Tuesday, 30 June 2015

Palácio de D. Fernando Soares de Noronha, depois Imprensa Nacional

O palácio de D. Fernando Soares de Noronha, à Cotovia, na então Rua Direita da Fábrica das Sedas, quase defronte do Colégio dos Nobres [actual Escola Politécnica], mas com entrada pela Travessa do Pombal, actual Rua da Imprensa Nacional. O palácio foi comprado em 1816, pelo preço de 18 contos de réis. Em 1895, o velho edifício, considerado inadequado para as necessidades de um estabelecimento fabril em contínuo desenvolvimento, começou a ser demolido, para dar lugar ao actual. A obra, que decorreu por fases, ficou concluída em 1913.

Travessa do Pombal, actual Rua da Imprensa Nacional, com a Rua Direita da Fábrica das Sedas, Rua da Escola Politécnica [séc. XIX]
Nota(s): Reprodução fotográfica invertida e erradamente datada de 1919 no AML. 

O antigo palácio dos Soares de Noronha começou a ser demolido em 1895 e, no mesmo local, já estava levantado (desde 1913) o edifício da Imprensa Nacional.

Criada por Alvará de 24 de Dezembro de 1768, a Impressão Régia, também chamada Régia Oficina Tipográfica, só a partir de 1833 passou a ser designada Imprensa Nacional.
Para dar início à sua laboração, foi adquirida a oficina tipográfica de Miguel Manescal da Costa e o palácio de D. Fernando Soares de Noronha.
À Impressão Régia foi, nos termos do Alvará de 1768, «unida a fabrica dos caractéres que até agora esteve a cargo da Junta do Commercio», fundada em 1732 por Jean de Villeneuve. Este francês viera para Portugal chamado por D. João V para ensinar a sua arte. Foi-lhe cometida a «continuação do ensino de aprendizes da mesma fabrica de letra, para que não faltem no reino os professores desta utilissima arte».
(...)
Mais tarde, entre 1802 e 1815, teve este cargo o célebre gravador Francesco Bartolozzi, chamado a Lisboa pelo então presidente do Real Erário, D. Rodrigo de Sousa Coutinho.
(in incm.pt)

Rua da Escola Politécnica, 135-137 [post. 1913]
[Rua do Noronha; Rua da Imprensa Nacional]

Joshua Benoliel, in A.M.L.

Cinema Apolo 70

«O Drugstore Apolo 70 (o maior da Europa) foi ontem inaugurado»

in Diário Popular


Inaugurado em Maio de 1971, o Cinema Apolo 70 homenageava com o seu nome a primeira viagem do homem à Lua e estabelecia paralelismo com a data de início da sua construção. O Cinema Apolo 70 não pode ser dissociado do Centro Comercial com o mesmo nome onde estava integrado, e que, na época, causou um grande impacto na vida lisboeta; pelas suas 41 lojas, o inovador snack-bar e o bowling de 4 pistas. Projectada pelo arq. Augusto Silva com decoração de Paulo Guilherme, a sala dispunha de 300 lugares e estava equipada com aparelhagem Phillips de projecção para 35mm, ecrã normal e cinemascope
Este cinema, para além da envolvência era apreciado pela qualidade dos seus filmes, a que, não era alheio o coordenador de programação na altura, o conhecido realizador e escritor de teatro e cinema, Lauro António. O cinema inaugurou com «O Vale do Fugitivo», de Abraham Polonsky, o western que Lauro António escolhera para a estreia. O cinema fechou nos anos 90 sendo substituído por um restaurante mas o centro comercial mantém-se até aos nossos dias.

Avenida de Júlio Dinis, 10A [1977]
Vasques, in A.M.L.

Monday, 29 June 2015

Beco do Marquês de Angeja

Sobre a origem deste Beco que se abre entre os nºs 26 e 28 da Rua de São João da Praça e sobre o seu topónimo refere Luís Pastor de Macedo:

Este beco ocupa um terço aproximadamente, do comprimento da antiga rua das Atafonas, rua que fazia a comunicação entre a praça do Marechal e a rua do Tem-te-lá, […] e que já é citada no Livro de lançamento e serviço, etc., de 1565. (…) Mais tarde, já no século XVIII (1726) deu-se também à serventia a qualificação de beco. A razão por que depois do terremoto foi substituído o nome de rua das Atafonas pelo do Marquês de Angeja já a explicou Gomes de Brito: ‘Um pouco mais adiante na boca da rua das Atafonas, na mesma linha do Tem-te-lá, abria-se um pequeno beco, sem saída, aquém chamavam do Pardieiro, por haver aí, com efeito, uma barraca em ruína, que fechava o beco e servia de palheiro ao Marquês, cujo palácio ficava ao lado fronteiro, encostado à velha muralha mourisca. Levantada pelo novo alinhamento a propriedade da actual rua de S. João da Praça, desapareceu nela o beco do Pardieiro, mas a circunstância de ter ele pertencido ao Marquês fixou no beco antecedente o título desta casa’. A primeira vez que vemos apontar o beco do Marquês de Angeja é em 1802, tendo porém antes, e desde 1775, a qualificação de pátio – pátio do Exmº Marquês de Angeja.
(cm-lisboa.pt)

Beco do Marquês de Angeja [c. 1900]
Rua de São João da Praça; Cerca (Torre) Moura
Machado & Souza, in A.M.L.

Calçada de Carriche

Para a Calçada de Carriche não existem registos nem indicação de edital de atribuição do topónimo, em virtude de este ser antiquíssimo.
Assim, já durante a ocupação romana da península a passagem natural a Norte de Lisboa era efectuada através do Desfiladeiro de Carriche. Durante a ocupação muçulmana o topónimo sobreviveu, podendo ter tido a sua origem etimológica no árabe «qarix» (pedra miúda, cascalho) embora subsista a hipótese de ser bastante mais antigo e derivar do céltico «carr» (pedra). (cm-lisboa.pt)

Calçada de Carriche [1933]
Prova ciclista Lisboa-Bombarral e Volta
in Arquivo do Jornal 'O Século'

Calçada de Carriche [1934]
5.ª Volta Ciclista a Portugal
in Arquivo do Jornal O Século

Sunday, 28 June 2015

Avenidas 24 de Julho e Dom Carlos I

A Avenida Dom Carlos I foi inaugurada no dia 28 de Dezembro 1889, dia da aclamação do Rei do mesmo nome. Com o advento do regime republicano (1910), mudou-se-lhe o nome para Avenida das Cortes, e após a Primeira Guerra Mundial (1918) passou a designar-se Presidente Wilson, homenagem ao Presidente americano, cujo apoio foi decisivo para o desfecho da vitória dos Aliados.
Os prédios na imagem datam de 1870 a 1880. [cm-lisboa.pt]

Avenida 24 de Julho e Avenida Dom Carlos I [post. 1900]
À dir., tornejando para a Av. 24 Julho, a antiga fábrica de chocolates Iniguez
Joshua Benoliel, in A.M.L..

Praça Luis de Camões

«Estava um dia de calor e Alípio, apenas avistou na porta o ventre enorme do desembargador, precipitou-se para lhe tirar o chapéu das mãos, perguntar-lhe pelas senhoras e oferecer-lhe um copo de orchata, bebida que o dr. Vaz Correia tinha sempre fresca, na saleta de dentro nos meses de Verão. — Quer V. Ex.ª um copo de orchata?". E o desembargador: 
— Pois venha de lá a orchata. Vai de refresco.»
(in Eça de Queirós, O Conde de Abranhos)

Quiosques da Praça Luís de Camões [1908]
Joshua Benoliel, in AML

Saturday, 27 June 2015

Rua Áurea

 «Nela se acomodarão os Ourives do Ouro, alojando-se nas acomodações que dele sobejaram os Relojeiros e Volanteiros.»
(Diploma régio (D. José I) de 05/11/1760, que consagra as denominações da Baixa Pombalina)


Rua Áurea, cruzamento com a  Rua de São Julião, 1930
Fotógrafo não identificado
in Arquivo do Jornal O Século, A.N.T.T..
 

Friday, 26 June 2015

Avenida da República, 60-62, antiga Avenida Ressano Garcia

Esta moradia apalaçada edificada em 1909 (à esq. da foto) estava localizada junto à Praça do Campo Pequeno, correspondendo, talvez, ao actual nº 60-62 da Avenida da República (vd. mapa). Sofreu alterações cerca de 1916 e  foi demolida na década de 1960.


Após a proclamação da República, em 1910, a Câmara de Lisboa alterou a toponímia, substituindo os nomes das figuras públicas comprometidas com a monarquia e os topónimos de cariz religioso por outros evocativos dos ideais republicanos e esta Avenida da República é disso um exemplo claro, substituindo o topónimo do criador das Avenidas Novas em 1904 (Avenida Ressano Garcia) pela própria República.
 Refira-se ainda que esta longa artéria ainda antes de ser Avenida Ressano Garcia pelo edital de 3 de Maio de 1897 foi a Avenida das Picoas por referência à Quinta das Picoas que existia no local.

Avenida da República [1916]
Preparativos para o embarque das tropas do C.P.E. que vão combater na Primeira Guerra Mundial

Joshua Benoliel, in Arquivo Municipal de Lisboa

Lisboeta de nascimento, ao serviço da Repartição Técnica da Câmara Municipal de Lisboa, Ressano Garcia desempenhou, a partir de 1874, um papel fundamental na transformação da fisionomia da Capital. Para além do Mercado da Ribeira Nova (24 de Julho) e da conclusão das obras nos Paços do Concelho, a figura do Engenheiro está intimamente associada à expansão sistemática da cidade para norte. Consignada no Plano Geral de Melhoramentos (Comissão de 1876-1881), traduziu-se no traçado de eixos viários, largos e rectilíneos – os modernos boulevards – a delimitar quarteirões ortogonais para loteamento, com rotundas, passeios, vegetação e mobiliário urbano, de que a Avenida da Liberdade, a Av. 24 de Julho (o Aterro) e a Avenida das Picoas ao Campo Grande (Av. República) e toda a planificação das ruas adjacentes, são os exemplos mais significativos.

Avenida da República, [ant. 1909]
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa

Thursday, 25 June 2015

Praia das Maçãs

Hotel Restaurant Royal Belle-Vue


O projecto e iniciativa estiveram a cargo de Eugène Levy. Traçaram-se novas ruas, macadamizaram-se estradas, regulamentaram-se as construções, organizaram-se os espaços, e, segundo um projecto do arquitecto Ventura Terra, proveu-se à construção do Hotel Royal Belle Vue, construído por Francisco dos Santos. Esperava-se que o referido Hotel impulsionasse o turismo balnear, tendo-se apostado, por isso, na higiene, elegância e conforto. 
O Hotel Royal possuía água potável, directamente canalizada para o restaurante, e iluminação eléctrica em todos os quartos. Foi destruído por um incêndio em 1921.
 
 Hotel Restaurant Royal Belle-Vue [c. 1913]
Praia das Maçãs
Joshua Benoliel, in Arquivo Jornal O Seculo
 
Em 1913, foi cenário de um "complot" levado a cabo por revolucionários do «Movimento 27 d'Abril» para assassinar — «a tiro ou à bomba» — Afonso Costa, chefe do governo, que ali se encontrava a banhos. O golpe foi frustrado pela intervenção da polícia, tendo sido detidos dois homens, Miguel Gaião e Jaime Granja, sindicalistas.

Hotel Restaurant Royal Belle-Vue [c. 1913]
Praia das Maçãs
Joshua Benoliel, in Arquivo Jornal O Seculo


Bibliografia
(Jornal O Século nº 9901, 10 Julho 1909, p. 3)
(Ilustração Portuguesa N.º 398, 6 Out. 1913)

Wednesday, 24 June 2015

- Vai um tirinho, freguês?!

Barraca de tiro ao alvo no Parque Mayer


Situado junto à Avenida da Liberdade, do lado ocidental, entre a Rua do Salitre e a Praça da Alegria, este recinto viveu o seu apogeu entre as décadas de 30 e de 70 do séc. XX. Começou por funcionar com divertimentos como barracas «dos tirinhos», carrinhos de choque, carrosséis de feira, “roleta diabólica”, atrações várias, como o circo do El Dorado, e combates de boxe e luta-livre. Deste modo, o Parque Mayer rapidamente se tornou um recinto de convívio e de feira ao ar livre, onde não faltavam restaurantes, bares, cabarets, retiros e tascas, atraindo um público aficionado. Em 1932, por sugestão de Leitão de Barros, realizou-se aí o primeiro desfile de grupos representantes dos bairros lisboetas que, posteriormente, dará origem às Marchas Populares.

Barraca de tiro ao alvo no Parque Mayer [c. 1940]
Judah Benoliel, in Arquivo Municipal de Lisboa

Tuesday, 23 June 2015

O «lagarto» da Penha de França

Ermida da Penha de França


A tradição olisiponense teima em afirmar, em sua lenda, que foi neste lugar alto da Penha de França que Ulisses deu-se de amores com a “deusa-serpente”, Ofiússa, que não era “serpente” mas rainha de uma sociedade mítica de mulheres guerreiras, religiosas e sibilas ou profetisas. A verdade é que nesta igreja de Nossa Senhora da Penha ainda se presta culto à serpente, talvez memória do primitivo culto romano ao deus Esculápio, entrando tardiamente o onomástico Penha de França em lembrança de um monge francês ter descoberto uma imagem da Virgem escondida aqui numa penha, durante o período árabe da ocupação da Península Ibérica.

Ermida da Penha de França, [c. 1910]
Fachada principal, virada ao Largo da Penha de França (
Cabeça de Alperche)
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa

   Este templo é dos que mais testemunham em Lisboa a intervenção do sobrenatural, não lhe faltando uma “casa dos milagres” onde se expõe uma curiosa colecção de ex-votos. Sem dúvida que de todas as lendas a principal deste sítio é a do lagarto da Penha. Se uma versão diz que um cansado peregrino, dormindo na encosta do monte, prestes a ser atacado por um lagarto enorme, foi acordado pela Senhora, salvando-se milagrosamente dele, uma outra relata que ele foi acordado por um lagarto por intervenção de Nossa Senhora, livrando-se do ataque de uma cobra. Até 1739 conservou-se na igreja um grande lagarto embalsamado, substituído por um outro de madeira que desapareceu no terramoto. Como a segunda versão da lenda é que vingou, pode-se ainda ver sobre as portas da sacristia um lagarto (mais se parecendo a um crocodilo) e uma cobra de madeira. Repete-se novamente a Senhora da Penha e a lenda do lagarto no painel de azulejos na fachada posterior da igreja. Crê-se que a serpente simboliza a antiga religião “pagã” dos árabes, e o lagarto sendo o dragão dos lusos cristãos miraculosamente salvos daquela, graças a esta Virgem da Vitória.


Mas tanto o dragão como a serpente em paridade, aquele estará para a Sabedoria desvelada e o Sol expressivo da Energia Celeste que a Tradição Iniciática chama de Fohat, enquanto a serpente é a sinalética da Sabedroia ocultada e da Lua expressiva da Energia Terrestre chamada Kundalini pela mesma Tradição Iniciática. Sol e Lua ligados pelo Prana promanado do Coração da Mãe Divina, a Energia Vital que a tudo e a todos alenta, e nisto tudo se resumem as figuras das Armas Episcopais da Senhora da Penha, com a águia dupla sobre o Sol e a Lua tendo o Coração Sangrento ao centro, atravessado pela flecha martirial fazendo jorrar o Sangue Real de Cristo, mas também a de sua Santa Mãe Maria (Cordo Maris), a que está no cimo do Gólgota, no alto da Penha de França, Coração da Europa.
(in Vitor Manuel Adrião, Guia de Lisboa Insólita e Secreta. Editorial Jonglez, Versailles, Abril de 2010)

Feira do sorriso e das flores

A Genoveva da Lima Mayer Ulrich se deveu a iniciativa da Venda da Flor a favor das vítimas da 1ª Grande Guerra (1914-1918). No dia 15 de Março de 1917 um grupo de senhoras envergando braçadeiras brancas juntou-se para vender flores artificiais aos cavalheiros, que as colocavam nas lapelas dos casacos, a troco de donativos para ajudar os feridos da 1ª Grande Guerra. «A cidade povoou-se de bandos alegres de mulheres, de perfumes, de galanteios, de risos, de frescura feminina», descrevia a 'Ilustração Portuguesa'.
As senhoras entraram nos cafés, nas lojas, nos bancos, no Parlamento e até na residência do Presidente da República. O balanço do peditório ascendeu a algumas dezenas de contos, a que se somou um abanão no ambiente da capital: «Pela primeira vez, Lisboa viu, nas suas ruas e nas suas praças, uma multidão elegante, delicada, aristocrática apear-se dos seus automóveis e das suas carruagens, descer dos seus salões – e, alegre, amável, misturar-se entre o povo». Esta iniciativa repetir-se-ia em Abril de 1918.
(in Ilustração Portuguesa, N.º 579, 26 Mar. 1917)

Rua Garrett [1917]
Venda da Flor, iniciativa da escritora Genoveva da Lima Mayer Ulrich a favor das vítimas da 1ª Grande Guerra.

Do lado esq. vê-se uma das montras da loja Paris em Lisboa e, do lado dir. observa-se no cunhal do prédio publicidade da Pastelaria Benard
Joshua Benoliel, in Arquivo Municipal de Lisboa

Monday, 22 June 2015

Cine-Teatro Monumental

O Cine-Teatro Monumental foi projectado pelo arq.º Raúl Rodrigues Lima e inaugurado em 8 de Novembro de 1951, imediatamente resultando «num autêntico centro de atracções», oferecendo, para além dos mais modernos e famosos espectáculos da Capital, lugares de descanso e lazer apreciados pelo público: um café-restaurante e uma sala de chá. Se, de início, o Monumental era «considerado como um teatro fora de portas», o valor e a fama das estrelas que ali actuam – Laura Alves, João Villaret, Paulo Renato – iria fazer com que o público «esquecesse as distâncias e alargasse as fronteiras da cidade» (G. Oliveira, 1999). O edifício era marcado por gigantescas estátuas no seu exterior e o «o seu átrio de entrada comum ao teatro, como uma espécie de galeria urbana, era um lugar de encontro, quase de “estar”, naquela Rotunda fechada dos anos 50-60». (J. M. Fernandes 1989) 
Os lustres e mármores aglomeravam-se na decoração do interior da sala e das galerias. A sala de cinema era composta por 2710 lugares e a de teatro era composta por 1182.
Para rentabilizar melhor o espaço interno, o arquitecto introduziu três balcões que se prolongavam lateralmente até ao palco e ainda dois camarotes “avant-scène” ricamente decorados. A revista cinematográfica Imagem fala, em 1950, dum «dos mais arrojados empreendimentos [desses dias]».

Cine-Teatro Monumental, Praça Duque de Saldanha [c. 1952]
António Passaporte, in AML

Tendo em vista grandes produções teatrais e musicais, foi criado um palco enorme, sobre o qual ficava a tela em formato gigante e por onde passaram todos os grandes clássicos do cinema em «Cinemascope» entre as décadas de 50 e 80, como: «20 000 Léguas Submarinas», «West Side Story», «El Cid»», «My Fair Lady», «Ben-Hur», «2001- Odisseia no Espaço» e o incontornável «Star Wars - Guerra das Estrelas». Por aqui passaram também os grandes nomes portugueses do teatro e da música.
Foi exemplo dos grandes teatros de Lisboa, representando um dos marcos da arquitectura desta tipologia em Lisboa e em Portugal, e uma verdadeira atracção turística para muitos portugueses de todo o país, que ainda hoje lamentam a sua demolição em 1982.

Cine-Teatro Monumental [post. 1951]
Praça do Duque de Saldanha
Postal

Bibliografia:
(FRÉTIGNÉ, Hélène, Uma Praça Adiada: Estudo de Fluxos Pedonais na Praça do Duque de Saldanha, vol. I, pp. 27-28, 2005)
 (cinemaaoscopos.pt)

Sunday, 21 June 2015

Rua de São Ciro, à Estrela

Este arruamento que se estende da Rua de Santana à Lapa à Rua de Buenos Aires surge já nas plantas e descrições das freguesias de Lisboa após a remodelação paroquial de 1780, como arruamento divisório da freguesia do Senhor Jesus da Boa Morte da de Nossa Senhora da Lapa, bem como mais tarde, em 1857, nas plantas nº 40 e nº 41 do «Atlas da Carta Topográfica de Lisboa» de Filipe Folque.
O topónimo homenageia o mártir do cristianismo consagrado no dia 16 de Junho que no século IV morreu na Síria com apenas 5 anos.

Rua de São Ciro, à Estrela, [1944]
Coluna com equipamento cisne, adaptada a electricidade
Eduardo Portugal, in Arquivo Municipal de Lisboa

Avenida Duque de Ávila

Nesta zona, a que se convencionou chamar «Avenidas Novas», ainda se podem ver alguns belíssimos exemplares ao gosto Arte Nova e Art Déco, que ilustram o ecletismo estilístico dos anos 20-30 do século XX. É o caso desta frente de quarteirão, entre os nºs 18 a 32, (últimos edifícios à esquerda) da autoria do arquitecto Norte Júnior.
Nas Avenidas Novas encontram-se obras dos arquitectos Pardal Monteiro, Norte Júnior, Álvaro Machado e Ventura Terra. Muitos são prémios Valmor, mas essa distinção nem sempre os tem poupado. e são cada vez menos, infelizmente.

Avenida Duque de Ávila, [1927]
Cruzamento com a Av. da República; ao fundo, a Avenida Defensores de Chaves
in Arquivo do jornal 'O Século'

Saturday, 20 June 2015

Praça (Largo) da Mouraria

«Para vingança dos mouros- ficou-lhe o nome» conta-nos Norberto de Araújo acerca da Mouraria, e acrescenta: «Desapareceu há anos o aspecto sórdido de «má vida», que por aí abaixo se prolongava até à grande artéria da Rua da Mouraria, onde se desafogava de «fado reles» a ignominiosa «Rua Suja» do século passado. [...] A Mouraria de hoje, afinal, a das guitarras, das facadas, das rameiras, dos pianos de botequim - já não existe [...]
(Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. III, pp. 61, 68 e 71)
Praça Martim Moniz, [19--]
Fotógrafo não identificado, in Arquivo Municipal de Lisboa

Friday, 19 June 2015

Antigo Mercado de Alcântara

O antigo Mercado de Alcântara ficava paredes meias com a estação do Caminho de Ferro de Alcântara-Terra que tinha sido inaugurada em 1887. Abriu ao público em 1 de Janeiro de 1905, numa área de 900 metros quadrados, com estrutura de ferro e alvenaria, flanqueado de quatro torreões, segundo risco do arq.º José Alexandre Soares.

Mercado de Alcântara [1938]
Praça General Domingos de Oliveira, antigo Largo de Alcântara e sítio da antiga Ponte de Alcântara
Eduardo Portugal, in Arquivo Municipal de Lisboa

Mercado de Alcântara, interior [c. 190-]
Rua Prior do Crato e Praça General Domingos de Oliveira, antigo Largo de Alcântara
Artur Bárcia, in Arquivo Municipal de Lisboa

Aqui se manteve uma boa parte deste século XX, até que a necessidade dos acessos à ponte sobre o Rio Tejo veio contribuir para o seu desaparecimento cerca de 1950, altura em foi demolido. Hoje o espaço corresponde à actual Praça Gen. Domingos de Oliveira, vulgo rotunda de Alcântara.

Mercado de Alcântara [1940]
Perspectiva tirada da Rua de Alcantara sobre a Praça General Domingos de Oliveira, antigo Largo de Alcântara,  e Rua Prior do Crato (ao fundo)
A antiga Ponte de Alcântara tinha e direcção dos carris da linha dos carros eléctricos, e  o seu arco, normal aquela linha,  ficava por baixo da segunda carroça que se vê na foto.
Eduardo Portugal, in Arquivo Municipal de Lisboa

Mercado de Alcântara [c. 190-]
Praça General Domingos de Oliveira, antigo Largo de Alcântara
Artur Bárcia, in Arquivo Municipal de Lisboa

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, III vol. IX

Avenida da Liberdade cruzamento com a Rua das Pretas

Sinal luminoso de trânsito de duas cores operado manualmente por um sinaleiro


A palavra «semáforo» vem de «sem(a)», elemento grego que significa «sinal», e «phorus», também grego, que significa «que carrega», «que transporta», «que leva». Demorou mais de um milénio para surgir o semáforo como o conhecemos: um dispositivo para controle de tráfego. Foi nas esquinas movimentadas de Londres, em 1868, que se instituíram lanternas verdes e vermelhas para organizar o fluxo de carruagens e pedestres. A utilização dos mesmos sinais com luzes eléctricas, por sua vez, teve início em 1914 na cidade de Cleveland, Estados Unidos. As luzes eram controladas por guardas que se revezavam no local. Em 1917, foi acrescentada a luz amarela. 

Avenida da Liberdade, cruzamento com a Rua das Pretas [ant. 1928]
Ferreira da Cunha, in AML

Obs: o arquivo avança a data de 1930 para esta imagem, mas como se pode constatar, o trânsito ainda se fazia pela esquerda, o que quer dizer que a foto terá que ser anterior a 1928, pois, só a partir desta data foi introduzida em Portugal a obrigatoriedade de circulação pela direita das faixas de rodagem.

Wednesday, 17 June 2015

Campo de Sant'Ana

«Campo de Sant'Ana! Aí está, como raros, um título toponímico de ressonância lisboeta, Ele foi, Dilecto e nunca fatigado companheiro, um «Rossio» campestre de Lisboa do século XVI, subúrbio de hortas e azinhagas do velho tempo de quatrocentos, aqui e ali soerguido em construções solarengas e conventuais dispersas.«Campo do Curral» lhe chamavam do seu comêco. porque afastado, mais pelo isolamento do que pela distância, do Rossio verdadeiro de Valverde ( o Rossio de hoje) - aqui, ou melhor: ali onde é o Largo do Mastro, onde se faziam as matanças de gado para o abastecimento da cidade quinhentista, que tinha o seu empório na Rua Nova, e se disseminavam por dezenas de conventos, centenas de palácios, milhares de casas a surgirem todos os dias para além, cada vez mais para além, dos muros da cêrca de D. Fernando.» 
(Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 35)

Campo dos Mártires da Pátria (desde 1879), [post. 1908]
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa

Tuesday, 16 June 2015

Palácio da Flor da Murta

Localizado entre a Rua de São Bento e a Rua do Poço dos Negros, no cunhal do palácio, é ainda visível o Brasão das armas dos Pereira Faria, Senhores de Aconchel, cuja descendente, D.Guiomar de Faria casou com D. Jorge de Meneses da Casa da Flor da Murta, tomando o palácio este nome.
A origem deste palácio tem por base uma casa nobre quinhentista, progressivamente reedificada ao longo dos séculos XVII e XVIII, facto que lhe imprimiu a sua feição actual, barroca. Apesar de pouco afectado pelo terramoto de 1755, o edifício acabou por cair em ruína.
Já no século XX foi desafectada a capela, da invocação de Nossa Senhora de Monserrate, da qual resta o portal encimado por frontão triangular e cruz, na fachada lateral e, mais tarde, foram também removidos alguns painéis de azulejos.
Actualmente, mantém-se apenas a fachada do palácio porque o mesmo foi alvo de recuperação e transformado num condomínio para habitação.

Rua de São Bento  com a Rua do Poço dos Negros [1908]
Machado & Souza, in AML

O palácio ficou sobretudo célebre no século XVIII, pois nele viveu em 1731, a bela D. Luísa Clara de Portugal da casa dos Castelo Melhor, aia da Rainha D. Maria Ana de Aústria e amante do Rei D. João V, tendo ficado conhecida para a história como a Flor da Murta. (cm-lisboa.pt)

Monday, 15 June 2015

Ourivesaria Araújos

Fundada por João Carlos Araújo, a pequena ourivesaria distingue-se na Baixa lisboeta pela fachada de ferro trabalhado, num estilo a denunciar as suas origens que remontam a 1878.
No interior, que se mantém praticamente inalterado desde a fundação, destaque para o tecto, com uma tela a óleo com moldura pintada a fresco, de Domingos Costa, proeminente pintor do final do século XIX e início do século XX – autor de pinturas que ainda hoje se podem observar nos Palácio Foz e Palácio Vale Flor.

Rua do Ouro, 261[Início séc. XX]
Fotógrafo não identificado, in DN

Sunday, 14 June 2015

Avenida Fontes Pereira de Melo com a Rua Tomás Ribeiro

Arruamento de 1900 que homenageia o chefe do partido Regenerador, António Maria Fontes Pereira de Melo (1819-1887), que presidiu ao Conselho de Ministros na década de 1876 e 1886, período que ficou conhecido como Fontismo.
Esta artéria que faz a ligação da Praça Marquês de Pombal à Praça Duque de Saldanha integra o Plano das Avenidas Novas, do eng.º Ressano Garcia, aprovado em 1888 na Câmara Municipal de Lisboa. Este projecto seguia as ideias urbanísticas do séc. XIX, aplicando os princípios higienistas de combate à insalubridade das densas vilas da industrialização, definindo um traço regular formado por quarteirões uniformes, numa sequência de eixos estruturantes articulados por rotundas. Neste plano, a Avenida Fontes Pereira de Melo constituía o elemento de ligação do conjunto das ruas adjacentes ao Parque da Liberdade (hoje Parque Eduardo VII) com o núcleo Picoas - Campo Grande. (in cm-lisboa.pt)

Avenida Fontes Pereira de Melo com a Rua Tomás Ribeiro,  1960
[à direita, o muro do antigo Mercado 31 de Janeiro]

Filipe Romeiras, in Arquivo Municipal de Lisboa 

Friday, 12 June 2015

Palácio do Barão de Samora Correia

Poucos lisboetas (e não só) haverá que não conheçam o emblemático cinema São Jorge. O que talvez alguns não saibam, é o que lá existia até à data da sua construção nos idos de 1950. Propriedade de Carlos Ferreira Prego, 3.º barão de Samora Correia, este palacete — que dava frente para duas ruas — a Rua Júlio César Machado e Avenida da Liberdade, foi residência deste abastado lavrador, natural de Alcochete, comendador da Ordem de Cristo e fidalgo da Casa Real, conhecido como «extremamente benquisto na nossa primeira sociedade, pelo seu carácter bondoso, caritativo e esmoler»

Avenida da Liberdade, 175-175B [1945]
Eduardo Portugal, in Arquivo Municipal de Lisboa  
 

O palacete foi demolido em 1946-48, tendo o terreno sido adquirido pela «Sociedade Anglo-Portuguesa de Cinemas, SARL» para aí construir o cinema São Jorge.

Rua Júlio César Machado, 8-8A [1945]
Eduardo Portugal, in Arquivo Municipal de Lisboa

Thursday, 11 June 2015

O coupé na Avenida Fontes Pereira de Melo

Palácio Sabrosa e Palacete Gabriel José Ramires

«Era um coupé pintado de escuro, verde e preto, e tirado por uma parelha côr de castanha. O cocheiro, sem libré, estava em pé, de costas para nós, diante dos cavallos.»
—Eça de Queiroz, O Mistério da Estrada de Cintra, 1870
O seu nome provem do verbo francês couper (cortar). Viatura com quatro rodas, coberta, em que o passageiro ia virado para a frente do veículo, atrás do condutor, na frente do veículo. Normalmente existia um vidro, a separar o passageiro e o condutor, como protecção para a sujidade levantada pelos cavalos. Era uma viatura particular mas também utilizada como carruagem de praça.

Avenida Fontes Pereira de Melo [Início séc. XX]
Perspectiva tirada da Praça Marques de Pombal vendo-se à esq. o Parque Eduardo VII e, à dir.,  o Palacete Sabrosa e o Palacete Gabriel José Ramires

Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa









Wednesday, 10 June 2015

Luiz de Camões, o poeta maior


De acordo com Norberto de Araújo «não se pode garantir, em ciência de academia, que «nesta casa morreu Camões», mas pode manter-se, sem perigo de ofender a razão, que «é tradição Camões ter vivido e morrido nesta casa». Atentemos na sua explicação:
«Para melhor entendimento do que vou dizer-te podemos ler a lápide comemorativa: «Nesta casa, segundo tradição documental, faleceu a 10 de Junho de 1580 Luiz de Camões». O actual proprietário, Manuel José Correia  mandou pôr esta lápide em 1867». O prédio já não tem a configuração pitoresca de há 70 anos, mas não mudou sensilvelmente.
Ora o problema é êste dilecto companheiro alfacinha: Camões viveu e morreu aqui? Qual é a «tradição documental» a que a legenda comemorativa se refere?
Não se comporta nesta «Peregrinação» o debate inocente desta questão, que já fez verter alguma tinta.  Indiscutivel é que o poeta habitou e morreu aqui a dois passsos, ou no sítio onde está o prédio e onde assentou a Ermida do S. J. da Salvação, encostado ao da lápide, ou ali à entrada,  em reentrância, na fronteira Calçada Nova do Colégio, o que tudo situava junto à Porta de Sant'Ana do lado de fora.
Ora quanto a mim, Dilecto, não se trata de saber «onde era o prédio», precisamente, matemàticamente, arqueològicamente, porque estes prédios actuais não assentam, de seguro, sôbre fundamentos de quaisquer outros; trata-se, sim, de saber «onde era o sítio». E o sítio é «aqui» (versão do Visconde de Jerumenha ante a biografia manuscrita de Padre Francisco de Santo Agostinho), ou é «ali», a vinte metros (interpretação extensiva do que «constava a Manuel de Faria e Sousa, que nasceu dez anos depois da morte de Camões).
(Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 29)
Arco de Sant'Ana e casa onde viveu e morreu Luís de Camões em 1580, desenho conjectural de Júlio Castilho
[Calçada de Sant'Ana]

A Ginjinha do Rossio teve bênção de um monge

A Ginjinha do Largo de São Domingos abriu portas em 1840 e mantém-se praticamente igual. Um pequeno balcão e dezenas de garrafas de licor. Nesta foto a grande diferença para os dias de hoje era a presença de engraxadores em frente à porta.

Largo de São Domingos [198-]
in Dário de Notícias

Desde 1840 que os lisboetas e os que visitam a capital vão ao Rossio para se confrontar com a pergunta: “Com ou sem elas.” A ginja, rigorosamente seleccionada, e a produção do licor está na Arruda dos Vinhos. O negócio vai na quinta geração da família Espinheira
«É mais fácil com uma mão dez estrelas agarrar, fazer o sol esfriar, reduzir o mundo a grude, mas ginja com tal virtude é difícil de encontrar.» O verso está escrito há mais de um século no balcão d’A Ginjinha. E terá quase tanto tempo como a lenda do monge da Igreja de Santo António, Francisco Espinheira. A história, que está contada à porta, diz que esta doce bebida nasceu da recomendação de um monge à família galega Espinheira para deixar fermentar ginjas dentro de aguardente, juntando-lhe açúcar, água e canela. Por ser uma bebida doce e barata tornou-se um êxito imediato, transformando a ginjinha na bebida típica de Lisboa.

Largo de São Domingos [post. 1970]
Vendo-se A Ginjinha, à esquerda, no prédio que torneja para o Rossio

Horácio Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G. 

Tem a Ginjinha do Rossio duas meias portas, onde se podem ver umas pinturas do actor Alexandre de Azevedo, antigo pintor de tabuletas, estão inscritos os seguintes versos, pelos quais o galego dono da casa pagou, «em bons tempos de penúria e quando o dinheiro era dinheiro, a soma de 5.000 reis» a Eduardo Fernandes  (ESCULÁ PIO) :
“Dona Prudência da Costa,
 Delambida e magrisela,
 Fez de ser tola uma aposta,
 Diz que ginginha nem vê-la
 Porque, coitada, não gosta.
 E a ama de um reverendo
 Que é das bandas da Barquinha
 Tem um aspecto tremendo,
 Bebe aos litros da ginginha
 E é isto que se está vendo.”

Recorda-nos o autor dos versos que «A pintura representa duas tipas a escorropichar copinhos, vendo-se, na outra mela porta e na mesma atitude, dois tipos, num dos quais o artista me quiz representar, mas com grande infelicidade».
O Mateus é um chóchinha
 Mais feio que um camafeu,
 Magro, tísico, um fuinha,
 Nunca na vida bebeu
 Nem um copo de ginginha.
 O Irmão, que sabe a virtude
 Desta divina ambrozia,
 É gordo como um almude,
 Bebe seis copos por dia,
 Por isso goza saúde.”
[1]
[1](in Olisipo : boletim do Grupo «Amigos de Lisboa», n.º 17, Janeiro 1942)

A Ginjinha, porta, Largo de São Domingos [1967]
Sid Kemer in AML

Sunday, 7 June 2015

Elevador de Santa Justa, a todo o vapor

O elevador de Santa Justa — ou do Carmo — foi inaugurado no dia 10 Julho de 1902, sendo um dos dois ascensores verticais da cidade (o ouro era o elevador de S. Julião). O projecto é de Raoul Mesnier du Ponsard. Com 45 metros de altura e integralmente construído em ferro forjado, faz a ligação entre a Rua Áurea, vulgo «do Ouro» e o largo do Carmo. Apresenta-se em estilo neogótico, com decorações em filigrana e foi classificado como monumento nacional em 2002.

Rua de Santa Justa [ant. 1907]
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa


Movido inicialmente a vapor, passou a ser accionado por energia eléctrica, em 1907. O transporte dos passageiros é feito por duas cabines de madeira, cada uma com capacidade para 20 pessoas. A ascensão por estas cabines dá acesso a um passadiço de 25 metros, que leva os passageiros até ao Largo do Carmo.

Rua de Santa Justa [entre 1902 e 1907]
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa

Saturday, 6 June 2015

O primeiro Éden Teatro

A história do edifício Éden e do seu espaço envolvente remonta a 1764, quando o Marquês de Pombal compra terras que na altura pertenciam ao quarto Conde de Castello-Melhor, para a abertura das obras de ajardinamento do Passeio Público.
Na década de 1770, o Conde de Castello-Melhor procedeu à demolição das suas casas, arruinadas pelo terramoto. Em 1777 começou a edificar-se um Palácio (mais tarde denominado Palácio Foz). Interrompidas as obras pouco depois, só seriam retomadas em 1845. Em 1858, estava o palácio praticamente pronto. A zona agreste ao lado do futuro Palácio Foz é, precisamente, o local onde hoje se ergue o edifício do antigo Eden Teatro.

Éden Teatro, Praça dos Restauradores [1928]
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Seculo

Em 1875 a companhia circense Whyttoyne instalou-se de pedra e cal nos jardins do palácio, mas o fogo encerrou o recinto após 6 anos de armação. A companhia circense acabaria por ser expropriada em 1887, para deixar passar os comboios até a estação do Rossio e também permitir a construção do Palace Hotel. Em 1901, com a queda da Casa da Foz, foi tudo posto em praça, num célebre leilão.
Aproveitando o esqueleto da Garagem Beauvelet - entretanto erguida no local das antigas cocheiras do Palácio Foz - Luiz Galhardo, empresário de teatro, encomendou ao cenógrafo Augusto Pina e ao arq. Gulherme Edmundo Gomes planos para a construção de um Teatro, inaugurado no dia 25 de Setembro de 1914, com a opereta «O Burro» do Sr. Alcaide de Gervásio Lobato, é o primeiro Éden.

Éden Teatro, Praça dos Restauradores [1914]
Joshua Benoliel, in AML

Após uma visita rotineira, a Inspecção Geral de Espectáculos ordenou o encerramento do Éden, no final de 1928, por questões de segurança. O conde de Sucena, que tinha comprado o Palácio Foz e terrenos anexos em 1914, resolveu-se pela demolição do Imóvel.

Friday, 5 June 2015

Lenda de Lisboa

Ora conta a lenda que a costa que hoje é a de Lisboa, tinha um estranho nome: Ofiusa — que quer dizer "Terra de Serpentes". As serpentes tinham a sua rainha. Uma rainha muito estranha, metade mulher, metade serpente...senhora de um olhar feiticeiro, e de uma voz muito meiga.
Às vezes, esta estranha rainha subia ao alto de um monte e gritava ao vento, só para que pudesse ouvir a sua própria voz:
"Este é o meu reino! Só eu governo aqui, mais ninguém! Nenhum ser humano se atreverá a pôr aqui os pés: ai de quem ousar!Pois as minhas serpentes, não o deixarão respirar um minuto sequer!".
De facto, durante muito tempo, ser humano nenhum se aventurou a desembarcar nesta costa que ela pensava que estaria amaldiçoada pelos deuses e também pelos homens.
Porém um dia, vindo de muito longe, um herói lendário chamado Ulisses, famoso pelas suas aventuras guerreiras, atracou na cidade.
Ficou deslumbrado com as belezas naturais que viu e ao desembarcar subiu a um monte, e com a sua máscula voz, gritou ao vento:
"Aqui edificarei a cidade mais bela do Universo! E dar-lhe-ei o meu próprio nome: será a Ulisseia, capital do Mundo!"
E a sua profecia concretizou-se, e hoje, embora não tenha o nome dado pelo herói mitológico grego "Ulisseia", é uma das mais belas cidades do Mundo, e chama-se LISBOA.

Planta de Lisboa em 1795 da obra "Travels in Portugal" MURPHY, James, 1760-1814

Arranha-céus do Areeiro

A Praça do Areeiro foi integrada no Plano de Alvalade e assume-se como uma representação emblemática do período do Estado Novo e da arquitectura monumental do arquitecto Cristino da Silva. O seu edifício principal é um prédio de rendimento de 12 pisos e cave, na altura apelidado de «arranha-céus do Areeiro», colocado no eixo de sentido Sul-Norte da Avenida Almirante Reis e no da planta da Praça em forma do escudo português das Cinco Quinas, marcando simetricamente o conjunto arquitectónico da Praça e distribuindo a derivação das duas avenidas. Um primeiro projecto é datado de 1949, devidamente aprovado, seguindo-se-lhe um outro que o altera em estrutura e pormenor, datado de 1952.
(in: CML- Cadernos do Arquivo Municipal, nº4, 2000. pp. 34-35)

Praça Francisco Sá Carneiro, 8-8B, esquina com as avenidas Padre Manuel da Nóbrega, 2-2C,
 e do Aeroporto, 1-1B [entre 1950 e 1970]
Amadeu Ferrari, in Arquivo Municipal de Lisboa

Thursday, 4 June 2015

As Rodas de Lisboa


Suba a bordo e faça connosco uma viagem por Lisboa - de eléctrico ou de autocarro - neste documentário realizado pelos irmãos António e Francisco Lopes Ribeiro (Ribeirinho) em 1951, com locução de Fernando Pessa.. Saiba todos os pormenores desconhecidos do grande público sobre os «amarelos» e «verdes» da CARRIS. Nesta incursão ao âmago da empresa ficará a conhecer tudo, desde o desenho dos carros, construção das carroçarias, fundição das várias peças que compõem um dos ex-libris da cidade de Lisboa. Boa viagem.

O ardina

 — Olh'ó Correio da Manha*! Traz o desastre! Olh'á Bola! Jesus vai para o Sporting!


Em Setembro de 1917, após uma greve dos jornais — que se prolongou por quatro longos dias —, o ardina tenta vender o jornal a «uma gentil estrangeira que tem pena de não saber portuguez para também lêr os jornaes esperados com tanta anciedade».
(in Ilustração Portuguesa, 2.ª série, n.º 605, 24 de Setembro de 1917)
* (sem til, propositadamente)

Praça Luís de Camões [1917]
Joshua Benoliel, in Arquivo Municipal de Lisboa
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