinal de contas, mais leal que os relógios das torres.»  
(in Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, p. 40 [*1939])

Praça Duque da Terceira, c. 1910
Praça Duque da Terceira e o Hotel Central
Joshua Benoliel, in A.M.L.

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