quarta-feira, 10 de junho de 2015

Luiz de Camões, o poeta maior


De acordo com Norberto de Araújo «não se pode garantir, em ciência de academia, que «nesta casa morreu Camões», mas pode manter-se, sem perigo de ofender a razão, que «é tradição Camões ter vivido e morrido nesta casa». Atentemos na sua explicação:
«Para melhor entendimento do que vou dizer-te podemos ler a lápide comemorativa: «Nesta casa, segundo tradição documental, faleceu a 10 de Junho de 1580 Luiz de Camões». O actual proprietário, Manuel José Correia  mandou pôr esta lápide em 1867». O prédio já não tem a configuração pitoresca de há 70 anos, mas não mudou sensilvelmente.
Ora o problema é êste dilecto companheiro alfacinha: Camões viveu e morreu aqui? Qual é a «tradição documental» a que a legenda comemorativa se refere?
Não se comporta nesta «Peregrinação» o debate inocente desta questão, que já fez verter alguma tinta.  Indiscutivel é que o poeta habitou e morreu aqui a dois passsos, ou no sítio onde está o prédio e onde assentou a Ermida do S. J. da Salvação, encostado ao da lápide, ou ali à entrada,  em reentrância, na fronteira Calçada Nova do Colégio, o que tudo situava junto à Porta de Sant'Ana do lado de fora.
Ora quanto a mim, Dilecto, não se trata de saber «onde era o prédio», precisamente, matemàticamente, arqueològicamente, porque estes prédios actuais não assentam, de seguro, sôbre fundamentos de quaisquer outros; trata-se, sim, de saber «onde era o sítio». E o sítio é «aqui» (versão do Visconde de Jerumenha ante a biografia manuscrita de Padre Francisco de Santo Agostinho), ou é «ali», a vinte metros (interpretação extensiva do que «constava a Manuel de Faria e Sousa, que nasceu dez anos depois da morte de Camões).
(Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 29)
Arco de Sant'Ana e casa onde viveu e morreu Luís de Camões em 1580, desenho conjectural de Júlio Castilho
[Calçada de Sant'Ana]

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